Desde a fundação da INA&Associates em 2020, temos caminhado como uma "empresa de investimento em pessoas" (jinzai). Neste texto, quero compartilhar com vocês essa filosofia e o caminho que, na minha visão, o setor imobiliário precisa percorrer daqui para frente. Para quem acompanha o mercado imobiliário no Brasil, muitas dessas questões vão soar familiares, ainda que os detalhes institucionais sejam diferentes dos que veremos aqui.
Por que o setor imobiliário está vivendo, agora, um momento de transformação?
Em resumo: costumes antigos, uma estrutura de subcontratação em múltiplas camadas e a assimetria de informação entre as partes são problemas estruturais do setor que estão finalmente sendo dissolvidos pelo avanço da tecnologia e pela mudança nos valores da sociedade.
Quando me lembro da época em que, recém-formado na universidade, entrei em uma incorporadora imobiliária e trabalhei com empreendimentos de apartamentos para venda, revejo repetidas vezes cenas de pessoas se dedicando no dia a dia sem serem devidamente reconhecidas ou recompensadas por isso. Foi esse desejo profundo de mudar os problemas estruturais do setor que me levou a fundar a INA&Associates em Osaka, em fevereiro de 2020. No Brasil, quem trabalha com corretagem ou administração de imóveis costuma descrever sensação parecida: um mercado fragmentado, com muitos intermediários, em que o esforço de quem está na ponta operacional nem sempre é reconhecido.
Sob a visão que carregamos desde a fundação, a de "criar uma plataforma em que quem se esforça seja devidamente reconhecido", temos desenvolvido negócios que fundem o setor imobiliário com tecnologia da informação. A inovação do setor imobiliário se realiza pela combinação entre tecnologia e capacidade humana. Proptechs brasileiras vêm seguindo caminho parecido, tentando reduzir a dependência de processos manuais e cartoriais.
Como a tecnologia está mudando o futuro das transações imobiliárias?
Em resumo: a inteligência artificial e a tecnologia de blockchain estão elevando de forma expressiva a transparência das transações, abrindo caminho para que o setor deixe de ser uma "caixa-preta" acessível apenas a especialistas.
Tradicionalmente, as transações imobiliárias eram compreensíveis apenas para especialistas, por causa da assimetria de informação e de procedimentos complexos. Hoje, porém, o avanço da tecnologia torna possível elevar substancialmente a transparência dessas transações. No Brasil, os cartórios de registro de imóveis e as certidões negativas cumprem parte desse papel de garantir segurança jurídica, mas a opacidade de preços e condições em negociações continua sendo uma queixa comum entre locatários e compradores.
Na INA, também na administração de imóveis, adotamos ativamente as tecnologias mais recentes, buscando prestar serviços eficientes e com alto grau de transparência. Do recrutamento de inquilinos à gestão predial e ao atendimento de ocorrências, trabalhamos em todos os processos para minimizar o esforço exigido do proprietário, alcançando uma alta taxa de ocupação e maior rentabilidade. Reduzimos de forma expressiva o tempo dedicado à gestão de informações sobre os imóveis e à elaboração de propostas, o que aumentou o número de imóveis que conseguimos oferecer, além de elevar a satisfação dos clientes e a taxa de fechamento de contratos. Para um gestor de imóveis no Brasil, acostumado a processos que ainda dependem de planilhas e visitas presenciais, esse nível de automação ainda soa como meta a perseguir.
Por que "jinzai" — o capital humano — é a verdadeira fonte de valor de uma empresa?
Em resumo: por mais que a tecnologia avance, a essência do negócio imobiliário continua sendo conectar pessoas a pessoas, e é justamente por isso que a criatividade e a imaginação humanas se tornam cada vez mais importantes.
A partir da minha própria trajetória, tenho a convicção de que o ativo mais valioso de uma empresa é o seu "jinzai", ou seja, as pessoas entendidas como capital, e não apenas como mão de obra. É a capacidade, a paixão e o crescimento de cada colaborador que geram a competitividade da empresa e permitem oferecer valor genuíno à sociedade. Essa forma de pensar tem paralelo com o discurso, cada vez mais presente também em imobiliárias e construtoras brasileiras, de que reter e desenvolver talentos é mais decisivo para a sustentabilidade do negócio do que apenas captar volume de transações.
Por isso, em vez de tratarmos nossos colaboradores como simples "recursos humanos", nós os descrevemos com o termo "jinzai" no sentido de capital humano — um patrimônio da empresa — e colocamos o desenvolvimento desse capital no centro da nossa gestão. Essa distinção terminológica não tem equivalente direto no vocabulário do mercado imobiliário brasileiro, mas o princípio de investir de forma deliberada em pessoas como ativo estratégico é transponível para qualquer mercado.
Como se constrói a "confiança" em um negócio imobiliário?
Em resumo: oferecer informações com alto grau de transparência, manter uma comunicação honesta e agir com responsabilidade de forma consistente são os pilares que constroem uma relação de confiança sólida com o cliente.
Sem uma relação de confiança com o cliente, não existe negócio verdadeiramente valioso. Nosso desejo não é apenas realizar transações de imóveis, mas ser um bom parceiro que agrega valor à vida das pessoas que atendemos, e essa convicção é a base de todas as nossas atividades. No Brasil, onde a desconfiança em relação a corretores ainda é um obstáculo comum, essa ênfase na transparência tende a ressoar de forma direta com o cliente.
O que significa o caminho rumo a uma "empresa visionária"?
Em resumo: buscamos ser uma empresa que atravessa as mudanças de época sob uma filosofia clara e que continua se desenvolvendo no longo prazo.
Uma "empresa visionária" não é simplesmente uma empresa em crescimento, mas uma organização que continua se desenvolvendo no longo prazo mesmo enquanto atravessa as transformações de sua época. A visão que sustentamos é a de nos tornarmos "a número um do mundo em investimento em pessoas". Queremos apoiar o crescimento de cada colaborador e ser uma empresa que agrega valor à vida de todas as pessoas com quem nos relacionamos. É uma ambição de longuíssimo prazo, do tipo que, no mercado brasileiro, associamos a poucas incorporadoras com décadas de história e reputação consolidada.
Para qual futuro a INA está construindo seus desafios?
Em resumo: ampliamos nossos negócios ao conectar de forma orgânica cinco áreas — intermediação imobiliária, administração de imóveis, tecnologia, recrutamento de talentos e consultoria — tendo a força conjunta desses pilares como nosso diferencial.
Passados cinco anos desde a fundação, além da sede em Osaka, abrimos também um escritório em Tóquio. Lançamos o Town Map, expandimos o serviço de criação de sites para imobiliárias chamado "INA WEB" e, em 2021, entramos de forma consistente no negócio de administração de locação. A partir de 2024, começamos também um negócio de recrutamento de talentos voltado especificamente ao setor imobiliário, combinando o know-how acumulado na operação imobiliária com técnicas de análise de dados para fazer o match entre profissionais e empresas. Um modelo de negócio tão diversificado e integrado, cobrindo desde a intermediação até o recrutamento especializado sob o mesmo grupo, ainda é relativamente incomum no mercado imobiliário brasileiro, onde essas frentes costumam pertencer a empresas distintas e pouco conectadas entre si.
O que o mercado imobiliário vai exigir daqui para frente?
Em resumo: mais do que simplesmente intermediar a compra e venda de imóveis, o que se exige é o valor de ser um "parceiro" que apoia a realização do ideal de vida do cliente.
No nosso negócio de intermediação imobiliária, o que mais valorizamos é justamente a relação de confiança com o cliente. Propomos o imóvel mais adequado considerando tanto o estilo de vida quanto o valor patrimonial, sempre a partir de uma posição neutra e justa, buscando a melhor solução para cada caso. Por que a INA usa o termo "jinzai" permeia essa filosofia em todos os nossos serviços. Um comprador ou locatário brasileiro, acostumado a lidar com corretores que, com frequência, representam de fato apenas o interesse de quem paga a comissão, costuma valorizar de forma especial esse compromisso declarado com a neutralidade.
O futuro que desenhamos juntos
Continuaremos, também daqui para frente, sob a visão de "buscar ser a número um do mundo em investimento em pessoas", dedicando nossos esforços a cultivar as pessoas como o verdadeiro tesouro da empresa e a extrair todo o seu potencial.
Com a missão de usar a força da tecnologia para derrubar fronteiras e criar um mundo em que o talento de cada pessoa seja reconhecido de forma justa, seguiremos em frente com esse desafio. Junto com todas as pessoas que se identificam com essa filosofia, queremos construir uma nova forma para o setor imobiliário — não apenas no Japão, mas como referência para qualquer mercado, incluindo o brasileiro, que enfrenta desafios estruturais parecidos de reconhecimento e confiança.
Perguntas frequentes (FAQ)
Que tipo de empresa é a INA&Associates?
É uma empresa que une o setor imobiliário e a tecnologia da informação, fundada em Osaka em 2020. Atuamos em cinco frentes — intermediação imobiliária, administração de imóveis, tecnologia, recrutamento de talentos e consultoria — com a visão de nos tornarmos "a número um do mundo em investimento em pessoas".
Como a tecnologia é utilizada no setor imobiliário?
De diversas formas, incluindo match de imóveis com apoio de inteligência artificial, sistemas de contrato on-line e marketing digital. Na INA, introduzimos tecnologia em todos os processos, do recrutamento de inquilinos à administração predial, para alcançar mais eficiência e mais transparência. No Brasil, esse tipo de digitalização de ponta a ponta ainda avança de forma mais desigual entre imobiliárias, o que torna esse compromisso um diferencial competitivo relevante.
Qual é a diferença entre "jinzai" como mão de obra e "jinzai" como capital humano?
Enquanto um dos usos do termo se refere à pessoa apenas como força de trabalho, o outro entende cada colaborador como um patrimônio insubstituível — um capital — da empresa. Na INA, gerimos a empresa a partir da convicção de que esse capital humano é a verdadeira fonte de valor do negócio, um princípio que se aplica a qualquer mercado de trabalho, incluindo o brasileiro.
