O "TOKYO CROSS PARK" é um projeto de redesenvolvimento urbano em andamento no bairro de Uchisaiwaicho 1-chome, Chiyoda-ku, Tóquio, com área total construída de aproximadamente 1,1 milhão de m² — o maior do Japão. Em 2025, duas supertorres tiveram suas obras iniciadas em menos de um ano: a South Tower do distrito sul (abril) e a NTT Hibiya Tower do distrito central (dezembro). Neste artigo, apresentamos o plano completo dos três distritos, o cronograma atualizado e as implicações para o mercado imobiliário.
Visão geral do TOKYO CROSS PARK — remodelação urbana de 1,1 milhão de m² no coração de Tóquio
O quarteirão de Uchisaiwaicho 1-chome ocupa cerca de 6,5 hectares em Chiyoda-ku, Tóquio. Situado na confluência dos principais polos urbanos — Otemachi, Marunouchi, Yurakucho, Ginza, Kasumigaseki e Shimbashi —, o projeto prevê a construção de um complexo multiuso com aproximadamente 1,1 milhão de m² de área total. Trata-se do maior empreendimento individual do Japão, com potencial para redefinir os rumos do planejamento urbano no centro da capital.
O consórcio é formado por dez empresas: NTT Urban Solutions, Kokyobuilding, Dai-ichi Life Insurance, Chuo-Nittochi, Imperial Hotel, Tokyo Century, TEPCO Holdings, Nippon Telegraph and Telephone (NTT), NTT East e Mitsui Fudosan. A articulação de dez companhias privadas em torno de um projeto de regeneração urbana dessa magnitude é inédita, tanto pela escala quanto pela complexidade operacional e pela diversificação de riscos.
O masterplan do quarteirão foi concebido pelo escritório britânico PLP Architecture, e o nome "TOKYO CROSS PARK" carrega o conceito de três "CROSS". Ao todo, quatro supertorres serão erguidas de forma escalonada nos distritos norte, central e sul, com a conclusão integral prevista para após o ano fiscal de 2037.
South Tower — distrito sul — grande complexo com conclusão prevista para março de 2029
O primeiro distrito a iniciar obras foi o sul, com a "South Tower". O empreendimento foi aprovado como Projeto de Redesenvolvimento Urbano Tipo I do Distrito Sul de Uchisaiwaicho 1-chome, e as obras, executadas pela Shimizu Corporation, começaram em 1.º de abril de 2025, com conclusão prevista para o final de março de 2029.
O edifício terá 46 andares acima do solo, 1 andar de cobertura técnica e 3 subsolos, com altura de aproximadamente 227 m (232 m no ponto mais alto) e área construída de cerca de 290 mil m². O programa de usos tem como âncora os escritórios (andares 11 a 44, com área locável de aproximadamente 150 mil m²), complementados por hotel (andares 4 a 6), comércio (andares 1 a 3) e instalações de bem-estar (andares 7 e 8). A conexão direta com a estação Uchisaiwaicho do metrô será um diferencial importante na captação de inquilinos.
Um destaque especial é a implantação pioneira, em escala mundial, de células solares de perovskita. Ao integrar essa tecnologia de próxima geração às fachadas de uma supertorre, o projeto busca conciliar autonomia energética e descarbonização — uma materialização concreta do conceito CROSS innovation.
NTT Hibiya Tower — distrito central — obras iniciadas em dezembro de 2025, novo marco urbano com 360 mil m²
Em 1.º de dezembro de 2025, teve início a construção da NTT Hibiya Tower. Desenvolvida pela NTT Urban Development e pela TEPCO Power Grid, a torre terá 48 andares, altura de aproximadamente 229 m (233 m no ponto mais alto) e área construída de cerca de 360 mil m² — a maior entre os três distritos. A conclusão está prevista para o final de outubro de 2031.
O programa reúne escritórios, instalações de fomento à inovação, auditório, salões de eventos, hotel e comércio. Além de funcionar como polo de negócios, o edifício assumirá também o papel de centro cultural e de convivência. Para o Grupo NTT, o projeto representa a conversão de um histórico patrimônio fundiário na região de Kasumigaseki em ativo de regeneração urbana, com relevância estratégica significativa.
