Skip to content
Real Estate Intelligence
COLUMN

O que acontece com os imóveis quando um dos pais desenvolve demência? Riscos, medidas preventivas e procedimentos necessários

Como lidar com bloqueio de imóveis e problemas financeiros causados pela demência dos pais. Conheça medidas preventivas como tutela e trust familiar.

Leitura de cerca de 12 min

Você já pensou: "E se meus pais desenvolvessem demência?"
Certamente surgem diversas preocupações: o que acontece se a doença continuar progredindo, como cuidar deles, como se relacionar com eles.
Reagir somente após o diagnóstico pode ser tarde demais, levando a arrependimentos.
Adotar medidas preventivas enquanto a demência ainda não se manifestou permite uma resposta rápida caso ela venha a ocorrer.
Por isso, neste artigo, explicamos o que é a demência, os possíveis problemas que ela causa, como lidar com eles e quais procedimentos são necessários.
Leia com atenção para que você e seus pais possam enfrentar a situação sem angústia, mesmo diante de um diagnóstico de demência.

O que é demência?

A demência é uma condição em que doenças ou lesões cerebrais causam declínio das funções cognitivas, como perda de memória, prejudicando a vida cotidiana.
Esquecer coisas novas ou nomes de pessoas e objetos pode acontecer com qualquer pessoa com o avançar da idade.
No entanto, a demência se diferencia do esquecimento natural pela idade porque a pessoa esquece a própria experiência em si e não tem consciência de que está esquecendo.
Um exemplo é a memória do café da manhã.
Com o esquecimento comum da idade, a pessoa pode esquecer parte do que comeu; já na demência, esquece que tomou café da manhã por completo e tenta comer novamente.
Quando perde algo, quem tem esquecimento natural procura o objeto por conta própria, enquanto quem tem demência frequentemente acusa outras pessoas de roubo.
Segundo o Ministério da Saúde, o Trabalho e Bem-Estar do Japão, em 2020 havia aproximadamente 6 milhões de pessoas com 65 anos ou mais diagnosticadas com demência no país.
A previsão é de que cerca de 7 milhões de idosos desenvolvam demência até 2025, tornando essencial conhecer melhor a doença e se preparar para a possibilidade de que seus pais sejam afetados.

Além disso, a demência apresenta diferentes tipos.

・Doença de Alzheimer
・Demência vascular
・Demência com corpos de Lewy
・Demência frontotemporal etc.

O tipo Alzheimer é considerado o mais comum.
Quando tratada adequadamente nos estágios iniciais, é possível retardar a progressão com medicamentos e, em alguns casos, esperar melhora dos sintomas.

Por isso, ao notar algo diferente ou uma mudança de comportamento, procure imediatamente um especialista para receber o tratamento adequado.
Consulte o médico de família, uma clínica de memória ou o centro de apoio comunitário de saúde para idosos, e tome providências com agilidade.

Quais são os riscos quando os pais desenvolvem demência?

Com a demência, surgem diversos sintomas: perda de memórias que antes existiam, delírios como acusar alguém de roubo quando perde algo, incapacidade de voltar para casa após sair, agressões verbais contra familiares ou cuidadores, entre outros.
Os problemas financeiros, em especial, podem envolver toda a família e se transformar em conflitos sérios, por isso é fundamental agir rapidamente.
Veja a seguir os principais riscos a considerar quando os pais desenvolvem demência.

Incapacidade de gerenciar as próprias finanças

Quando os pais desenvolvem demência, a diminuição da capacidade de julgamento e do planejamento torna difícil o gerenciamento do dinheiro.
Surgem diversos problemas, como gastar toda a aposentadoria assim que recebe ou usar os recursos necessários para o sustento em gastos impulsivos.

Também é possível que a pessoa compre produtos caros repetidamente e acabe sem condições de pagar.
Além disso, há casos reais em que pessoas são vítimas repetidas de golpes e fraudes sem que a família perceba.

