No Japão, os custos iniciais de compra de um apartamento (os chamados shohiyō, 諸費用, as despesas que correm por fora do preço do imóvel) ficam em 3% a 6% do valor do imóvel quando ele é novo e em 6% a 10% quando é usado. Um apartamento usado de ¥30 milhões (cerca de R$ 1,11 milhão) exige de ¥2,0 a ¥2,2 milhões (R$ 74 mil a R$ 81 mil); um de ¥70 milhões (R$ 2,59 milhões), de ¥4,3 a ¥4,6 milhões (R$ 159 mil a R$ 170 mil). E há um detalhe que pega quase todo comprador estrangeiro de surpresa: o sinal e metade da corretagem são pagos em dinheiro, antes de o financiamento ser liberado.
Se você mora no Japão e está prestes a comprar seu primeiro manshon (マンション, o apartamento em prédio de estrutura de concreto armado, que no Japão é a categoria padrão de moradia urbana em condomínio), vale saber que a lógica de caixa aqui é diferente da brasileira. No Brasil, boa parte dos custos de transferência aparece de uma vez na escritura e no registro em cartório, e a corretagem costuma ser paga pelo vendedor. No Japão, a conta é fatiada em três momentos — assinatura do contrato, entrega das chaves e o período pós-mudança —, a corretagem é paga pelo comprador e o imposto de aquisição chega por carnê meses depois, quando você já esqueceu dele.
Este artigo refaz essa conta em três blocos: quanto sai em cada momento, quanto isso representa por faixa de preço de ¥10 milhões a ¥100 milhões, e quanto passa a custar o imóvel por mês depois da compra. Todos os números vêm de fontes públicas japonesas — Agência Nacional de Tributos, Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo, Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações, JHF e REINS — e incluem as mudanças da reforma tributária japonesa do ano fiscal de 2026.
Pontos-chave deste artigo
- A referência de custo inicial é 3% a 6% do preço no imóvel novo e 6% a 10% no usado. Quanto mais barato o imóvel, maior é o percentual.
- Sinal, metade da corretagem e imposto de selo vencem antes da liberação do financiamento e precisam estar em dinheiro na conta.
- Depois da compra, a conta real é "prestação + taxa de condomínio + fundo de reserva para obras": na Grande Tóquio, um imóvel novo dá pouco menos de ¥200 mil (R$ 7.400) por mês.
- A reforma tributária japonesa do ano fiscal de 2026 prorrogou por 5 anos o abatimento do imposto de renda pelo financiamento habitacional, e a redução de 50% do IPTU japonês para imóveis novos vale até 31 de março de 2031.
- Existe financiamento para as despesas acessórias, mas ele deixa você com dívida acima do valor de venda do imóvel e trava revenda e portabilidade no futuro.
Quanto custam os custos iniciais no Japão: 3% a 6% no novo, 6% a 10% no usado
No Japão, os custos iniciais de compra de um apartamento ficam em 3% a 6% do preço no imóvel novo e em 6% a 10% no usado. Só que esse percentual não é uma regra tributária: ele é apenas o resultado de somar imposto de selo, corretagem, custos de registro e despesas do financiamento. Decorar o percentual não ajuda a julgar se o orçamento que a imobiliária entregou está correto — para isso é preciso conhecer cada linha.
Vale marcar desde já o que é específico do Japão. Não existe aqui o ITBI municipal que o comprador brasileiro paga na transferência; existe um fudōsan shutokuzei (不動産取得税, imposto de aquisição de imóvel, de competência das províncias) que chega por notificação meses depois e que, num apartamento de tamanho comum, muitas vezes resulta em zero. Também não existe escritura pública lavrada em cartório de notas: o contrato particular basta, e quem cuida do registro é o shihō-shoshi (司法書士, o escrivão judicial habilitado, profissão sem equivalente direto no Brasil, que faz o papel técnico do registrador junto ao Departamento de Assuntos Jurídicos). Em compensação, o Japão cobra do comprador uma corretagem que no Brasil normalmente sai do bolso do vendedor.
Por que o apartamento usado tem custo inicial mais alto no Japão
A maior parte da diferença é a corretagem. No usado existe uma imobiliária entre vendedor e comprador, e isso acrescenta cerca de 3,3% do preço (com o imposto sobre consumo incluído). O apartamento novo de incorporação costuma ser comprado diretamente do incorporador, e nesse caso os 3,3% não existem. Em contrapartida, o imóvel novo tem o shūzen tsumitate kikin (修繕積立基金, fundo inicial de reserva para obras), pago de uma vez na entrega das chaves, na faixa de ¥200 mil a ¥800 mil (R$ 7.400 a R$ 29.600).
Esse fundo inicial é uma peculiaridade japonesa que confunde quem vem do modelo brasileiro: não é taxa de condomínio antecipada nem "fundo de obras" mensal, e sim uma capitalização de partida do caixa do condomínio, cobrada uma única vez do primeiro proprietário de cada unidade. Ou seja, o comprador de imóvel novo economiza a corretagem, mas devolve parte dessa economia na forma de capital para o condomínio.
Quanto dinheiro os compradores realmente colocam do próprio bolso
"Dá para comprar sem entrada" e "quanto de dinheiro as pessoas de fato colocam" são duas conversas diferentes. Os valores reais de recursos próprios estão na Pesquisa com Usuários do Flat 35, ano fiscal de 2024 (em japonês), da Jūtaku Kin'yū Shien Kikō (住宅金融支援機構, Japan Housing Finance Agency, a agência pública de financiamento habitacional):
- Apartamento novo: preço de compra de ¥55.922.000 (R$ 2,07 milhões) na média nacional, contra ¥13.379.000 (R$ 495 mil) de recursos próprios — 23,9%. Na Grande Tóquio, ¥65.693.000 (R$ 2,43 milhões) contra ¥18.333.000 (R$ 678 mil) — 27,9%.
- Apartamento usado: preço de compra de ¥30.328.000 (R$ 1,12 milhão) na média nacional, contra ¥5.244.000 (R$ 194 mil) de recursos próprios — 17,3%. Na Grande Tóquio, ¥34.053.000 (R$ 1,26 milhão) contra ¥6.468.000 (R$ 239 mil) — 19,0%.
Esses "recursos próprios" incluem tanto a entrada quanto as despesas acessórias. A amostra se limita a quem usou o Flat 35, mas dá para ler a prática de mercado: o comprador japonês típico entra com cerca de 20% do preço em dinheiro. Para quem vem do Brasil e está acostumado a financiar 80% do imóvel com uma entrada de 20%, o número parece familiar — a diferença é que, no Japão, parte relevante desses 20% não vira patrimônio, e sim taxa, imposto e registro.