Nesse contexto, merece atenção o "Cross Gate" (nome provisório) — um parque elevado sobre a via pública que conectará o quarteirão ao Parque Hibiya. Essa ligação física cria um circuito de pedestres fluido e caminhável. A abordagem de não se limitar à construção de edifícios, mas de integrar os espaços públicos do entorno para reconfigurar toda a área, constitui um modelo de referência para grandes projetos de redesenvolvimento.
Distrito norte e nova sede do Imperial Hotel — conclusão prevista para 2036: o "novo palácio de recepções"
O distrito norte abrigará dois edifícios. A North Tower (46 andares, cerca de 230 m de altura) tem início de obras previsto para por volta de 2026 e conclusão no ano fiscal de 2030. Já a nova sede do Imperial Hotel (29 andares, cerca de 145 m de altura) deverá ter obras iniciadas no ano fiscal de 2031 e conclusão no ano fiscal de 2036.
O projeto arquitetônico da nova sede do Imperial Hotel foi confiado a Tsuyoshi Tane (ATTA – Atelier Tsuyoshi Tane Architects). Sob o conceito de "um novo grande hotel e palácio de recepções", o projeto busca preservar a identidade de mais de 134 anos do Imperial Hotel e, ao mesmo tempo, renová-lo para o contexto urbano do século XXI. O custo estimado somente para a reconstrução do hotel é de 200 a 250 bilhões de ienes, cifra que ilustra a escala monumental do empreendimento como um todo.
O Imperial Hotel planeja manter suas operações durante todo o período de reconstrução. Para um hotel que é referência nacional, manter o funcionamento durante as obras é uma decisão estratégica fundamental para preservar o prestígio e o poder de atração da região.
Integração urbana com o Parque Hibiya
O grande diferencial do TOKYO CROSS PARK reside na integração com o Parque Hibiya, que se estende por cerca de 16 hectares. A partir do distrito central, um parque elevado construído sobre a via pública conectará fisicamente o quarteirão ao parque. Além disso, sobre o embasamento dos edifícios, está prevista uma grande praça de aproximadamente 2 hectares, concebida como espaço de convivência não apenas para trabalhadores, mas também para moradores e visitantes do entorno.
Essa iniciativa está articulada com o "Plano de Revitalização do Parque Hibiya", conduzido pela Secretaria de Obras de Tóquio. Em outras palavras, os setores público e privado atuam conjuntamente para transformar a faixa que vai de Kasumigaseki a Ginza em uma cidade verde e caminhável. No entanto, o verdadeiro sucesso dessa visão dependerá da gestão pós-inauguração e da forma como os espaços públicos serão efetivamente utilizados. O investimento contínuo no aspecto operacional e programático — e não apenas na infraestrutura física — será decisivo nos próximos anos.
Resumo do cronograma de obras
| Distrito | Edifício | Início das obras | Conclusão prevista |
|---|---|---|---|
| Sul | South Tower (46 andares, ~230 m de altura) | Abril de 2025 | Março de 2029 |
| Central | NTT Hibiya Tower (48 andares, ~233 m de altura) | Dezembro de 2025 | Outubro de 2031 |
| Norte | North Tower (46 andares, ~230 m de altura) | Por volta de 2026 | Ano fiscal de 2030 |
| Norte | Nova sede do Imperial Hotel (29 andares, ~145 m de altura) | Ano fiscal de 2031 | Ano fiscal de 2036 |
Entre 2025 e 2031, o quarteirão de Uchisaiwaicho 1-chome viverá um fluxo contínuo de veículos de obra e andaimes em constante substituição. É fundamental que empresas, investidores e moradores que atuam na região estejam cientes dos impactos prolongados sobre o trânsito e o ambiente urbano local.
Impactos na região e implicações para o mercado imobiliário
O quarteirão de Uchisaiwaicho 1-chome situa-se próximo à fronteira dos três distritos centrais de Tóquio — Chiyoda, Minato e Chuo —, o que amplifica sua influência sobre o mercado imobiliário de diversas áreas. No segmento de escritórios, somente o distrito sul ofertará cerca de 150 mil m² de área locável; somando-se a NTT Hibiya Tower, o volume de nova oferta que chegará ao mercado entre 2029 e 2031 será expressivo.
Em geral, uma oferta de grande porte tende a elevar a taxa de vacância e pressionar os aluguéis para baixo. No entanto, neste caso, o alto padrão das especificações, a conexão direta com o metrô e a integração com o parque podem atrair inquilinos de primeira linha (Grau A). É possível, inclusive, que edifícios existentes em Marunouchi e Otemachi sofram obsolescência relativa, acelerando movimentos de renovação e reconversão de uso. Para uma análise mais detalhada sobre como os projetos de redesenvolvimento no centro de Tóquio impactam o valor dos imóveis, confira este artigo.
A concentração de usos comerciais e hoteleiros também merece atenção. A redução temporária da capacidade do Imperial Hotel durante a reconstrução, o impacto da nova sede no segmento de hotelaria de luxo e o aumento da atratividade comercial na região de Hibiya e Yurakucho — em sinergia com o redesenvolvimento do entorno da estação Yurakucho — terão efeitos combinados sobre a formação de preços de aluguel no médio e longo prazo.
Para proprietários de imóveis, a ação a tomar é clara: quem possui ativos nas regiões de Uchisaiwaicho, Hibiya, Kasumigaseki ou Shimbashi deve, como ponto de partida, confrontar o cronograma de conclusões (2029, 2031 e 2036) com seu próprio planejamento patrimonial. Como estratégia de competitividade diante da expansão da oferta, é importante antecipar decisões sobre investimentos em melhorias, ajuste nos ciclos de renovação contratual com inquilinos, ou avaliação de desinvestimento e realocação de ativos.
Perguntas frequentes (FAQ)
Q1. Quando o TOKYO CROSS PARK estará totalmente concluído?
R. A conclusão integral do quarteirão está prevista para após o ano fiscal de 2037. A South Tower do distrito sul será a primeira a ficar pronta, em março de 2029, seguida pela NTT Hibiya Tower do distrito central em outubro de 2031, pela North Tower do distrito norte no ano fiscal de 2030 e pela nova sede do Imperial Hotel no ano fiscal de 2036. Como as entregas são escalonadas, a transformação da região se estenderá do final da década de 2020 até meados da década de 2030.
Q2. Qual é a área total construída do TOKYO CROSS PARK?
R. A área total construída é de aproximadamente 1,1 milhão de m², o que faz dele o maior projeto de desenvolvimento urbano individual do Japão. Nos três distritos — norte, central e sul — serão erguidas quatro supertorres que abrigarão escritórios, hotéis, comércio, instalações de bem-estar e espaços de fomento à inovação. A título de comparação, o Tokyo Midtown possui cerca de 560 mil m² de área construída, ou seja, o TOKYO CROSS PARK terá quase o dobro dessa escala.
Q3. Como será a conexão com o Parque Hibiya?
R. A partir do distrito central, um parque elevado construído sobre a via pública fará a ligação física com o Parque Hibiya. Sobre o embasamento dos edifícios, será implantada uma grande praça de aproximadamente 2 hectares, criando um percurso contínuo e caminhável entre as áreas verdes do quarteirão e as do parque. Essa intervenção está articulada com o "Plano de Revitalização do Parque Hibiya", conduzido pela Secretaria de Obras de Tóquio, configurando uma iniciativa integrada entre os setores público e privado.
Q4. O Imperial Hotel continuará funcionando durante a reconstrução?
R. Sim, o Imperial Hotel planeja manter suas operações durante todo o período de obras. A reconstrução será realizada de forma gradual, utilizando instalações provisórias na North Tower do distrito norte, entre outros recursos. Contudo, haverá redução de escala e eventual transferência de algumas funções; por isso, recomenda-se consultar os canais oficiais do Imperial Hotel para informações atualizadas. A conclusão da nova sede está prevista para o ano fiscal de 2036.
Referências e fontes
4. Secretaria de Obras de Tóquio — "Revitalização do Parque Hibiya"
5. NTT Urban Solutions — Site oficial do "TOKYO CROSS PARK"
6. NTT Urban Solutions — "TOKYO CROSS PARK: Plano Geral"
11. Imperial Hotel — "Plano de continuidade operacional durante a reconstrução da sede de Tóquio" (PDF)
12. NTT East — "Anúncio do TOKYO CROSS PARK" (24 de março de 2022)