Impossibilidade de sacar depósitos

Quando os pais desenvolvem demência, a família precisa assumir os cuidados.
Nesse caso, surgem custos elevados com consultas médicas, serviços de saúde e cuidados de longa duração.
Mesmo com a certificação de necessidade de cuidados, há despesas que ficam por conta do paciente, sendo necessário reservar recursos para o cuidado.
Muitas pessoas pensam em usar a conta bancária dos pais para cobrir essas despesas.
Porém, os bancos, em princípio, não permitem saques feitos por familiares em nome do titular, mesmo sendo parentes próximos.
Se não for possível sacar o dinheiro dos pais, os filhos terão de arcar com os custos.
O valor médio varia conforme o estágio da demência, mas segundo pesquisa realizada em 2021 pelo Centro de Cultura de Seguros de Vida, o custo inicial médio com cuidados é de 740 mil ienes, e o custo mensal médio é de 83 mil ienes.
Como o período médio de prestação de cuidados é de aproximadamente 5 anos e 1 mês, fica evidente que as despesas são consideráveis.
Muitas pessoas ficam apreensivas ao pensar se conseguirão arcar com esses custos sozinhas.

Impossibilidade de ter visão completa do patrimônio

Quando os pais desenvolvem demência, a perda de memória e de capacidade de julgamento dificulta o gerenciamento do próprio patrimônio.
É comum esquecer onde guardou a caderneta de poupança ou quais seguros possui, tornando impossível ter uma visão completa dos bens.
Como resultado, muitas famílias acabam sem conseguir discutir a divisão de bens na herança, e o processo de inventário não avança.

Conflitos entre familiares

A demência também pode gerar conflitos entre os familiares.
Disputas envolvendo patrimônio são especialmente comuns.
Por exemplo, algumas pessoas acreditam erroneamente que quem cuida dos pais recebe uma fatia maior da herança.
No entanto, na prática, não existe nenhuma regra ou sistema legal que garanta uma parcela maior da herança a quem prestou cuidados.
Portanto, cuidar dos pais não significa necessariamente receber mais na partilha.

A conta dos pais é bloqueada quando eles desenvolvem demência?

Muitas pessoas pensam em usar o dinheiro da conta dos próprios pais para custear os cuidados.
No entanto, o bloqueio da conta pode impedir o acesso aos depósitos.
Veja a seguir quando esse bloqueio ocorre.

Em que situações a conta é bloqueada?

Há duas razões para o bloqueio de uma conta.
A primeira é quando o titular da conta falece.

Ao tomar conhecimento do falecimento do titular, o banco bloqueia a conta.
A conta do falecido passa a ser patrimônio coletivo, e todos os herdeiros precisam realizar uma conferência de partilha de herança.
Depois de decidir quem herdará a conta bancária e concluir os trâmites, o novo titular é definido e os saques podem ser realizados novamente.

A segunda situação é quando a capacidade de julgamento da pessoa diminui significativamente devido à demência ou condição semelhante.
Sem capacidade de julgamento, o risco de envolvimento em casos de uso indevido, desvio de recursos ou fraudes aumenta consideravelmente.
Por isso, os bancos bloqueiam as contas para prevenir problemas.

O que acontece quando a conta é efetivamente bloqueada?

Com a conta bloqueada, as seguintes operações ficam impossibilitadas:

・Saque de depósitos
・Depósitos
・Encerramento de depósitos a prazo
・Alteração dos termos de depósitos a prazo
・Abertura de cofres
・Débito automático de contas de consumo

Basicamente, a conta fica completamente inutilizável, gerando o problema de não conseguir sacar dinheiro.
No entanto, no caso de demência, ao contrário do falecimento, não ocorre uma suspensão total.
Saques e alterações contratuais ficam bloqueados, mas o recebimento de aposentadoria e o débito de contas de consumo continuam mesmo com o diagnóstico de demência.
Portanto, não é necessário agir de forma imediata.

O bloqueio não ocorre imediatamente

Há dois momentos em que o banco realiza o bloqueio da conta.
O primeiro é quando a família informa ao banco sobre o diagnóstico de demência.

Pode ocorrer de o titular esquecer o número da conta e não conseguir fazer saques.
Nesse caso, a família ou o próprio titular vai ao banco para realizar os procedimentos.
Se durante o atendimento for informado que a pessoa tem demência, a conta será bloqueada.
O segundo momento é quando o banco avalia que a capacidade de julgamento está gravemente comprometida.

Não há problemas se o próprio titular conseguir realizar depósitos e saques.
No entanto, situações como:

・o titular (pais) não conseguir ir pessoalmente ao banco
・não conseguir dizer o próprio nome ou data de nascimento
・não conseguir assinar de próprio punho

podem levar o banco a considerar que há incapacidade de julgamento e bloquear a conta.
O diagnóstico de demência por si só não resulta em bloqueio imediato, mas é importante agir com antecedência.

