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O que significa «genkyo» no mercado imobiliário japonês?

«Genkyo» aparece em três contextos distintos na prática imobiliária japonesa: a venda no estado em que se encontra, a prevalência do estado real sobre a planta no arrendamento, e a categoria fundiária usada no imposto predial. Este artigo separa os três e remonta cada um à norma: Código Civil, Lei de Corretagem Imobiliária e o critério nacional de avaliação.

Última atualização: Leitura de cerca de 6 min

«Genkyo» (現況) parece a palavra japonesa comum para «a situação atual», mas num contrato imobiliário pesa muito mais. Uma única linha pode significar que o vendedor não lhe deve nenhuma reparação, que a planta que lhe mostraram não vincula ninguém, ou que o seu imposto predial é calculado sobre uma base diferente da que o registro sugere. Este artigo separa os três usos do termo e remonta cada um à norma aplicável, para que saiba exatamente onde a responsabilidade é afastada e onde ela permanece.

Pontos-chave

  • «Genkyo» abrange três conceitos sem relação entre si: (1) a entrega no estado em que se encontra numa venda, (2) a prevalência do estado real no arrendamento, e (3) a categoria fundiária real usada no imposto
  • Uma cláusula de venda «no estado» não elimina o dever de informação do vendedor nem a sua responsabilidade por desconformidade. Ocultar um defeito conhecido continua a expô-lo a reparação, redução do preço, indenização e resolução (Código Civil, arts. 562 a 564)
  • O comprador deve notificar no prazo de um ano a contar da descoberta da desconformidade (art. 566). Se o vendedor for corretor licenciado, impõe-se um prazo mínimo de responsabilidade de dois anos (Lei de Corretagem, art. 40)
  • No arrendamento, a prevalência do estado real resolve qual descrição rege. Não libera o senhorio do dever legal de reparação (art. 606)
  • O imposto predial segue a categoria real do terreno em 1 de janeiro, não a registral. Demolir uma casa pode multiplicar o imposto por cerca de seis no mesmo lote

Por que isto importa se está habituado a contratos fora do Japão. Os contratos anglo-saxões usam a cláusula «as-is» e, em alguns sistemas, o princípio caveat emptor. A prática japonesa afasta-se num ponto decisivo: a cláusula limita a obrigação do vendedor de colocar em condições antes da entrega, mas não neutraliza o dever de informação nem o regime legal de desconformidade. Um vendedor que conhecia o defeito e se calou continua responsável, seja qual for a redação da cláusula.

Os três usos de «genkyo»

A palavra aponta para um mecanismo jurídico diferente conforme o contexto. Distingui-los é o ponto de partida para evitar litígios.

TermoOnde apareceO que significaO que realmente afeta
Genkyo-watashi / genkyo-yushi (entrega no estado)Contratos de compra e vendaO imóvel é entregue no estado atual, sem reparações nem melhoriasA obrigação de reparar do vendedor. O dever de informação e a responsabilidade por desconformidade permanecem
Genkyo-yusen (prevalece o estado real)Anúncios de arrendamento e nota informativaSe a planta e o imóvel divergem, rege o imóvelA descrição de distribuição e equipamentos. O dever de reparação do senhorio permanece
Genkyo-chimoku (categoria fundiária real)Imposto predial e avaliação sucessóriaA categoria derivada do uso efetivo, não do registroA base de cálculo e o valor do imposto. Muda mesmo que o registro não mude

A entrega no estado numa venda

Em terrenos, «genkyo» significa vender sem qualquer obra de terraplenagem ou infraestrutura; esses lotes são comercializados como «genkyo yushi». Em edificações significa vender sem reparações nem reforma. Quando o contrato registra «genkyo yushi», o vendedor sinaliza que o imóvel muda de mãos no estado em que estiver na entrega, mesmo que esse estado se deteriore entre a assinatura e a escritura.

A prevalência do estado real no arrendamento

Quando a planta comercial e o imóvel não coincidem, prevalece o imóvel. Prédios antigos reutilizam plantas nunca atualizadas, porque redesenhá-las custa dinheiro, e os anúncios trazem a ressalva «genkyo yusen». Na prática essa nota declara que a planta é apenas indicativa — e transfere ao inquilino o risco de não ter visitado.

A categoria fundiária real na tributação

Todo lote tem uma categoria registral e uma categoria real derivada do uso. Divergem mais do que se imagina: terreno registrado como agrícola mas usado como estacionamento, terreno registrado como urbano servindo de depósito de materiais. O imposto predial segue a categoria real, de modo que o descompasso vai direto para o carnê. Detalhado abaixo.

Até onde a cláusula «no estado» protege o vendedor?

Ela afasta a obrigação de reparar antes da entrega, e nada mais. O dever de informação fica intacto. Todo defeito, sinistro ou histórico de obras que o vendedor conheça deve ser comunicado ao comprador ou inquilino.

