A integridade ganha ainda mais valor justamente em uma era em que as habilidades se tornam obsoletas. Tecnologias e conhecimentos exigem atualização constante, mas a postura de não disfarçar a realidade, cumprir promessas e não fugir dos erros se transforma em confiança com o passar do tempo.
Isso não significa menosprezar as habilidades. Muito pelo contrário: elas devem ser continuamente aprimoradas. No entanto, por mais avançadas que sejam as habilidades de alguém, se essa pessoa não for digna de confiança, ninguém lhe confiará um trabalho de grande responsabilidade. Por isso, na INA&Associates株式会社, ao avaliar um talento, valorizamos não apenas "o que ele consegue fazer agora", mas também "se é alguém capaz de construir confiança no longo prazo".
Pontos principais deste artigo
- As habilidades se tornam obsoletas com as mudanças do ambiente, mas a integridade amadurece em confiança à medida que a experiência se acumula.
- O que se exige na era da IA é a capacidade de reaprender tecnologias e a postura de não fugir de fatos inconvenientes.
- Talentos íntegros não escondem seus erros e os transformam em insumos para melhoria, por isso passam a receber responsabilidades maiores no longo prazo.
- A essência da gestão de talentos não está em medir pessoas apenas por resultados de curto prazo, mas em valorizar o acúmulo de confiança.
Por que as habilidades se tornam obsoletas e a integridade amadurece?
O valor das habilidades muda com as transformações da época. Já a integridade é a base da confiança que permanece entre as pessoas, mesmo quando os tempos mudam.
Por exemplo, a forma de usar ferramentas que eram muito valorizadas até poucos anos atrás hoje pode ser substituída por IA. O "The Future of Jobs Report 2025" do World Economic Forum também apresenta a perspectiva de que 39% das habilidades centrais dos trabalhadores mudarão até 2030.
No entanto, por mais que as ferramentas mudem, avaliações como "os relatórios desta pessoa são confiáveis" ou "essa pessoa não esconde nem mesmo informações desfavoráveis" não se tornam ultrapassadas com facilidade. Ao contrário, quanto mais vezes se superam situações difíceis juntos, mais fortes essas avaliações se tornam.
Eu entendo as habilidades como um ativo que precisa ser continuamente reabastecido, e a integridade como um crédito que vai sendo acumulado. Na gestão de talentos, não podemos errar ao distinguir essas duas coisas.
O que é integridade? Mais do que estar certo, é não tentar disfarçar
Integridade não significa ser perfeito o tempo todo. Pelo contrário, significa adotar uma postura que, ao errar, não tenta maquiar a situação e encara os fatos e a outra parte com honestidade.
No trabalho, às vezes julgamos mal. Há casos em que uma previsão falha e só depois percebemos que a explicação dada ao cliente foi insuficiente. Nesses momentos, o que importa é saber se vamos procurar desculpas para nos proteger ou transmitir a situação com precisão e avançar para a melhoria.
Pessoas íntegras não fingem que o erro não existiu. Elas encaram os fatos. Explicam a situação às partes envolvidas. E pensam em mecanismos para que o mesmo problema não volte a acontecer. Isso não é uma habilidade chamativa, mas se torna uma força avassaladora em trabalhos de longo prazo.
No setor imobiliário, o acúmulo de confiança é especialmente importante. Imóveis, contratos, recursos financeiros, sucessão, administração. Tudo isso se relaciona profundamente com a vida e com o patrimônio das pessoas. Por isso, como escrevi em a importância de construir confiança nas vendas imobiliárias, a honestidade é a base que antecede os resultados.
Falar com franqueza pode, no curto prazo, parecer desvantajoso. Ao comunicar desvantagens, uma negociação pode até se afastar. No entanto, no longo prazo, essa postura se transforma na avaliação de que "com essa pessoa, dá para confiar". A integridade é uma qualidade que faz do tempo seu aliado.
Por que, na era da IA, não basta vencer apenas com habilidades
Na era da IA, o período em que se consegue vantagem apenas pela diferença de habilidades fica mais curto. É preciso tanto a capacidade de aprender novas tecnologias quanto a capacidade de ser uma pessoa digna de confiança.
Com IA, grande parte da redação de textos, da pesquisa, das planilhas e das análises iniciais fica mais rápida. Parte das tarefas que antes faziam alguém ser visto como "competente" passa a ser padronizada por ferramentas. Isso, porém, não significa que o valor das pessoas diminui.
Pelo contrário, o valor humano se torna ainda mais visível. A pessoa entrega a resposta da IA como está? Questiona as premissas? Consegue explicar inclusive possibilidades desfavoráveis ao cliente? É aí que permanece o trabalho humano.
Quando escrevi anteriormente sobre o valor dos talentos na era da IA, também considerei que "o valor que só os seres humanos podem oferecer" não é apenas um argumento emocional. Quanto mais dominamos o uso da IA, mais o critério final passa a ser a postura de quem julga.
O OECD Skills Outlook 2025 também mostra a importância da aprendizagem ao longo da vida e de estratégias de habilidades adaptadas às mudanças. Continuar aprendendo é a premissa. No entanto, para seguir reaprendendo, é necessária a humildade de reconhecer as próprias limitações.
Quem finge "saber" atrasa o próprio reaprendizado. Quem consegue dizer "não sei" consegue avançar. Essa diferença pode parecer pequena em alguns meses, mas em alguns anos se transforma em uma diferença enorme.
Talentos íntegros acumulam confiança pela forma como lidam com os erros
Talentos íntegros não são pessoas que nunca erram. São pessoas capazes de não encerrar um erro como mera perda de confiança, mas de transformá-lo em reconstrução da confiança.
Também no nosso trabalho, há situações que não avançam como o planejado. Confirmações podem levar mais tempo, e questões de gestão podem surgir depois. Nessas horas, a integridade aparece não nas palavras, mas nas ações.
Por exemplo, imagine uma pequena falha de confirmação na administração de locações. Uma resposta sem integridade tenta encerrar o assunto mantendo a causa vaga. Uma resposta íntegra organiza os fatos, informa a extensão do impacto e transforma a prevenção de recorrência em um processo.
Essa diferença pode não chamar atenção no curto prazo. Mas quem delega sempre está observando. Quando surge um problema, trata-se de alguém que foge ou de alguém que assume a frente? É aí que nasce a diferença de confiança.
A "cultura de não ter medo de errar" que a INA valoriza também não significa tratar o erro com leveza. Significa uma cultura em que os erros não são escondidos. Uma cultura em que os erros são compartilhados e transformados no próximo crescimento. Por isso, o mindset de crescimento combina tão bem com a integridade.
Pessoas que crescem enxergam com precisão onde estão hoje. Elas podem se desafiar, mas não fazem pose. Não dizem que conseguem fazer o que ainda não conseguem; em vez disso, se esforçam para se tornar capazes. Essa postura transmite segurança a quem está ao redor.
O que a INA realmente observa como potencial na gestão de talentos
Na gestão de talentos da INA, não julgamos pessoas apenas por suas habilidades atuais. Entendemos potencial como a combinação entre capacidade de aprender e integridade.
É claro que habilidades básicas são necessárias. Conhecimento do mercado imobiliário, compreensão de contratos, uso de ferramentas de TI, capacidade de escrever, habilidade de ler números. Quem despreza esses pontos não consegue realizar um trabalho profissional.
No entanto, habilidades podem ser desenvolvidas depois da contratação. Podem ser lapidadas pela experiência. Podem ser apoiadas por meio de processos. Já a integridade se relaciona profundamente com a visão de trabalho de cada pessoa. Por isso, tanto na contratação quanto no desenvolvimento, observamos se "essa pessoa consegue se esforçar na direção de construir confiança".
Como escrevi em o desafio de ser uma empresa de investimento em talentos, a INA investe em pessoas porque elas estão no centro do negócio. Se víssemos pessoas apenas como força de trabalho, talvez bastasse medir somente as habilidades que já possuem hoje. No entanto, se enxergamos pessoas como um "ativo valioso", precisamos voltar os olhos para qualidades cujo valor aumenta com o tempo.
A integridade é uma das principais. No começo, ela não chama atenção. Mas, ao trabalhar juntos por seis meses, um ano, três anos, a confiança ao redor dessa pessoa vai se acumulando. O tipo de trabalho que lhe é confiado muda, e ela passa a ser uma presença que gera segurança para a equipe.
Isso não é um talento vistoso. Ainda assim, é a força que torna uma empresa mais sólida e duradoura.
Resumo | Aperfeiçoe habilidades e cultive integridade
Habilidades são algo que deve ser continuamente aprimorado. Integridade é algo que deve ser continuamente cultivado nas escolhas de cada dia.
Como as habilidades se tornam obsoletas, então elas não são necessárias. Não é disso que se trata. Pelo contrário. Quanto mais rápida é a mudança, mais necessária se torna a capacidade de continuar aprendendo. No entanto, a raiz que sustenta esse aprendizado precisa ser a integridade.
Pessoas íntegras conseguem reconhecer suas próprias limitações. Conseguem comunicar até informações desfavoráveis à outra parte. Não escondem erros e conseguem transformá-los em melhoria. Por isso, quanto mais o tempo passa, mais espessa se torna a confiança nelas depositada.
A gestão de talentos que a INA&Associates株式会社 busca não consiste em reunir pessoas úteis apenas no curto prazo. Trata-se de formar talentos capazes de acumular confiança ao longo do tempo e de contribuir para a felicidade de todas as pessoas envolvidas.
As habilidades se tornam obsoletas. Mas a integridade amadurece. Eu quero construir uma organização que acredite nesse amadurecimento.
Perguntas frequentes (FAQ)
Q1. Se priorizarmos a integridade acima das habilidades, a especialização não ficará mais baixa?
A. A integridade não substitui a especialização; ela é a base para continuar desenvolvendo a especialização. Se houver postura de aprendizado, as habilidades podem ser aprimoradas depois.
Q2. É possível identificar a integridade em uma entrevista de contratação?
A. Não é possível identificá-la por completo, mas ela aparece na forma como a pessoa fala sobre experiências de fracasso e encara fatos desfavoráveis. A avaliação deve continuar também após a contratação.
Q3. O que os talentos que vão crescer na era da IA precisam ter?
A. Além da habilidade de usar IA, é necessária a postura de assumir responsabilidade pelas próprias decisões. A capacidade de questionar respostas convenientes também é um valor humano importante.
Q4. O que é importante para cultivar a integridade como cultura organizacional?
A. É essencial haver segurança psicológica para compartilhar erros sem escondê-los. É preciso criar uma cultura de melhoria, e não uma cultura de culpabilização.