O bloqueio da conta depende da instituição financeira

O bloqueio da conta gera uma série de problemas.
A família precisará usar o próprio dinheiro para custear os cuidados, o que pode comprometer o orçamento doméstico.
Muitas pessoas carregam a preocupação: "E se a conta for bloqueada?"
Algumas instituições financeiras oferecem soluções mais flexíveis.
Diante do crescente número de pacientes com demência, a Associação de Bancos do Japão publicou em 2021 as "Diretrizes sobre representação em transações financeiras".

A publicação de orientações permitindo que familiares façam saques em nome do titular, restrito a casos como pagamento de despesas médicas, abriu caminho para que cada banco adote práticas mais flexíveis.
Conhecer com antecedência como o banco dos seus pais lida com essa situação permitirá uma resposta adequada caso a demência se manifeste.
No entanto, por envolver questões financeiras, tomar medidas preventivas antes de qualquer problema evita situações de pânico em momentos de urgência.

Após o bloqueio da conta, a regra é a gestão por curador

Dependendo do banco, mesmo com o diagnóstico de demência, familiares podem conseguir sacar dinheiro da conta.
No entanto, se a conta for bloqueada, o acesso ao dinheiro será impossível.
Mesmo apresentando documentos que comprovem o parentesco com o titular (pais), não é possível desbloquear a conta — para isso, é necessário recorrer ao "sistema de curatela".

O que é o sistema de curatela?

O "sistema de curatela" é um regime em que o tribunal de família seleciona um curador para administrar e proteger o patrimônio de uma pessoa.
O curador não precisa necessariamente ser um filho ou familiar dos pais.
A solicitação envolve custos, e é necessário pagar honorários ao curador, o que explica a baixa adesão ao sistema.
Além da curatela legal, existe também a "curatela voluntária", em que a própria pessoa, enquanto ainda está lúcida, escolhe antecipadamente quem será seu curador no futuro.
Como o próprio indivíduo pode designar alguém de sua confiança antes de desenvolver demência, se os pais indicarem os filhos, estes poderão assumir a curatela voluntária.

Quem é efetivamente escolhido como curador?

O curador é selecionado pelo tribunal de família entre os candidatos considerados mais adequados.
A seleção ocorre entre aqueles que não se enquadram nas causas de exclusão previstas no artigo 847 do Código Civil.
Segundo dados compilados pelo tribunal, especialistas não familiares (como advogados e tabeliães judiciais) ocupam cerca de 80% das curadorias.

Ser filho não garante automaticamente a seleção.
Caso você queira ser curador dos seus pais, utilize antecipadamente a curatela voluntária para ser formalmente designado.

Direitos do curador

O curador possui três tipos de direitos.
O primeiro é o "poder de representação".

O curador pode celebrar contratos em nome do tutelado.
O segundo é o "poder de revogação".

Com esse poder, é possível cancelar atos jurídicos, inclusive desfazer compras de alto valor realizadas pelos pais.
O terceiro é o "poder de ratificação".

Se o tutelado adquirir algo a um preço justo, não há problema.
Caso o curador avalie que a aquisição "não é prejudicial" ao tutelado, pode ratificar a compra e torná-la um contrato válido.

Remuneração do curador

O curador desempenha diversas funções em nome do tutelado, mas sua remuneração é modesta.
A remuneração média de curadores, incluindo especialistas como advogados e tabeliães judiciais, é de aproximadamente 20 mil a 60 mil ienes por mês.

No caso de familiares, há situações em que o serviço é prestado sem remuneração, portanto assumir a curatela não significa receber grandes valores.

A curatela também é útil na conferência de partilha de herança

Quando ocorre uma herança, realiza-se uma conferência de partilha para decidir como os bens serão distribuídos.
Nesses casos, contar com um curador pode evitar conflitos entre familiares e tornar as discussões sobre herança mais tranquilas.

O que é a conferência de partilha de herança?

A conferência de partilha de herança é o fórum onde se discute quem recebe qual parcela dos bens.
O patrimônio não se limita apenas a depósitos em dinheiro.

