No Japão, é muito comum que imóveis para aluguel utilizem gás de botijão (propano) em vez de gás encanado. O gás de botijão costuma ser mais caro que o gás encanado, e não são poucos os inquilinos que consideram trocar de fornecedor. Neste artigo, explicamos a diferença entre o gás de botijão e o gás encanado, se é possível trocar de fornecedora morando de aluguel, e como funciona o cancelamento do contrato.
Qual é a diferença entre o gás de botijão (GLP) e o gás encanado?
No Japão, as residências utilizam um de dois tipos de gás: gás de botijão (GLP) ou gás encanado. Entender a diferença entre os dois ajuda a compreender a conta de gás e as opções disponíveis para quem mora de aluguel.
Características do gás de botijão
O gás de botijão é um tipo de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), fornecido a cada residência por meio de cilindros, e não por tubulação subterrânea. Existem dois modelos de fornecimento: o "GLP centralizado" (que abastece um conjunto de prédios ou quarteirão a partir de um ponto comum) e o "GLP individual" (em que cada unidade tem seu próprio conjunto de botijões).
- É mais pesado que o ar (em caso de vazamento, o gás se acumula perto do chão)
- Tem, em volume igual, cerca do dobro do poder calorífico do gás encanado
- Não depende de rede de distribuição, por isso pode ser usado em qualquer lugar do país, inclusive em áreas rurais sem tubulação
- O preço é definido livremente por cada fornecedora, no chamado "sistema de tarifa livre"
Para quem conhece a realidade brasileira, a comparação é direta: o gás de botijão japonês funciona como o GLP em botijão (P13) entregue em residências sem gás encanado, situação comum em cidades do interior e em condomínios sem rede da Comgás, Naturgy ou outras distribuidoras regionais. Assim como no Brasil, onde o preço do botijão varia livremente entre revendedores (e é acompanhado pela ANP), no Japão cada fornecedora de GLP também tem liberdade total para fixar seu próprio preço — por isso vale a pena comparar fornecedores.
Características do gás encanado
O gás encanado tem o gás natural como matéria-prima principal e é fornecido por meio de tubulações subterrâneas. Três grandes empresas — Tokyo Gas, Osaka Gas e Toho Gas — respondem juntas por cerca de 70% do fornecimento nacional de gás encanado.
- É mais leve que o ar (em caso de vazamento, o gás se acumula perto do teto)
- Só está disponível em áreas onde a rede de tubulação já foi instalada
- Por ser tratado como serviço público essencial, o preço é relativamente estável
É o equivalente direto do gás natural encanado distribuído no Brasil por concessionárias estaduais como Comgás (São Paulo), CEG (Rio de Janeiro) ou Bahiagás. Assim como no Japão, a cobertura depende inteiramente de a rua ter (ou não) uma rede de distribuição instalada — por isso, em grande parte das cidades brasileiras, especialmente fora das capitais, o gás de botijão continua sendo a única opção viável para a maioria das residências.
Por que o tipo de gás merece atenção na hora de escolher um imóvel para alugar?
Como o tipo de gás afeta diretamente o valor das contas mensais, esse é um critério importante ao escolher um imóvel para morar.
Por que o gás de botijão é mais caro
Os três principais motivos pelos quais o gás de botijão custa mais que o gás encanado são:
- Tarifa livre: cada fornecedora pode definir seu próprio preço, sem teto regulatório
- Custo de distribuição: a entrega e a troca dos botijões exigem mão de obra e transporte
- Contrato de comodato de equipamentos: o custo dos aparelhos cedidos gratuitamente pela fornecedora costuma ser embutido no preço do gás
De forma geral, diz-se que a conta mensal de gás de botijão fica de 1,5 a 2 vezes mais cara que a de gás encanado, para um consumo equivalente.
Quem já pagou conta de gás de botijão no Brasil reconhece essa diferença de longe: um domicílio abastecido só por botijão gasta, em média, bem mais por unidade de energia do que um domicílio com gás encanado, exatamente pela falta de rede fixa e pelo custo logístico da distribuição porta a porta. O modelo de "comodato de equipamento" japonês também tem equivalente por aqui: fornecedoras que cedem fogão, aquecedor ou botijão em regime de comodato costumam vincular o cliente a um contrato de fornecimento exclusivo por um período mínimo, prática que encarece a conta para quem tenta trocar de fornecedor antes do prazo.
É possível trocar de fornecedora de gás de botijão morando de aluguel?
Em resumo, o inquilino não pode, por conta própria, trocar de fornecedora de gás de botijão. Isso porque o contrato com a empresa de gás é firmado pelo proprietário do imóvel (o "dono do prédio"), e não pelo inquilino.