Os quatro remédios do comprador (Código Civil, arts. 562 a 564)

O Código Civil reformado, em vigor desde abril de 2020, substituiu a antiga garantia por vícios pela responsabilidade por desconformidade com o contrato. Quando o entregue não se ajusta ao contrato em tipo, qualidade ou quantidade, o comprador dispõe de quatro remédios.

RemédioArtigoConteúdoCondição
Cumprimento complementarArt. 562Exigir reparo, bem substituto ou entrega do que faltaA desconformidade não pode ser imputável ao comprador
Redução do preçoArt. 563Exigir redução proporcional à desconformidadeEm regra, após notificar para cumprir em prazo razoável
IndenizaçãoArt. 564 (via 415)Reclamar os danos causados pela desconformidadePrincípios gerais do inadimplemento
ResoluçãoArt. 564 (via 541, 542)Pôr fim ao contratoNotificação prévia em regra; resolução imediata se a finalidade se frustra

Fonte: Código Civil (busca jurídica e-Gov)

Mesmo sob cláusula «no estado», o vendedor que entrega ocultando defeito conhecido responde por desconformidade. A leitura corrente de que «no estado significa nenhuma responsabilidade» está errada. A cláusula cobre o que nenhuma das partes podia conhecer; não cobre o que o vendedor sabia e calou.

Notificação em um ano a contar da descoberta (art. 566)

O prazo é o que passa despercebido. Havendo desconformidade de tipo ou qualidade, o comprador deve notificar o vendedor no prazo de um ano a contar de quando dela tomou conhecimento, sob pena de perder os quatro remédios (art. 566). O limite não se aplica se o vendedor conhecia a desconformidade na entrega ou a ignorava por culpa grave.

Na prática não é preciso concluir a reclamação dentro do ano: basta notificar que existe uma desconformidade. A perícia e a negociação podem vir depois. Notifique primeiro, por escrito ou e-mail, para que fique registro.

Corretor licenciado como vendedor deve conceder ao menos dois anos (Lei de Corretagem, art. 40)

Quando o vendedor é corretor imobiliário licenciado e o comprador não é, toda estipulação menos favorável ao comprador do que o Código Civil é nula. O artigo 40 da Lei de Corretagem Imobiliária proíbe tais cláusulas, salvo se o prazo de responsabilidade for fixado em dois anos ou mais a contar da entrega.

VendedorCompradorPrazo de responsabilidadeCláusula de exoneração total
Corretor licenciadoPessoa física ou jurídica comumDois anos ou mais a contar da entrega, obrigatório (art. 40)Nula
Pessoa físicaPessoa físicaLivremente pactuado (três meses é comum)Válida, salvo defeitos conhecidos pelo vendedor (art. 572)
Corretor licenciadoCorretor licenciadoLivremente pactuadoVálida

Assim, uma cláusula que limite a responsabilidade a um ano após a entrega é nula se o vendedor for profissional, voltando a valer o Código Civil. Por isso comprar no estado de uma empresa ou de um particular tem peso concreto bem diferente.

Até onde vai «prevalece o estado real» no arrendamento?

O imóvel visitado torna-se o contrato

Quando um anúncio traz «genkyo yusen», a distribuição, os equipamentos e as medidas da planta são apenas indicativos, e o imóvel tal como visitado forma o contrato. Se a planta indica um quarto ocidental e o imóvel tem tatami, ou coloca um armário onde na verdade está o aquecedor, a ressalva torna difícil exigir correção com base na planta. O risco de se candidatar sem visitar passa ao inquilino.

O dever de reparação do senhorio permanece (art. 606)

É o ponto mais mal compreendido. O artigo 606 dispõe que «o locador suporta a obrigação de realizar as reparações necessárias ao uso e fruição do bem locado». A prevalência do estado real é regra para resolver descrições contraditórias; não libera o senhorio de reparar equipamentos que falham após a entrada, nem defeitos que atrapalham a vida diária.

A reforma de 2020 acrescentou uma exceção: quando a necessidade de reparo decorre de causa imputável ao inquilino, o dever do senhorio não se aplica. Danos ligados ao uso cabem ao inquilino; desgaste por tempo e fim de vida útil dos equipamentos cabem ao senhorio.

Cinco itens a registrar na visita

  • Acionar torneiras, aquecedor, exaustor e ar-condicionado — ligá-los de fato
  • Verificar tetos e paredes: manchas de infiltração, marcas de condensação e mofo
  • Testar rangidos do piso, abertura de portas e alinhamento das esquadrias
  • Medir os armários por conta própria, sem confiar nas medidas da planta
  • Fotografar tudo, em formato com data

Categoria real versus categoria registral — o imposto muda

Os terrenos são avaliados para o imposto predial conforme o critério nacional fixado pelo Ministro dos Assuntos Internos e Comunicações, categoria por categoria. A categoria usada não é a do registro, mas a categoria real em 1 de janeiro, data de referência. Mude o uso do terreno e o tratamento tributário muda, altere ou não o registro.

As nove categorias de avaliação

CategoriaDescrição
Terreno urbanoBase das construções e terreno necessário à sua manutenção
ArrozalTerra cultivada com irrigação
Lavoura de sequeiroTerra cultivada sem irrigação
Terreno de fonte mineralNascentes, inclusive termais, e terreno necessário à sua manutenção
Lagoa e pântanoArmazenamento de água que não seja para irrigação
FlorestaTerreno onde crescem bambus e árvores fora do cultivo
PastagemTerreno destinado ao pastoreio
Terreno brutoTerreno onde crescem ervas e arbustos fora do cultivo
Terreno diversoO que não se enquadra acima — estacionamentos, depósitos de materiais, vias privadas

Fonte: Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações, «Panorama do imposto predial»

Exemplo numérico: demolir a casa multiplica o imposto por cerca de seis

O benefício para terreno residencial é onde a categoria real mais pesa. O terreno com moradia tem a base de cálculo comprimida: a parcela até 200 metros quadrados (terreno residencial de pequena escala) a um sexto do valor avaliado, e a parcela acima de 200 metros quadrados a um terço. Demolida a casa para virar lote vago ou estacionamento, o benefício desaparece.

Com 200 metros quadrados, valor avaliado de 20 milhões de ienes e alíquota padrão de 1,4 %:

Estado real do terrenoBenefícioBase de cálculoImposto anual (aprox.)
Com moradia em pé (terreno residencial de pequena escala)Um sextoaprox. ¥3,33 miaprox. ¥46.700
Lote vago ou estacionamento (terreno diverso)Nenhum¥20 miaprox. ¥280.000

Cerca de ¥233.000 de diferença por ano, aproximadamente seis vezes. É essa estrutura que faz a questão da demolição voltar sempre nos imóveis vazios. Na prática incide um mecanismo de ajuste de carga, e nas áreas de urbanização soma-se o imposto de planejamento urbano (alíquota padrão 0,3 %). A tabela é uma aproximação para mostrar a magnitude do efeito; confirme o valor exato no carnê e na prefeitura.

O que acontece se deixar a categoria registral como está

Como a avaliação segue o uso real, um registro defasado não livra o terreno do imposto. O descompasso cria atrito em outro lugar: a análise de financiamento no momento da venda, a necessidade ou não de autorização pela Lei de Terras Agrícolas, e a avaliação sucessória. O caso mais nítido é o terreno ainda registrado como agrícola: os trâmites dessa lei podem ser acionados mesmo sem cultivo há anos, e isso atinge diretamente o cronograma da transação.

Lista de verificação para evitar litígios de «genkyo»

  • Visite sempre e fotografe o estado do imóvel, em formato com data
  • Se o contrato registra «genkyo yushi» ou «genkyo yusen», confirme por escrito o alcance real da cláusula
  • Pergunte por escrito ao vendedor ou senhorio sobre defeitos conhecidos, histórico de obras e sinistros — o verbal não deixa rastro
  • Verifique se o vendedor é corretor licenciado. O piso do prazo de responsabilidade depende disso
  • Se encontrar defeito após a entrega, notifique dentro de um ano sem esperar a perícia terminar
  • Em terrenos, confira se categoria registral e real coincidem. Se não, verifique imposto, financiamento e Lei de Terras Agrícolas
  • Mantenha a opção de não assinar quando a distância entre o descrito e o real for inaceitável
  • Para investimento, recorra a uma segunda opinião especializada

Perguntas frequentes

P. O que significa um contrato com a menção «genkyo yushi»?

O vendedor ou senhorio entrega o imóvel no estado atual, sem reparações nem melhorias. O dever de informação continua valendo, então defeitos conhecidos devem ser comunicados.

P. Ainda é possível reclamar desconformidade numa venda no estado?

Sim, quando o vendedor conhecia o defeito e não o comunicou. A cláusula cobre defeitos que ninguém conhecia; não cobre os que o vendedor conhecia e ocultou (art. 572).

P. O anúncio dizia «prevalece o estado real» e a distribuição difere da planta. O que faço?

O imóvel tal como está forma o contrato. Visite, confirme a realidade física e desista se a diferença for inaceitável. O dever do senhorio de reparar equipamentos que falhem após a entrada (art. 606) permanece de qualquer forma.

P. Encontrei uma desconformidade. O que devo fazer e em que prazo?

Notifique o vendedor de que existe desconformidade no prazo de um ano a contar de quando soube dela (art. 566). Não é preciso fechar o valor nem concluir o reparo nesse prazo. Notifique por escrito ou e-mail e depois investigue e negocie.

P. Se categoria registral e real divergem, qual é tributada?

A real. A avaliação do imposto segue a categoria real em 1 de janeiro independentemente do registro, então o valor muda quando o uso muda, mesmo sem alteração registral.

P. O que verificar ao visitar um imóvel vendido no estado?

Acionar os equipamentos (água, aquecedor, exaustor), procurar manchas de infiltração e marcas de condensação, avaliar o desgaste de pisos, paredes e tetos, e medir os armários você mesmo. Guarde fotografias como registro.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
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