Inclui terrenos, ações, títulos e outros ativos, exigindo negociação sobre quem herda cada bem.
Se houver testamento, a herança é dividida conforme seu conteúdo; caso contrário, os herdeiros precisam negociar entre si.
No entanto, situações como "alguém se recusa a participar das discussões" ou "alguém só impõe seus próprios interesses" são comuns e travam o processo.
Quando a conferência não chega a um acordo, é necessário recorrer à mediação judicial de partilha de herança.
Se nem a mediação resolver, o caso é encaminhado ao juiz, que determina a forma de divisão.

Pontos de atenção na conferência com participação de curador

Se os pais com demência forem herdeiros, podem não ter condições de participar adequadamente das discussões.
Nesse caso, um curador pode participar da conferência em nome do herdeiro.
Como o objetivo é proteger o patrimônio e os interesses do tutelado, garantindo que a parcela legal seja obtida, atos indevidos como renúncia à herança sem justificativa não são permitidos.
No entanto, se tanto o tutelado quanto o curador forem herdeiros, pode haver conflito de interesses, impossibilitando a participação do curador na conferência.
Nesse caso, é necessário solicitar ao tribunal de família a nomeação de um representante especial.

Quando a capacidade de julgamento já está comprometida pela demência, é necessário realizar os procedimentos da curatela legal para formalizar contratos e administrar o patrimônio.
Veja a seguir o fluxo dos procedimentos e os pontos de atenção.

Fluxo dos procedimentos

A curatela legal começa com a petição ao tribunal de família e é concluída com o registro no cartório de registro de imóveis (Ministério da Justiça).

① Petição ao tribunal de família
Um familiar ou parente até o quarto grau assume o papel de requerente e realiza o procedimento de abertura de curatela no tribunal de família.
No tribunal, são entregues o requerimento e todos os documentos relacionados.
Obtenha antecipadamente o requerimento e os documentos no tribunal de família e prepare-os com antecedência.
São muitos documentos necessários, portanto tome cuidado para não deixar nada faltando.

② Instrução
O investigador do tribunal de família realiza entrevistas com o requerente, os candidatos a curador e o tutelado, analisando os documentos e investigando o requerente, o tutelado e os candidatos.
Os principais pontos verificados são: motivo do requerimento, histórico de vida e médico do tutelado (pais), patrimônio e renda, e histórico dos candidatos a curador.
Pode haver também verificação de fatos com os familiares, averiguação de conflitos entre parentes e consulta sobre os candidatos, por escrito ou por telefone.

③ Decisão judicial
Concluída a perícia e a instrução, o tribunal de família analisa o caso e decide se abre ou não a curatela.
Se o candidato for considerado inadequado ou se houver preocupação com conflitos familiares, pode ser nomeado um curador terceiro ou um supervisor de curatela.
Após a decisão sobre o requerimento, uma sentença comunicando o resultado é enviada ao requerente e ao curador — verifique o conteúdo ao receber.

④ Registro no Ministério da Justiça
Aproximadamente duas semanas após o envio da sentença, o conteúdo notificado é confirmado.
Em seguida, a decisão judicial é registrada no Ministério da Justiça.
O candidato a curador deve iniciar suas funções como curador.
A pessoa nomeada curador deverá elaborar o inventário do patrimônio do tutelado (pais) e entregá-lo ao tribunal dentro de um mês.
Depois disso, deve relatar periodicamente ao tribunal de família e ao supervisor de curatela sobre o estado físico e mental dos pais e sobre a situação de gerenciamento patrimonial.

Documentos necessários para os procedimentos

Os documentos necessários para os procedimentos de curatela legal podem variar conforme o tribunal de família da região.
Por isso, verifique os documentos necessários no site ou entrando em contato com o tribunal de família onde será feito o requerimento.
Para o requerente, em geral não há documentos específicos a preparar com antecedência, mas algumas regiões podem exigir certidão de registro civil e comprovante de residência.
Os documentos necessários para a curatela legal são os seguintes:

・Certidão de registro civil e comprovante de residência do tutelado (pais) e do candidato a curador (obtidos na prefeitura)
・Laudo médico específico para curatela (a ser solicitado ao médico responsável ou à clínica de memória)
・Documento de solicitação de perícia médica (a ser solicitado ao médico responsável ou à clínica de memória)
・Certidão negativa de curatela (obtida no Ministério da Justiça)
・Requerimento de abertura de curatela (obtido e preenchido no tribunal de família)
・Formulário de consulta sobre histórico, situação patrimonial e renda/despesas do tutelado (pais) e do candidato a curador (obtido e preenchido no tribunal de família)
・Diagrama de parentesco com pais, cônjuge, filhos e irmãos do tutelado (pais) (obtido e preenchido no tribunal de família)