Como conversar com o proprietário
Se você acha a conta de gás cara demais, o primeiro passo é conversar com o proprietário ou com a administradora e propor uma revisão da tarifa ou a troca de fornecedora. É eficaz levar para essa conversa:
- Dados comparando sua tarifa atual com a média praticada na região
- Orçamentos de outras fornecedoras de gás
- O argumento de que uma conta de gás muito alta pode ser motivo para você deixar o imóvel
Passo a passo para trocar de fornecedora de gás de botijão (para proprietários)
- Verificar o contrato vigente (se há comodato de equipamento e quanto tempo falta para o fim do contrato)
- Solicitar orçamentos a várias fornecedoras de gás
- Confirmar se há multa por rescisão antecipada e qual o valor
- Fechar contrato com a nova fornecedora e executar a obra de troca
É um processo parecido com o que um proprietário no Brasil enfrenta ao rever um contrato de comodato de botijão vinculado: checar as cláusulas do contrato em vigor, pedir cotações a distribuidoras concorrentes e confirmar eventual multa contratual antes de assinar com a nova fornecedora.
É possível trocar do gás de botijão para o gás encanado?
Se o imóvel estiver dentro da área de cobertura do gás encanado, a troca do gás de botijão para o gás encanado é possível. Porém, é preciso atender às seguintes condições.
- O imóvel precisa estar dentro da área de fornecimento de gás encanado
- A rede principal de gás precisa já estar instalada na rua em frente ao imóvel
- É preciso arcar com o custo da obra de ligação (em torno de 100 a 200 mil ienes)
- É preciso arcar com o custo de troca dos aparelhos a gás (substituição por modelos compatíveis com gás encanado)
É basicamente a mesma conta que um morador brasileiro faz quando a rede de gás encanado finalmente chega à sua rua: a concessionária costuma cobrar uma taxa de ligação, e todos os aparelhos a gás da casa — do aquecedor ao fogão — precisam ser adaptados ou trocados, já que o gás de botijão e o gás encanado têm pressões de trabalho diferentes e não são intercambiáveis sem os devidos kits de conversão.
Como funciona o cancelamento do contrato de gás de botijão?
O cancelamento do contrato de gás de botijão segue as seguintes etapas.
Fluxo do cancelamento
- Comunicar a intenção de cancelar à fornecedora atual (o contato costuma estar na fatura ou no comprovante de leitura do medidor)
- Definir a data de cancelamento (em geral, com uma antecedência de 1 semana a 10 dias)
- Agendar a data de retirada dos botijões e do medidor
- O cancelamento se completa com a retirada dos equipamentos
Ao trocar para uma nova fornecedora
Ao trocar de fornecedora, na maioria dos casos a nova empresa se encarrega de avisar o cancelamento e solicitar a retirada dos equipamentos à fornecedora antiga em nome do cliente. Basta apresentar o formulário de solicitação e uma procuração, e o restante do processo fica por conta da nova fornecedora.
A lógica é semelhante à de uma troca de fornecedor de gás a granel no Brasil: ao fechar com a nova distribuidora, é comum que ela própria organize a retirada do botijão ou do reservatório da fornecedora anterior, já que o equipamento normalmente pertence à empresa de gás, e não ao morador — tanto lá quanto aqui.
Quais são as formas de economizar na conta de gás?
Mesmo quando trocar de fornecedora não é uma opção viável, pequenos hábitos do dia a dia ajudam a reduzir a conta de gás.
- Ajustar a temperatura da água a um nível adequado: evitar configurar o aquecedor mais quente do que o necessário
- Reduzir o número de vezes que a água da banheira é reaquecida: combinar os horários de banho da família
- Instalar um chuveiro economizador de água: pode reduzir o consumo de gás em 20% a 30%
- Usar com eficiência a função de reaquecimento da banheira: usar uma capa térmica para manter o calor
São basicamente as mesmas medidas que um domicílio abastecido por botijão adotaria no Brasil: baixar a temperatura do aquecedor de água, concentrar os banhos da família em um intervalo curto, instalar chuveiros e arejadores economizadores, e isolar termicamente o reservatório de água quente — tudo isso reduz o consumo de GLP independentemente de qual país está com o botijão no quintal.
Perguntas frequentes (FAQ)
P. O inquilino pode trocar a fornecedora de gás de botijão?
R. Em regra, não. Como o contrato com a fornecedora de gás é firmado pelo proprietário, quem quiser trocar precisa antes conversar com ele.
P. Qual é a diferença de preço mensal entre o gás de botijão e o gás encanado?
R. Varia conforme a região e a fornecedora, mas, de forma geral, o gás de botijão custa de 1,5 a 2 vezes mais que o gás encanado.
P. Há multa para cancelar o contrato de gás de botijão?
R. Se houver um contrato de comodato de equipamento, o cancelamento antes do fim do prazo contratual pode gerar multa proporcional ao período restante.
P. Qual a alternativa em áreas onde não há gás encanado disponível?
R. É importante pedir orçamentos a várias fornecedoras de gás de botijão e escolher uma com tarifa justa. Migrar para uma residência totalmente elétrica também é uma alternativa a se considerar.