Quanto custa hoje um apartamento usado na Grande Tóquio
Na Market Watch mensal de junho de 2026 (em japonês) da REINS do Leste do Japão (東日本レインズ, a rede oficial de listagens entre corretores, equivalente funcional a um MLS), o preço médio de fechamento de apartamentos usados na Grande Tóquio — Tóquio mais as províncias de Kanagawa, Saitama e Chiba — foi de ¥52.080.000 (R$ 1,93 milhão), a ¥826.400/m² (R$ 30.600/m²), com área privativa média de 63,02 m² e idade média de 27,48 anos. Para esse imóvel médio, os custos iniciais ficam entre ¥3,15 e ¥3,4 milhões (R$ 117 mil a R$ 126 mil).
Duas coisas nesse retrato costumam surpreender o leitor brasileiro. A primeira é a área: 63 m² é o padrão de família na Grande Tóquio, não um apartamento pequeno. A segunda é a idade média de 27 anos, que no Brasil já sugeriria depreciação pesada. No Japão o mercado de usados é grande, líquido e bem documentado, e prédios de concreto armado dos anos 1990 seguem sendo produto principal — desde que o histórico de obras e o fundo de reserva estejam em ordem, ponto que este artigo detalha mais adiante.
Simulação por faixa de preço: custos iniciais de ¥10 milhões a ¥100 milhões
Para apartamentos usados comprados com intermediação de imobiliária, as despesas acessórias ficam em torno de ¥850 mil a ¥1,0 milhão (R$ 31 mil a R$ 37 mil) num imóvel de ¥10 milhões; ¥2,0 a ¥2,2 milhões (R$ 74 mil a R$ 81 mil) num de ¥30 milhões; ¥4,3 a ¥4,6 milhões (R$ 159 mil a R$ 170 mil) num de ¥70 milhões; e ¥6,05 a ¥6,4 milhões (R$ 224 mil a R$ 237 mil) num de ¥100 milhões. O percentual é mais alto nas faixas baratas porque uma parte da conta é fixa e não acompanha o preço.
Premissas do cálculo: financiamento de 80% do valor; despesas do financiamento = tarifa administrativa no modelo percentual (2,2% do valor financiado) mais o imposto de selo do contrato de mútuo; registro com a redução aplicável a imóveis residenciais; valor venal para fins de IPTU japonês estimado em cerca de 60% do preço de venda (sendo 40% terreno e 60% edificação); honorários do shihō-shoshi de cerca de ¥100 mil no total; imóvel usado na Grande Tóquio. Os valores reais mudam conforme o imóvel e a instituição financeira.
| Preço do imóvel | Imposto de selo (já reduzido) | Corretagem (teto, com imposto) | Custos de registro | Despesas do financiamento (modelo 2,2%) | Total estimado — usado | Total estimado — novo |
|---|---|---|---|---|---|---|
| ¥10.000.000 (R$ 370 mil) | ¥5.000 | ¥396.000 | aprox. ¥160.000 | aprox. ¥190.000 | aprox. ¥850.000 a ¥1.000.000 (R$ 31 mil a R$ 37 mil) — 8,5% a 10,0% | aprox. ¥650.000 a ¥1.000.000 (R$ 24 mil a R$ 37 mil) |
| ¥20.000.000 (R$ 740 mil) | ¥10.000 | ¥726.000 | aprox. ¥210.000 | aprox. ¥370.000 | aprox. ¥1.400.000 a ¥1.600.000 (R$ 52 mil a R$ 59 mil) — 7,0% a 8,0% | aprox. ¥900.000 a ¥1.250.000 (R$ 33 mil a R$ 46 mil) |
| ¥30.000.000 (R$ 1,11 milhão) | ¥10.000 | ¥1.056.000 | aprox. ¥270.000 | aprox. ¥550.000 | aprox. ¥2.000.000 a ¥2.200.000 (R$ 74 mil a R$ 81 mil) — 6,7% a 7,3% | aprox. ¥1.150.000 a ¥1.500.000 (R$ 43 mil a R$ 56 mil) |
| ¥40.000.000 (R$ 1,48 milhão) | ¥10.000 | ¥1.386.000 | aprox. ¥320.000 | aprox. ¥720.000 | aprox. ¥2.550.000 a ¥2.750.000 (R$ 94 mil a R$ 102 mil) — 6,4% a 6,9% | aprox. ¥1.400.000 a ¥1.800.000 (R$ 52 mil a R$ 67 mil) |
| ¥50.000.000 (R$ 1,85 milhão) | ¥10.000 | ¥1.716.000 | aprox. ¥380.000 | aprox. ¥900.000 | aprox. ¥3.150.000 a ¥3.400.000 (R$ 117 mil a R$ 126 mil) — 6,3% a 6,8% | aprox. ¥1.700.000 a ¥2.150.000 (R$ 63 mil a R$ 80 mil) |
| ¥70.000.000 (R$ 2,59 milhões) | ¥30.000 | ¥2.376.000 | aprox. ¥490.000 | aprox. ¥1.290.000 | aprox. ¥4.300.000 a ¥4.600.000 (R$ 159 mil a R$ 170 mil) — 6,1% a 6,6% | aprox. ¥2.200.000 a ¥2.800.000 (R$ 81 mil a R$ 104 mil) |
| ¥100.000.000 (R$ 3,7 milhões) | ¥30.000 | ¥3.366.000 | aprox. ¥650.000 | aprox. ¥1.820.000 | aprox. ¥6.050.000 a ¥6.400.000 (R$ 224 mil a R$ 237 mil) — 6,1% a 6,4% | aprox. ¥3.100.000 a ¥3.800.000 (R$ 115 mil a R$ 141 mil) |
As colunas de total já embutem seguro contra incêndio e rateios de acerto de contas (algo entre ¥100 mil e ¥500 mil, ou R$ 3.700 a R$ 18.500); na coluna do imóvel novo, a corretagem foi retirada e o fundo inicial de reserva para obras, acrescentado. Não estão incluídos mudança, móveis nem o imposto de aquisição. Para converter as demais células, use a taxa aproximada de R$ 1 ≈ ¥27 (ou seja, ¥10.000 ≈ R$ 370); o câmbio real oscila e você deve conferi-lo na data da sua operação.
A exceção da corretagem em imóveis de até ¥8 milhões, que quase ninguém percebe
Num apartamento usado de ¥5.000.000 (R$ 185 mil), a fórmula rápida "preço × 3,3% + ¥66.000" dá um teto de corretagem de ¥231.000 (R$ 8.500). Na prática, porém, a cobrança pode vir como ¥330.000 (R$ 12.200). O motivo está no artigo sétimo do aviso oficial sobre o valor da remuneração dos corretores (Aviso nº 1552 de 1970 do Ministério da Construção, com última alteração em 21 de junho de 2024) (em japonês), publicado pelo Kokudo Kōtsūshō (国土交通省, Ministério da Terra, Infraestrutura, Transportes e Turismo, MLIT): na intermediação de "imóveis vazios de baixo valor" com preço de até ¥8.000.000 (R$ 296 mil), a imobiliária pode receber até ¥300.000 acrescidos de 1,1 vez o imposto sobre consumo, ou seja, ¥330.000.