【Documentos que comprovam o patrimônio do tutelado (pais)】
・Certidão de registro imobiliário (obtida no Ministério da Justiça)
・Caderneta bancária com registros recentes de entradas e saídas, ou extrato
・Apólice de seguro de vida
・Relatório de ações, fundos de investimento, etc.

【Documentos que comprovam a renda e as despesas do tutelado (pais)】
・Notificação do valor da aposentadoria, notificação de certificação de cuidados, carteira de deficiência, etc. (enviados pela prefeitura)
・Guias de IPTU, imposto de renda, imposto municipal (enviados pela Receita)
・Recibos de despesas médicas dos últimos 3 meses, recibos de mensalidade de instituição de cuidados

Pontos de atenção ao utilizar o sistema de curatela

Ao utilizar o sistema de curatela, tenha em mente os seguintes pontos:

・O curador tem obrigação de prestar contas ao tribunal de família anualmente ou sempre que necessário sobre as atividades exercidas
・Quando um advogado ou tabelião judicial é nomeado curador, não é possível contestar a escolha
・Uma vez confirmado o curador, é difícil substituí-lo ou excluí-lo por vontade da família
・A gestão patrimonial fica a cargo do curador, podendo não refletir a vontade dos demais familiares ou do próprio tutelado
・Pode ser necessário pagar honorários ao curador
・O requerimento envolve custos que devem ser arcados pelo requerente

Os honorários pagos ao curador são descontados do patrimônio do tutelado.
A tendência é que a remuneração base aumente conforme o volume do patrimônio administrado, portanto também é necessário se preparar para isso.
Além disso, o requerimento envolve os seguintes custos, que o requerente deve conhecer antecipadamente:

・Taxa de requerimento: 800 ienes
・Taxa de registro de curatela: 2.600 ienes
・Custos de envio e notificação: 3.270 ienes (no caso de requerimento de curatela)
・Honorários de perícia: aproximadamente 100 a 200 mil ienes

Fique atento às diretrizes das instituições financeiras

Mesmo sem o sistema de curatela, em alguns casos familiares não titulares podem sacar depósitos da conta.
Como esse sistema tem procedimentos trabalhosos e pouca adesão, há casos em que a conta já está bloqueada.
Por isso, muitas instituições financeiras atendem de forma limitada a pedidos de saque feitos por familiares sem a curatela formal.
As condições para atender ao pedido de saque são: o banco reconhecer a diminuição da capacidade de julgamento do titular, e a comprovação clara de que o dinheiro será usado em benefício do próprio titular, como para pagamento de despesas médicas.

A instituição financeira avalia entrevistas, laudos médicos do titular, e detalhes das despesas médicas e de cuidados antes de decidir se atende ao pedido.
Essas diretrizes variam por instituição financeira, portanto não há garantia de aprovação.
Antes de iniciar os procedimentos de curatela, verifique com a instituição financeira dos seus pais como ela lida com pedidos de saque por familiares em casos de demência.

Existem outras formas de gestão além da curatela

Quando os pais desenvolvem demência, há outros métodos de gestão patrimonial além da curatela.
Esses métodos são o "Serviço de Apoio à Autonomia na Vida Diária" e o "Trust de Sucessão de Ativos".

Serviço de Apoio à Autonomia na Vida Diária

O Serviço de Apoio à Autonomia na Vida Diária é um programa de suporte implementado pelos conselhos de assistência social de cada município.
Oferece o "Serviço de Gestão Financeira Cotidiana" e o "Serviço de Guarda de Documentos" voltados a idosos com demência.

O Serviço de Gestão Financeira Cotidiana consiste em sacar dinheiro da poupança 1 a 2 vezes por semana e entregá-lo na residência do beneficiário.
O Serviço de Guarda de Documentos permite depositar e ter sob custódia documentos importantes como caderneta bancária, comprovante de aposentadoria, escrituras e selos registrados.
Ambos os serviços têm condições específicas de uso e são oferecidos mediante pagamento.
Para mais detalhes, entre em contato com a prefeitura do seu município.

Trust de Sucessão de Ativos

O trust de sucessão de ativos é um serviço em que você deposita dinheiro em um banco e configura condições para que o próprio titular ou familiares possam sacá-lo.
Pode ser utilizado como proteção para casos em que a pessoa não consegue mais gerenciar o próprio patrimônio devido a lesão, doença ou demência.
Ao formalizar um trust de sucessão de ativos, mesmo que os pais desenvolvam demência e não consigam mais sacar dinheiro, a família pode sacar em nome deles conforme as condições previamente estabelecidas.

Também é possível indicar um beneficiário, e quando o titular falecer, o beneficiário indicado poderá receber os recursos.
Isso permite garantir dinheiro para despesas como funeral, eliminando os trâmites complexos de inventário.

Procedimentos de aposentadoria após a nomeação de curador

Ao ser nomeado curador, você também passa a administrar a aposentadoria dos pais.
Com isso, são necessários procedimentos relacionados à aposentadoria.
Após a nomeação, compareça ao posto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) ou ao centro de atendimento de aposentadoria mais próximo e altere o endereço de envio de notificações, a instituição de recebimento da aposentadoria e o nome do titular da conta.

Na alteração, entregue o Formulário de Alteração de Endereço e o Formulário de Suspensão/Reativação de Atualização de Endereço pelo Registro Base de Residentes (para curadores).
Para a alteração de endereço de envio, é necessário apresentar a "Certidão de Registro de Curatela Original" emitida pelo Ministério da Justiça, ou a "Cópia Certificada da Sentença Judicial" (cópia aceita) e a "Certidão Original de Trânsito em Julgado da Sentença" emitidos pelo tribunal de família.

Medidas preventivas antes do bloqueio da conta

Se a conta for bloqueada após o diagnóstico de demência dos pais, não será possível sacar recursos para tratamento e cuidados.
Para evitar que a situação se torne um problema grave, tome as devidas precauções.

Contrato de trust familiar

Trata-se de um contrato em que, antes da diminuição da capacidade de julgamento, a própria pessoa transfere voluntariamente a uma pessoa de sua escolha os direitos de gestão financeira e celebração de contratos.
O dinheiro depositado na conta bancária em nome do trust familiar pode ser gerenciado pela família indicada sem necessidade de curatela.
Dependendo do contrato, também é possível gerenciar investimentos, o que não é permitido pelo sistema de curatela.

Esse contrato envolve um custo inicial de aproximadamente 500 mil a 1 milhão de ienes, mas como não exige pagamento de honorários mensais como na curatela, pode ser mais econômico a longo prazo.
No entanto, se a demência já estiver instalada, pode não ser possível formalizar o contrato de trust familiar dependendo do grau da doença.

Contrato de curatela voluntária

Enquanto ainda há capacidade de julgamento, é possível designar um curador voluntário de sua escolha e definir antecipadamente quais tarefas ele realizará em seu nome.
O contrato é formalizado por escritura pública lavrada por um tabelião.

O curador voluntário pode ser escolhido pela própria pessoa, e não se limita a familiares — advogados e tabeliães judiciais também podem ser indicados.
O conteúdo do contrato também é definido pela própria pessoa, o que permite manter o estilo de vida desejado mesmo após o desenvolvimento da demência.
Além disso, o tribunal de família nomeia um supervisor do curador voluntário, que fiscaliza se o curador está prestando o suporte conforme o contrato — o que traz maior tranquilidade.

Cartão de representante

O cartão de representante é um cartão bancário que familiares podem ter como representantes.
Com a demência, há risco de perda do cartão bancário necessário para saques e depósitos.
Isso pode causar inconvenientes quando é necessário sacar dinheiro para pagar despesas.
Com o cartão de representante, a família pode sacar em nome do titular para cobrir despesas médicas e de subsistência.
Em alguns casos, é possível emitir mais de um cartão de representante.
Emitindo um para cada membro da família, é possível evitar disputas que poderiam surgir caso apenas um familiar controlasse o cartão.

Saber onde o cartão e a senha estão guardados

O cartão de representante mencionado acima só permite saques.
Para outras necessidades de gestão, é importante pedir aos pais que informem onde guardam o cartão bancário e qual é a senha, para estar preparado em situações de emergência.