Num imóvel de exatamente ¥8.000.000 o teto comum também é ¥330.000, e por isso não há diferença; quanto mais barato o imóvel, maior a distância entre os dois cálculos. É uma exceção legítima e não uma cobrança abusiva — mas exija a memória de cálculo antes de assinar o contrato de intermediação. Esse ponto interessa em cheio a quem procura imóveis baratos em Aichi, Shizuoka, Gunma ou Mie, onde há muito apartamento usado abaixo de ¥8 milhões: nessas faixas os custos fixos pesam tanto que um imóvel de ¥10 milhões chega a 8,5% a 10% de despesas acessórias, contra 6,1% de um de ¥100 milhões.
O que muda de verdade a partir da faixa de ¥70 milhões
Acima de ¥50 milhões, o imposto de selo sobe de ¥10.000 para ¥30.000 e os custos de registro passam da casa de ¥500 mil. Mas o que mais pesa é o teto do abatimento fiscal do financiamento habitacional. Para quem se muda em 2026, mesmo um imóvel novo com certificação de durabilidade de longo prazo ou de baixo carbono tem limite de ¥45.000.000 (R$ 1,67 milhão) — ou ¥50.000.000 (R$ 1,85 milhão) para famílias com filhos e afins. Comprando um imóvel de ¥70.000.000 com 80% financiados, mais de ¥10.000.000 (R$ 370 mil) do saldo ficam fora do benefício. Se você está montando o plano de financiamento, veja também os tipos de juros do financiamento habitacional e o básico do abatimento fiscal.
O dinheiro que precisa estar em espécie na assinatura: sinal, imposto de selo e metade da corretagem
No dia da assinatura do contrato de compra e venda você precisa ter em conta o sinal, o imposto de selo e metade da corretagem. O financiamento habitacional só é liberado no dia da entrega das chaves, então nada disso pode sair do banco. É exatamente aqui que nasce a angústia de "não tenho como pagar os custos iniciais".
Esse descompasso é mais duro no Japão do que no Brasil. Num financiamento brasileiro pela Caixa ou por banco privado, boa parte das taxas e do próprio ITBI costuma poder ser somada ao contrato ou paga junto do registro. No Japão, o calendário é rígido: o dinheiro do contrato é seu, e o dinheiro do banco só aparece semanas depois.
O sinal fica em 5% a 10% do preço — e tem um teto legal
O tetsukekin (手付金, o sinal japonês) costuma ficar entre 5% e 10% do preço do imóvel: num apartamento de ¥30.000.000, isso significa ¥1.500.000 a ¥3.000.000 (R$ 55.500 a R$ 111.000). Ele é abatido do preço, mas sai do seu caixa na data do contrato. Quando o vendedor é uma empresa licenciada do setor imobiliário, o artigo 39, parágrafo 1, da Lei de Negócios Imobiliários (宅地建物取引業法, Takuchi Tatemono Torihikigyōhō) (em japonês) proíbe receber sinal superior a dois décimos do preço. O parágrafo 2 do mesmo artigo determina que o sinal, qualquer que seja sua natureza declarada, é tratado como sinal de arrependimento: o comprador pode desistir perdendo o valor pago, e a empresa vendedora pode desistir oferecendo efetivamente o dobro.
Ou seja, reduzir o sinal alivia o caixa do dia do contrato, mas também barateia a desistência do vendedor. É o inverso da intuição de muita gente. Quem vem do Brasil pode pensar nisso como um regime de arras penitenciais aplicado por lei a toda venda feita por incorporadora ou imobiliária proprietária, sem espaço para negociar a natureza jurídica do valor.
O artigo 41 da mesma lei estabelece ainda que, em imóveis cuja obra não foi concluída, o vendedor licenciado não pode receber sinal e valores equivalentes sem medidas de garantia, salvo em casos como o de o total ficar em até 5 centésimos do preço e até o limite fixado por decreto (¥10.000.000, ou R$ 370 mil). Para imóveis já concluídos, o parâmetro é de 10% pelo artigo 41-2. A existência ou não dessas medidas de garantia deve ser confirmada na explicação de assuntos relevantes — a apresentação obrigatória feita antes da assinatura por um corretor registrado, documento que não tem paralelo direto no processo brasileiro e que você deve ler linha a linha.
O imposto de selo é o valor já reduzido — e o contrato do financiamento não entra na redução
O ponto que importa é calcular pelo valor reduzido, e não pela tabela cheia. Segundo a resposta nº 7108 do Tax Answer da Agência Nacional de Tributos (国税庁, Kokuzeichō) (em japonês), a redução vale para contratos de transmissão de imóvel lavrados entre 1º de abril de 2014 e 31 de março de 2027.
| Valor do contrato | Tabela cheia | Valor reduzido |
|---|---|---|
| Acima de ¥5.000.000 até ¥10.000.000 (R$ 185 mil a R$ 370 mil) | ¥10.000 (R$ 370) | ¥5.000 (R$ 185) |
| Acima de ¥10.000.000 até ¥50.000.000 (R$ 370 mil a R$ 1,85 milhão) | ¥20.000 (R$ 740) | ¥10.000 (R$ 370) |
| Acima de ¥50.000.000 até ¥100.000.000 (R$ 1,85 milhão a R$ 3,7 milhões) | ¥60.000 (R$ 2.220) | ¥30.000 (R$ 1.110) |
| Acima de ¥100.000.000 até ¥500.000.000 (R$ 3,7 milhões a R$ 18,5 milhões) | ¥100.000 (R$ 3.700) | ¥60.000 (R$ 2.220) |
Já o contrato de mútuo assinado com o banco fica fora da redução. Ele se enquadra no documento do item 1-3 da resposta nº 7140 do Tax Answer da Agência Nacional de Tributos (em japonês): ¥20.000 (R$ 740) para valores financiados acima de ¥10.000.000 até ¥50.000.000, e ¥60.000 (R$ 2.220) acima de ¥50.000.000 até ¥100.000.000. Vale lembrar que, no contrato eletrônico, em que nenhum documento em papel é emitido, o entendimento predominante é de que não há imposto de selo — um selo físico colado no papel é, literalmente, o fato gerador. Detalhamos isso em contrato eletrônico e explicação de assuntos relevantes on-line na compra e venda de imóveis.
A corretagem é um teto, não uma tabela de preço fixo
O teto vem do artigo segundo do aviso já citado: 5,5% sobre a parcela de até ¥2.000.000, 4,4% sobre a parcela acima de ¥2.000.000 e até ¥4.000.000, e 3,3% sobre o que passar de ¥4.000.000 (percentuais já com o imposto sobre consumo e equivalentes). A fórmula rápida nada mais é do que a soma desses três degraus e, como o aviso diz "até", trata-se de um limite máximo e não de um preço tabelado. Ainda assim, desconto se discute junto com o volume de serviço prestado pela imobiliária. O raciocínio está organizado em como calcular o teto da corretagem de apartamento usado e negociar desconto.
O pagamento costuma ser dividido em duas metades: uma na assinatura, outra na entrega das chaves. Num imóvel de ¥30.000.000, isso dá ¥528.000 (R$ 19.500) no dia do contrato. Somando o sinal de ¥1.500.000 e o imposto de selo de ¥10.000, só naquele dia saem pouco mais de ¥2.000.000 (cerca de R$ 74 mil) em dinheiro. Para o leitor brasileiro, é como se a comissão do corretor — que no Brasil quase sempre é descontada do valor que o vendedor recebe — virasse uma despesa direta e antecipada do comprador.
O dinheiro da entrega das chaves: registro e despesas do financiamento
No dia da entrega você precisa cobrir custos de registro, despesas do financiamento, seguro contra incêndio, o rateio do IPTU japonês e afins, e a fração proporcional da taxa de condomínio. É nesse dia que o financiamento é liberado, então a maior parte desses valores pode ser paga com o recurso do banco — desde que o cálculo tenha sido feito antes.
Custos de registro = imposto de registro + honorários do escrivão judicial
A base de cálculo do tōroku menkyozei (登録免許税, imposto de registro e licença) não é o preço de venda, e sim o valor venal cadastrado para fins do IPTU japonês. Essa é uma diferença importante em relação ao ITBI brasileiro, normalmente calculado sobre o maior valor entre venda e avaliação municipal: no Japão o valor venal costuma ficar bem abaixo do preço de mercado, o que reduz bastante a conta. As alíquotas são as do comunicado da Agência Nacional de Tributos sobre as reduções de alíquota do imposto de registro (abril de 2026) (em japonês) e das medidas especiais para imóveis residenciais (em japonês) do MLIT.
| Tipo de registro | Tabela cheia | Alíquota reduzida | Prazo de vigência |
|---|---|---|---|
| Transferência de propriedade do terreno (compra e venda) | 2,0% | 1,5% | 31 de março de 2029 |
| Registro originário da edificação (imóvel novo) | 0,4% | 0,15% | 31 de março de 2027 |
| Transferência de propriedade da edificação (usado) | 2,0% | 0,3% | 31 de março de 2027 |
| Constituição de hipoteca | 0,4% | 0,1% | 31 de março de 2027 |
A alíquota de 1,5% sobre o terreno foi prorrogada por três anos na reforma tributária do ano fiscal de 2026 e agora vale até 31 de março de 2029. As páginas de Tax Answer da Agência Nacional de Tributos às vezes ainda exibem o prazo antigo, então confirme a prorrogação no comunicado citado acima. Para obter a redução na edificação e na hipoteca, é preciso anexar ao requerimento de registro o jūtakuyō kaoku shōmeisho (住宅用家屋証明書, certidão de imóvel de uso residencial, emitida pela prefeitura municipal, que atesta entre outros requisitos a área construída de pelo menos 50 m²) e registrar o imóvel dentro de um ano da construção ou da aquisição. No usado, exige-se construção a partir de 1º de janeiro de 1982 ou comprovação de conformidade com as normas antissísmicas. Nada disso é aplicado automaticamente — se ninguém pedir, você paga a tabela cheia.
Os honorários do shihō-shoshi têm valores reais publicados na pesquisa sobre remuneração (realizada em março de 2024) (em japonês) da Federação Japonesa das Associações de Escrivães Judiciais (日本司法書士会連合会). Para o registro de transferência de propriedade por compra e venda de um lote de terreno e uma edificação com valor venal somado de ¥10.000.000, a média é de ¥56.678 (R$ 2.100); para o registro de hipoteca de um crédito de ¥10.000.000, a média é de ¥42.699 (R$ 1.580). São médias de um caso-modelo e variam com deslocamentos e complexidade. Comparado ao custo de escritura e registro em cartório no Brasil, é um serviço enxuto — mas insubstituível, porque a compra não se conclui sem ele.
As despesas do financiamento variam dezenas de milhares de ienes conforme o modelo escolhido
- Tarifa administrativa: existe o modelo de valor fixo (de ¥30.000 a algo na casa dos ¥50.000, ou R$ 1.100 a R$ 1.900) e o modelo percentual (2,2% do valor financiado). Num financiamento de ¥30.000.000, o modelo percentual custa ¥660.000 (R$ 24.400).
- Comissão de garantia: pode ser paga de uma vez na contratação (modelo externo) ou diluída em cerca de 0,2% a mais na taxa de juros (modelo interno). O valor do modelo externo muda conforme o prazo, então peça o orçamento com o número real. O Flat 35 dispensa essa comissão.
- Seguro de vida do mutuário (団体信用生命保険, dantai shin'yō seimei hoken): na maioria dos bancos já está embutido na taxa de juros, e as coberturas adicionais para doenças graves entram como acréscimo de juros. Esse seguro é praticamente obrigatório no Japão e é o motivo pelo qual o estado de saúde do proponente pode inviabilizar um financiamento aprovado do ponto de vista da renda.
- Imposto de registro da hipoteca: 0,1% do valor financiado.
Seguro contra incêndio, rateio do IPTU japonês e fundo inicial de obras
No apartamento, o seguro cobre apenas a unidade privativa, o que deixa o prêmio menor do que o de uma casa. Segundo a Organização de Cálculo de Taxas de Seguro Geral do Japão (損害保険料率算出機構), a taxa pura de referência do seguro contra incêndio foi elevada em 13,0% na média nacional pelo registro de junho de 2023 (em japonês). Taxa pura de referência não é o prêmio final, mas a tendência de alta — puxada pelo aumento de desastres naturais — deve ser incorporada ao seu planejamento.
O kotei shisanzei (固定資産税, imposto sobre ativos fixos, o equivalente funcional do IPTU brasileiro) é cobrado integralmente de quem era proprietário em 1º de janeiro; quando a entrega ocorre no meio do ano, o costume comercial é o comprador reembolsar a parte proporcional. Esse acerto não é obrigação legal, e a data-base varia por região. No Kanto usa-se 1º de janeiro; no Kansai, 1º de abril. Com a mesma data de entrega, o valor devido muda. Desentendimentos acontecem de verdade quando alguém compra um imóvel em Osaka com a cabeça de Tóquio — leia o contrato. A taxa de condomínio e o fundo de reserva para obras também são rateados por dia e, no imóvel novo, soma-se ainda o fundo inicial de reserva, de ¥200.000 a ¥800.000 (R$ 7.400 a R$ 29.600).
As cobranças que chegam depois da mudança: imposto de aquisição e o primeiro IPTU japonês
A entrega das chaves não encerra os pagamentos. O valor mais difícil de prever é o do imposto de aquisição de imóvel, cuja notificação chega quando você já se esqueceu dele — às vezes seis meses depois. Essa é uma armadilha clássica para o comprador estrangeiro: no Brasil o ITBI é pago antes do registro e some da vida do comprador; no Japão o tributo equivalente vem depois, por carnê, de uma repartição provincial com a qual você nunca falou.
A alíquota padrão pela tabela cheia é de 4%, mas para imóveis residenciais e terrenos ela está reduzida a 3% (até 31 de março de 2027). A base de cálculo é o valor do cadastro de ativos fixos, e as reduções são as seguintes (Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações, 総務省, e MLIT):
- Imóvel residencial novo: dedução de ¥12.000.000 (R$ 444 mil) da base de cálculo. Imóvel usado: dedução de até ¥12.000.000, conforme a data de construção.
- Terreno residencial, terreno comercial e afins: a base de cálculo é comprimida à metade do valor de avaliação.
- Terreno com uso residencial: abate-se do imposto devido o maior entre ¥1.500.000 (R$ 55.500) e o valor do terreno correspondente ao dobro da área construída (limitado a 200 m²), multiplicado pela alíquota.
Empilhando essas reduções, não é raro que o imposto devido em um apartamento de tamanho comum chegue a zero. Só que, dependendo da província, a redução só é aplicada mediante declaração do contribuinte. O caminho seguro é procurar a repartição fazendária provincial logo após a aquisição. Se você não domina o japonês administrativo, leve alguém que domine: o formulário não tem versão em português na maioria das províncias. O procedimento está reunido em as reduções do imposto de aquisição de imóvel e o passo a passo do pedido de restituição.
Além disso, a partir do ano seguinte ao da entrega, o imposto sobre ativos fixos e o imposto de planejamento urbano passam a ser lançados em seu nome (alíquota padrão de 1,4% e teto de 0,3%, respectivamente). Outro detalhe prático: no Japão a mudança custa bem mais caro entre março e abril, o pico da temporada de transferências escolares e corporativas. E as cortinas da casa antiga quase nunca servem nas janelas novas — meça as janelas já na visita ao imóvel e você não será surpreendido pela conta da cortina sob medida, que aqui é alta.
Depois de comprar um apartamento no Japão, quanto se paga por mês e por ano?
A despesa mensal não é só a prestação. O peso real no orçamento familiar é "prestação + taxa de condomínio + fundo de reserva para obras + vaga de garagem", e na Grande Tóquio um apartamento novo dá pouco menos de ¥200.000 (R$ 7.400) por mês.
Aqui há uma diferença estrutural em relação ao Brasil que muda a decisão de compra: no condomínio japonês, o shūzen tsumitatekin (修繕積立金, fundo de reserva para obras) é uma rubrica separada e obrigatória, planejada com décadas de antecedência para financiar as grandes reformas periódicas da fachada e das instalações. Ele não é um "fundo de obras" negociado em assembleia caso a caso — é um plano de longo prazo que o comprador herda. E o valor dele tende a subir com o passar dos anos.
Os valores reais do desembolso mensal
Na já citada Pesquisa com Usuários do Flat 35 (ano fiscal de 2024), a prestação mensal prevista foi de ¥159.500 (R$ 5.900) na média nacional e ¥172.500 (R$ 6.380) na Grande Tóquio para apartamentos novos (comprometimento de renda de 22,2% e 23,1%); e de ¥93.400 (R$ 3.460) na média nacional e ¥101.200 (R$ 3.740) na Grande Tóquio para usados (19,7% e 20,3%).
A isso somam-se a taxa de condomínio e o fundo de reserva. Segundo o Levantamento Geral sobre Condomínios do ano fiscal de 2023 (em japonês), do MLIT, a média mensal por unidade, já descontada a parcela custeada por receitas como o aluguel de vagas, é de ¥11.503 (R$ 425) de taxa de condomínio e ¥13.054 (R$ 483) de fundo de reserva. Para um imóvel novo na Grande Tóquio, portanto: ¥172.500 + ¥25.000 = pouco menos de ¥200.000 por mês. Para um usado: ¥101.000 + ¥25.000 = cerca de ¥126.000 (R$ 4.660) por mês. O detalhamento está em o valor de mercado da taxa de condomínio e sua diferença para o fundo de reserva para obras.
Como conferir, antes de comprar, se o fundo de reserva não está barato demais
Esta é a verificação de maior impacto que dá para fazer antes da compra. Um condomínio cujo fundo de reserva está abaixo do mercado não é uma pechincha: em muitos casos é apenas uma conta adiada para o futuro. As Diretrizes sobre o fundo de reserva para obras em condomínios (revisão de junho de 2024) (em japonês), do MLIT, trazem parâmetros mensais por metro quadrado de área privativa.
| Número de pavimentos / área construída total | Faixa que engloba dois terços dos casos | Média |
|---|---|---|
| Menos de 20 pavimentos, menos de 5.000 m² | ¥235 a ¥430/m² ao mês | ¥335/m² ao mês (R$ 12,40) |
| Menos de 20 pavimentos, de 5.000 a menos de 10.000 m² | ¥170 a ¥320/m² ao mês | ¥252/m² ao mês (R$ 9,30) |
| Menos de 20 pavimentos, de 10.000 a menos de 20.000 m² | ¥200 a ¥330/m² ao mês | ¥271/m² ao mês (R$ 10,00) |
| Menos de 20 pavimentos, 20.000 m² ou mais | ¥190 a ¥325/m² ao mês | ¥255/m² ao mês (R$ 9,40) |
| 20 pavimentos ou mais | ¥240 a ¥410/m² ao mês | ¥338/m² ao mês (R$ 12,50) |
A conferência tem três passos. Primeiro, divida o fundo de reserva da unidade pela área privativa para obter o valor por metro quadrado e compare com a linha correspondente ao número de pavimentos e à área construída do prédio. Se estiver abaixo da faixa, peça o plano de manutenção de longo prazo e o relatório de investigação de assuntos relevantes, e verifique se há aumento programado ou cobrança de aporte extraordinário. Havendo estacionamento mecanizado, acrescente o custo de manutenção por vaga multiplicado pelo número de vagas e dividido pela área privativa total do condomínio.
Um exemplo: numa unidade de 70 m² que paga ¥6.000 (R$ 222) por mês, o valor por metro quadrado é de cerca de ¥86 (R$ 3,20). Num prédio de menos de 20 pavimentos e menos de 5.000 m² de área construída, isso não chega nem à metade do piso da faixa, que é ¥235. Nesse patamar, ou já existe um aumento para mais que o dobro programado, ou o dinheiro da grande reforma vai faltar. Fundo barato não é vantagem: é uma fatura adiada. Esse raciocínio também está organizado em o valor de mercado do fundo de reserva para obras e o risco de aumento.
No horizonte anual, surgem o imposto sobre ativos fixos e o imposto de planejamento urbano, a renovação do seguro contra incêndio, eventuais aportes extraordinários para a grande reforma e reajustes da vaga de garagem. Se você quiser um olhar independente sobre o estado de gestão do condomínio, a INA&Associates oferece consultoria gratuita.
O que mudou nas reduções tributárias com a reforma do ano fiscal de 2026
Quem se muda ou adquire imóvel em 2026 deve montar o plano financeiro já sob as regras da reforma tributária japonesa do ano fiscal de 2026. Das mudanças resumidas pelo MLIT, seguem as que afetam o custo inicial e o custo de manutenção.
O abatimento pelo financiamento habitacional foi prorrogado por 5 anos, com ampliação para usados
A taxa de abatimento permanece em 0,7% e o regime foi prorrogado por cinco anos. Esse mecanismo — o jūtaku rōn genzei (住宅ローン減税) — deduz do imposto de renda 0,7% do saldo devedor do financiamento a cada ano, por 10 ou 13 anos, o que não tem equivalente no sistema tributário brasileiro e representa, na prática, uma devolução relevante de caixa. Os valores entre parênteses são os limites para famílias com filhos e afins (domicílios com filho menor de 19 anos, ou em que um dos cônjuges tenha menos de 40 anos).
| Categoria do imóvel | Novo / revenda reformada por empresa | Imóvel existente (usado) |
|---|---|---|
| Certificação de durabilidade de longo prazo ou de baixo carbono | ¥45.000.000 — R$ 1,67 milhão (¥50.000.000 — R$ 1,85 milhão) × 13 anos | ¥35.000.000 — R$ 1,3 milhão (¥45.000.000 — R$ 1,67 milhão) × 13 anos |
| Imóvel eficiente no padrão ZEH | ¥35.000.000 (¥45.000.000) × 13 anos | ¥35.000.000 (¥45.000.000) × 13 anos |
| Imóvel que atende ao padrão de eficiência energética | ¥20.000.000 — R$ 740 mil (¥30.000.000 — R$ 1,11 milhão) × 13 anos (mudança em 2026 e 2027) | ¥20.000.000 (¥30.000.000) × 13 anos |
| Demais imóveis | Fora do benefício | ¥20.000.000 × 10 anos |
O teto de renda é de ¥20.000.000 (R$ 740 mil) e a área exigida é de 40 m² ou mais (50 m² ou mais para quem tem renda acima de ¥10.000.000 e para quem usa os limites ampliados). Imóveis novos que apenas atendem ao padrão de eficiência energética passam a ficar, em regra, fora do benefício a partir das mudanças ocorridas em 2028 (mantendo-se ¥20.000.000 × 10 anos para os que obtiveram a licença de construção até o fim de 2027). Das mudanças a partir de 2028, imóveis novos situados em zonas vermelhas de risco de desastre também ficam de fora. Para quem está avaliando um usado, o ponto mais importante é justamente a ampliação do limite do imóvel existente para ¥35.000.000 — ¥45.000.000 no caso de famílias com filhos e afins — por 13 anos. No primeiro ano é obrigatório fazer a declaração de imposto de renda: confira o procedimento de declaração no primeiro ano do abatimento pelo financiamento habitacional.
A redução de 50% do imposto sobre ativos fixos em imóveis novos vale até 31 de março de 2031
A medida que reduz à metade o imposto sobre ativos fixos de imóveis residenciais novos (por 5 anos em edificações resistentes ao fogo de média e alta altura, como os apartamentos, e por 3 anos em casas) foi prorrogada por cinco anos, até 31 de março de 2031. O piso de área construída também foi flexibilizado, de 50 m² para, em regra, 40 m², e ao mesmo tempo passaram a ficar fora do benefício os imóveis situados em determinadas áreas de risco. Pela estimativa do MLIT, num imóvel de ¥25.000.000 (R$ 925 mil) o efeito é de cerca de ¥270.000 (R$ 10.000) em 3 anos — ¥182.000 (R$ 6.730) por ano sem o benefício contra ¥91.000 (R$ 3.370) por ano com ele. Circula por aí a explicação de que "imóvel novo paga metade por 5 anos", mas atenção: casa é 3 anos, apartamento é 5 anos.
Os prazos do imposto de registro, do imposto de aquisição e da isenção sobre doação
- Registro de transferência de propriedade do terreno a 1,5%: até 31 de março de 2029 (prorrogado por 3 anos).
- Redução do imposto de registro para imóveis residenciais, alíquota de 3% e dedução de ¥12.000.000 (R$ 444 mil) do imposto de aquisição: até 31 de março de 2027.
A ajuda financeira dos pais tem tratamento próprio: o regime de isenção sobre a doação de recursos para aquisição de moradia alcança as doações feitas até 31 de dezembro de 2026. Segundo a resposta nº 4508 do Tax Answer da Agência Nacional de Tributos, o limite é de ¥10.000.000 (R$ 370 mil) para imóveis com certificação de eficiência energética e afins, e de ¥5.000.000 (R$ 185 mil) nos demais casos. Exige-se que o donatário tenha ao menos 18 anos completos em 1º de janeiro do ano da doação e renda total de até ¥20.000.000 (R$ 740 mil). Há dois cuidados. O primeiro é que a declaração é obrigatória mesmo quando o imposto sobre doação resulta em ¥0. O segundo é que o benefício se limita à contraprestação da aquisição do imóvel: não vale para móveis, eletrodomésticos nem para quitar prestações. Vale registrar que esse é um regime aberto também a residentes estrangeiros que cumpram os requisitos, e que muita família brasileira no Japão recebe ajuda de parentes sem formalizá-la — o que costuma sair caro.
Cinco medidas práticas para reduzir os custos iniciais
Os custos iniciais se dividem entre o que dá para cortar e o que não dá. Estas cinco medidas têm critério claro de decisão — e, diferentemente do que ocorre no Brasil, quase nenhuma delas envolve negociar com o vendedor: elas dependem de escolhas técnicas feitas antes da assinatura.
- Fazer o contrato de compra e venda em formato eletrônico: num imóvel de ¥30.000.000, isso significa ¥10.000 do contrato de compra e venda mais ¥20.000 do contrato de mútuo — ¥30.000 (R$ 1.110) de diferença. Confirme se a imobiliária e o banco aceitam já na fase da análise prévia de crédito.
- Comparar em valores reais o modelo de tarifa administrativa e o de comissão de garantia: o modelo percentual de 2,2% fica cada vez pior quanto maior o financiamento — num empréstimo de ¥56.000.000, são ¥1.230.000 (R$ 45.500). Já a comissão de garantia paga de uma vez pode gerar devolução da parte não decorrida em caso de amortização antecipada. Peça a simulação do total pago com a premissa "prazo de X anos, com amortização antecipada".
- Tratar a corretagem como teto e não como preço fixo: o aviso oficial diz "até". Ainda assim, negocie considerando o volume de serviço prestado. E desconfie do "corretagem zero": quando ela existe, é porque a empresa está recebendo do lado do vendedor — avalie de quem aquele profissional recebe antes de decidir.
- Enxugar a cobertura do seguro contra incêndio e avaliar contrato de prazo longo: em andares onde o risco de inundação é baixo, o prêmio cai. Mas cortar demais significa ter um seguro que não paga na hora do sinistro. Decida olhando o mapa de risco (ハザードマップ, hazard map, publicado por cada prefeitura municipal) e o andar da unidade.
- Lembrar que redução tributária não vem sozinha: é preciso requerer: o imposto de registro exige a certidão de imóvel de uso residencial; o imposto de aquisição exige declaração à província; o abatimento pelo financiamento exige declaração de imposto de renda no primeiro ano. Antes da liquidação, deixe claro "qual redução, quem requer e quando".
Opções realistas para quem não consegue pagar os custos iniciais
Existe o financiamento das despesas acessórias, mas ele tem efeitos colaterais — e por isso a recomendação, antes de "tomar emprestado", é "rever o plano".
Os juros do financiamento de despesas acessórias são mais altos que os do financiamento habitacional. E o problema não é apenas o total pago aumentar. Como você acaba tomando emprestado mais do que o preço do imóvel, logo após a compra é comum ficar numa situação em que o saldo devedor supera o preço de venda. Se surgir uma transferência de trabalho ou a perda do emprego e for preciso vender, a venda não quita a dívida — e a portabilidade do financiamento também passa a ser difícil de aprovar.
Sendo honesto com você: em vez de comprar às pressas financiando até as despesas, eu acredito que passar de seis meses a um ano reforçando a reserva em dinheiro deixa mais patrimônio no seu bolso no fim das contas. Não criar, no instante da compra, um imóvel que você não consegue vender é a melhor defesa do seu patrimônio que existe. Para famílias brasileiras cujo horizonte de permanência no Japão ainda não está fechado, essa margem de liquidez vale ainda mais: o imóvel que você não consegue vender sem colocar dinheiro do bolso é o que amarra a sua decisão futura.
A ajuda financeira de familiares tem a isenção sobre doação já citada, válida até 31 de dezembro de 2026. Se a operação for um empréstimo, formalize um contrato de mútuo e guarde o registro dos pagamentos. Movimentações de dinheiro sem contrato e sem histórico de amortização podem ser tratadas, no plano tributário, como doação — e aí o imposto vem com multa. Esse ponto costuma pegar quem recebe transferências de parentes no Brasil sem qualquer documento de suporte.
Negociar um sinal menor alivia o dia da assinatura, mas coloca o vendedor numa posição em que ele também desiste barato. Mais eficaz do que isso é rever o orçamento. Entre os usuários do Flat 35, o comprometimento de renda com as prestações é de 22,2% em apartamentos novos (23,1% na Grande Tóquio) e de 19,7% em usados (20,3% na Grande Tóquio). Um plano que ultrapasse muito esses patamares é sinal de que o problema não está nos custos iniciais, e sim no próprio plano de pagamento.
O que deve ser evitado é levantar o dinheiro do sinal com crédito pessoal ou cartão. A análise do financiamento habitacional consulta o cadastro de crédito da pessoa física, e uma dívida contraída pouco antes pesa contra você duas vezes: no índice de comprometimento de renda e na avaliação de perfil.
Os custos iniciais do apartamento comprado para investimento são outra conta
Tudo o que foi dito até aqui parte do pressuposto de que você vai morar no imóvel. Comprar para alugar segue regras diferentes e não pode ser calculado com os mesmos números. São três diferenças.
- O financiamento é outro: o financiamento habitacional não pode ser usado, e sim o financiamento para investimento imobiliário, com juros em patamar mais alto.
- As reduções não se aplicam: o abatimento pelo financiamento habitacional, a redução do imposto de registro para imóveis residenciais e a dedução do imposto de aquisição exigem uso próprio como moradia e, em regra, não valem.
- O percentual de despesas é maior: como o imposto de registro passa a ser cobrado pela tabela cheia, as despesas tendem a ficar em algo como 7% a 10% do preço do imóvel.
Vale reforçar: usar um financiamento habitacional em imóvel que você não ocupa é considerado desvio de finalidade pelos bancos japoneses e pode levar à exigência de quitação imediata. Para os detalhes, veja os custos iniciais e os custos recorrentes da operação de apartamentos para locação; e para imóveis usados adquiridos como investimento, o panorama das despesas na compra de apartamento usado.
Dez itens para conferir antes de assinar
Reunimos o conteúdo acima em uma lista de perguntas para levar à imobiliária e ao banco. Se o seu japonês ainda não é confortável em vocabulário técnico, imprima a lista e peça a resposta por escrito — no Japão, respostas por escrito são a norma, não uma afronta.
- Você recebeu o orçamento das despesas acessórias discriminado por item (e não como "pacote fechado")?
- Qual é o valor do sinal? Se o vendedor for uma empresa licenciada, haverá medidas de garantia?
- O imposto de selo está pelo valor reduzido? É possível optar pelo contrato eletrônico?
- Qual é a memória de cálculo da corretagem e quando ela é paga? Se o imóvel custa até ¥8.000.000, aplica-se a exceção dos imóveis vazios de baixo valor?
- No orçamento dos custos de registro, o imposto de registro e os honorários do escrivão judicial aparecem separados?
- A tarifa administrativa é de valor fixo ou percentual? A comissão de garantia é externa ou interna? Você comparou pelo total pago?
- Qual é a cobertura do seguro contra incêndio (a cobertura de inundação é necessária?) e por quantos anos é o contrato?
- A data-base do rateio do imposto sobre ativos fixos é 1º de janeiro ou 1º de abril?
- O fundo de reserva por metro quadrado está dentro da faixa das diretrizes? Você viu o plano de manutenção de longo prazo e o relatório de investigação de assuntos relevantes?
- Se o imóvel é novo, de quanto é o fundo inicial de reserva? Se é usado, quando foi a última grande reforma e quando será a próxima?
Os itens 9 e 10 são os que determinam o seu gasto futuro. Se ficar em dúvida, fale com a INA&Associates sem compromisso.
Perguntas frequentes
1. Quanto custam as despesas acessórias de um apartamento usado de ¥10.000.000?
Cerca de ¥850.000 a ¥1.000.000 (R$ 31 mil a R$ 37 mil), o que representa 8,5% a 10% do preço do imóvel — percentual mais alto que o das faixas caras. A composição é: corretagem de ¥396.000, custos de registro de aproximadamente ¥160.000, despesas do financiamento de aproximadamente ¥190.000, imposto de selo de ¥5.000, mais seguro contra incêndio e rateios.
2. E num apartamento usado de ¥70.000.000?
Cerca de ¥4.300.000 a ¥4.600.000 (R$ 159 mil a R$ 170 mil), algo entre 6,1% e 6,6% do preço. Os principais itens são corretagem de ¥2.376.000, despesas do financiamento de aproximadamente ¥1.290.000 (tarifa administrativa no modelo percentual de 2,2% mais imposto de selo), custos de registro de aproximadamente ¥490.000 e imposto de selo de ¥30.000. A parcela do financiamento que exceder o limite do abatimento fica fora do benefício.
3. Depois de comprar, quanto se paga por mês?
Num apartamento novo na Grande Tóquio, o retrato médio é de pouco menos de ¥200.000 (R$ 7.400) por mês. É a soma da prestação prevista de ¥172.500 na Pesquisa com Usuários do Flat 35 (ano fiscal de 2024) com ¥11.503 de taxa de condomínio e ¥13.054 de fundo de reserva para obras. Num usado, fica em torno de ¥126.000 (R$ 4.660) por mês.
4. Dá para comprar apartamento no Japão sem entrada?
Como regra do sistema, sim — mas não é o padrão. Na Pesquisa com Usuários do Flat 35, os recursos próprios de quem comprou apartamento novo foram de 23,9% do preço (27,9% na Grande Tóquio) e, no usado, de 17,3%. Sem entrada, a prestação fica pesada e, na hora de vender, o saldo devedor supera o preço do imóvel.
5. Os custos iniciais podem ser embutidos no financiamento?
Há bancos que oferecem o financiamento das despesas acessórias. Mas os juros são mais altos que os do financiamento habitacional e o total pago aumenta. Como você toma emprestado mais que o preço do imóvel, logo após a compra é comum o saldo devedor ficar acima do preço de venda, e a portabilidade também passa a ser difícil de aprovar.
6. Por que as despesas do apartamento usado são maiores que as do novo?
Porque a corretagem se soma à conta. No usado há uma imobiliária no meio, o que custa cerca de 3,3% do preço (com imposto sobre consumo incluído); no novo, a compra costuma ser feita diretamente do incorporador e essa despesa não existe. Em compensação, o imóvel novo tem o fundo inicial de reserva para obras, de ¥200.000 a ¥800.000 (R$ 7.400 a R$ 29.600).
Os custos iniciais de comprar um apartamento no Japão não se decidem por um percentual do preço. Pegue a simulação por faixa de preço e a lista de conferência deste artigo e escreva, ao lado de cada linha do orçamento que você recebeu, "que despesa é esta, quando ela vence e se precisa ser em dinheiro". Quando você chegar a esse nível de organização, o plano financeiro para de oscilar — e é aí que se compra bem, aqui ou em qualquer lugar.
Fontes e referências
- 国税庁 No.7108 不動産譲渡契約書の印紙税の軽減措置 — Agência Nacional de Tributos, nº 7108, redução do imposto de selo em contratos de transmissão de imóvel (em japonês)
- 国税庁 No.7140 印紙税額の一覧表 — Agência Nacional de Tributos, nº 7140, tabela de valores do imposto de selo (em japonês)
- 国税庁 土地の売買や住宅用家屋の所有権の保存登記等に係る登録免許税の税率の軽減措置に関するお知らせ(令和8年4月) — Agência Nacional de Tributos, comunicado sobre as reduções de alíquota do imposto de registro na compra e venda de terrenos e no registro de imóveis residenciais (abril de 2026) (em japonês)
- 国税庁 No.4508 住宅取得等資金の贈与の非課税 — Agência Nacional de Tributos, nº 4508, isenção sobre doação de recursos para aquisição de moradia (em japonês)
- 国土交通省 令和8年度税制改正概要 — MLIT, panorama da reforma tributária do ano fiscal de 2026 (em japonês)
- 国土交通省 住宅用家屋の登録免許税の特例措置 — MLIT, medidas especiais do imposto de registro para imóveis residenciais (em japonês)
- 国土交通省 住宅ローン減税 — MLIT, abatimento pelo financiamento habitacional (em japonês)
- 国土交通省 不動産取得税に係る特例措置 — MLIT, medidas especiais relativas ao imposto de aquisição de imóvel (em japonês)
- 国土交通省 宅地建物取引業者が受けることができる報酬の額(告示) — MLIT, aviso sobre o valor da remuneração que os corretores imobiliários podem receber (em japonês)
- 国土交通省 令和5年度マンション総合調査結果 — MLIT, resultados do Levantamento Geral sobre Condomínios do ano fiscal de 2023 (em japonês)
- 国土交通省 マンションの修繕積立金ガイドライン — MLIT, diretrizes sobre o fundo de reserva para obras em condomínios (em japonês)
- 総務省 地方税制度|不動産取得税 — Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações, sistema tributário local: imposto de aquisição de imóvel (em japonês)
- e-Gov法令検索 宅地建物取引業法 — e-Gov, base oficial de legislação: Lei de Negócios Imobiliários (em japonês)
- 住宅金融支援機構 2024年度フラット35利用者調査 — Japan Housing Finance Agency, Pesquisa com Usuários do Flat 35, ano fiscal de 2024 (em japonês)
- REINS do Leste do Japão, Market Watch mensal de junho de 2026 (em japonês)
- 日本司法書士会連合会 報酬に関するアンケート — Federação Japonesa das Associações de Escrivães Judiciais, pesquisa sobre remuneração (em japonês)
- 損害保険料率算出機構 火災保険参考純率改定 — Organização de Cálculo de Taxas de Seguro Geral do Japão, revisão da taxa pura de referência do seguro contra incêndio (em japonês)