Pensando no futuro, quando os pais perderem a capacidade de julgamento, também é importante confirmar com antecedência a vontade e as preferências deles sobre encerramento de depósitos a prazo e alterações contratuais.

Sistema de designação de representante

Alguns bancos oferecem um sistema de designação de representante.
Trata-se de um sistema em que, enquanto a pessoa ainda tem plena capacidade de julgamento, ela designa um representante autorizado a fazer saques.
O familiar indicado poderá realizar saques da conta mesmo que o titular desenvolva demência ou tenha sua capacidade reduzida.

Esse sistema permite apenas saques no balcão, e é necessário apresentar a caderneta e o carimbo registrado do titular.
Atenção: se a caderneta ou o carimbo estiverem perdidos, nem o representante designado poderá realizar saques.

O que a família deve decidir antes de os pais desenvolverem demência

A demência pode acontecer com qualquer pessoa.
Para que os próprios pais possam viver como desejam e ter sua gestão patrimonial respeitada, é importante que a família discuta e decida diversas questões antes do diagnóstico.

Testamento público

Se houver interesse em distribuir os bens em proporções diferentes da herança legal, utilize um testamento.
Sem testamento, os herdeiros precisam decidir as proporções entre si, o que aumenta a probabilidade de conflitos.
Com um testamento, os bens podem ser transmitidos aos filhos da forma que os pais desejam.
O testamento público conta com a verificação de especialistas como tabeliães, garantindo uma herança segura.

Diário de fim de vida (Ending Note)

O diário de fim de vida é um caderno ou carta onde a pessoa registra o que deseja transmitir à família e às pessoas próximas caso algo lhe aconteça.
Ao revisitar a própria trajetória de vida, é possível organizar e registrar informações sobre o patrimônio atual.
Com base nas informações do diário, a família poderá gerenciar os bens de forma mais tranquila.
Registrar detalhes como senhas pode aumentar o risco de uso indevido, por isso é mais seguro incluir apenas o necessário para que a família consiga gerenciar o patrimônio sem dificuldades.

Doação em vida

Uma opção é fazer a doação do patrimônio atual aos herdeiros legais enquanto ainda está vivo.
Como a transferência ocorre enquanto os pais ainda estão vivos, o risco de conflitos futuros com herança diminui.
Após o desenvolvimento da demência, a doação em vida não é mais possível, por isso converse com a família com antecedência, defina as proporções e realize a doação.
Vale lembrar que alguns bens isentos de imposto na herança comum podem estar sujeitos a tributação quando transferidos como doação.

Compreenda esse aspecto antes de realizar a doação em vida.

Conclusão

Com o envelhecimento da população, o número de pacientes com demência está em crescimento.
Por ser algo que pode acontecer com qualquer pessoa a qualquer momento, a família precisa conhecer os procedimentos e medidas necessárias caso os pais desenvolvam demência.
Além disso, os próprios pais devem conversar com a família com antecedência sobre gestão patrimonial e cuidados, e definir uma orientação antes de desenvolver a doença.
Ao se consultar antecipadamente, tanto os pais quanto a família poderão alcançar uma gestão patrimonial com a qual todos se sintam satisfeitos.
Como os procedimentos do sistema de curatela e outros são complexos e difíceis de entender, também é recomendável consultar especialistas em gestão patrimonial e procedimentos legais, como advogados e tabeliães judiciais.

Perguntas frequentes sobre demência e imóveis

Q1. Com demência, não é mais possível vender imóveis?

Com o avanço da demência, a pessoa pode ser considerada sem capacidade de julgamento, tornando o contrato de compra e venda de imóveis inválido. O uso do sistema de curatela é necessário.

Q2. Quando devo iniciar o trust familiar?

É necessário iniciá-lo enquanto os pais ainda estão lúcidos. Após o desenvolvimento da demência, não é mais possível formalizar o contrato de trust.

Q3. Qual a diferença entre curatela e trust familiar?

Na curatela, a gestão patrimonial ocorre sob supervisão judicial, enquanto no trust familiar, a gestão é feita de forma mais flexível entre os familiares. O trust familiar oferece maior liberdade.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Detém onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
  • Responsável certificado pela proteção de dados pessoais
  • Gerente de prevenção de incêndio classe A
  • Especialista certificado em imóveis arrematados
  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito