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Como converter um apartamento em imóvel para escritório ou SOHO no Japão | rentabilidade, carga tributária e alteração de registro

Vantagens, desvantagens, carga tributária e procedimentos de alteração de registro ao converter um apartamento vago em imóvel para escritório ou SOHO no Japão, na ótica do proprietário. Leitura essencial para quem busca melhorar a rentabilidade.

Última atualização: Leitura de cerca de 3 min

Converter em imóvel para escritório ou SOHO um apartamento (アパート, apāto — no Japão, prédio residencial de pequeno porte, em geral de dois a três andares, com estrutura leve ou de madeira) que permanece vago vem ganhando atenção à medida que cresce a demanda de freelancers e do trabalho remoto. Se, por um lado, isso melhora a rentabilidade e combate a vacância, por outro há muitos pontos que exigem atenção — carga tributária, alteração contratual e procedimentos de registro imobiliário.

Existe mesmo demanda para usar apartamentos como escritório?

Com a difusão do trabalho remoto e do trabalho autônomo, a demanda por usar apartamentos como escritório vem crescendo de forma consistente no Japão. Como o aluguel é mais baixo do que o de uma sala comercial convencional e o ambiente é mais tranquilo para trabalhar, esse formato é popular entre profissionais autônomos (個人事業主, kojin jigyōnushi) e pequenas pessoas jurídicas. Diferentemente do investidor brasileiro, habituado a separar com nitidez salas comerciais em edifícios corporativos das unidades residenciais, no Japão a fronteira entre morar e trabalhar dentro de um mesmo tipo de imóvel é mais fluida — e é justamente essa flexibilidade que cria a oportunidade.

Vantagens e desvantagens dos imóveis liberados para escritório

Vantagens

  • Melhora da rentabilidade: é possível fixar um aluguel por metro quadrado mais alto do que no uso residencial, com receita relativamente estável
  • Caução elevada é possível: em lojas e escritórios, é comum uma caução (保証金, hoshōkin) equivalente a 3 meses a 1 ano de aluguel — bem acima do padrão residencial brasileiro, de cerca de 1 a 3 aluguéis de depósito
  • Restauração por conta do inquilino: como a obrigação de restauração (原状回復, genjō-kaifuku — devolver o imóvel ao estado original) recai sobre o locatário, o proprietário reduz o próprio encargo de reparos
  • Combate à vacância: instalar no térreo um inquilino como uma loja de conveniência também valoriza o prédio para os demais ocupantes

Desvantagens

  • Risco de vacância: em períodos de retração econômica, o locatário pode desocupar de imediato, e o período de vacância pode se prolongar
  • Análise de crédito mais rígida: as instituições financeiras avaliam imóveis de escritório e loja com critérios mais rigorosos
  • Impossibilidade de contratar seguro contra terremotos: o seguro contra terremotos (地震保険, jishin hoken) só cobre imóveis exclusivamente residenciais ou de uso misto — uma preocupação típica do Japão, país de alta sismicidade, e sem paralelo direto no mercado brasileiro

Quais os cuidados ao transformar um apartamento em imóvel liberado para escritório?

Alteração do contrato de locação

O conteúdo do contrato difere entre o uso residencial e o uso como escritório. É indispensável elaborar um contrato específico para escritório, discriminando o valor e a existência da caução e o escopo da restauração. No Japão, os contratos residenciais e os comerciais seguem regimes distintos, e misturá-los gera insegurança jurídica.

Definição do aluguel

Como o uso como escritório aumenta o fluxo de terceiros, é comum fixar aluguel e depósito (敷金, shikikin) mais altos do que no uso residencial, considerando riscos de segurança e de conflitos. Convém também deixar expresso no contrato o escopo da restauração (piso, paredes, divisórias, fiação, remoção de instalações).

Mudança na carga tributária

Ao migrar do uso residencial para o uso como escritório, deixa de valer o benefício de imposto predial para terrenos residenciais (redução de 1/6, entre outros). Esse benefício — a redução do imposto sobre a propriedade fixa (固定資産税, kotei shisan zei, equivalente japonês ao IPTU) para terrenos com moradia — é uma particularidade japonesa: no Brasil, o IPTU não tem um abatimento automático dessa magnitude apenas por ser residencial. Além disso, aluguel, luvas (礼金, reikin — valor não reembolsável pago ao proprietário no início da locação) e taxa de renovação (更新料, kōshinryō), isentos no aluguel residencial, passam a ser tributados pelo imposto sobre o consumo (消費税, shōhizei — semelhante em ideia ao ICMS/ISS brasileiro). Ao projetar a receita, considere sempre esse acréscimo de carga tributária.

Procedimento de alteração do registro

É preciso protocolar o registro de alteração da descrição do edifício (建物表示変更登記, tatemono hyōji henkō tōki) em até 1 mês a partir da mudança de finalidade (art. 44, inciso 1, da Lei de Registro de Imóveis do Japão). Ao cartório de registro competente (法務局, Hōmukyoku — Departamento de Assuntos Jurídicos) são apresentados o requerimento, o atestado de residência, o comprovante de propriedade e fotos da situação alterada, e a conclusão sai em 1 a 2 semanas após o protocolo. Diferentemente do Brasil, onde a mudança de uso costuma passar pela prefeitura e pelo cartório de registro de imóveis, no Japão esse ato registral é obrigatório e tem prazo legal curto.

O que é SOHO? Diferença em relação ao imóvel liberado para escritório

SOHO (Small Office/Home Office) é um formato de imóvel que pode ser usado simultaneamente como residência e escritório. Enquanto o imóvel liberado para escritório opera sob contrato comercial, o imóvel SOHO usa contrato residencial — por isso não incide o imposto sobre o consumo, e a parcela destinada ao trabalho pode ser rateada como despesa dedutível, o que representa vantagem tanto para o proprietário quanto para o inquilino.

Sobre estratégias de maximização da receita de imóveis para locação, consulte também por que a definição do aluguel determina o preço de venda.

Perguntas frequentes (FAQ)

Q1. É possível converter para uso de escritório um imóvel que já tem inquilino?

A conversão em si é possível, mas comunicar e ter consideração com o inquilino atual é indispensável. Notificar previamente e por escrito os moradores vizinhos, explicando o ramo de atividade, o fluxo de pessoas e o ruído, ajuda a evitar conflitos.

Q2. Ao autorizar o uso como escritório, o que acontece com o seguro contra incêndio?

O imóvel pode deixar de ser coberto pelo seguro residencial contra incêndio. É preciso migrar para um seguro voltado a imóveis de uso comercial ou acrescentar uma cláusula específica. Confirme com a seguradora.

Q3. É possível captar inquilinos para um imóvel de escritório por conta própria?

A captação individual é difícil, e recorrer a uma empresa especializada é mais eficaz. Empresas de captação de inquilinos abordam o mercado por meios diversos: anúncios em portais, prospecção, panfletos e revistas de informação.

Q4. Qual o procedimento para voltar ao uso residencial?

É necessário o registro de alteração da descrição do edifício em até 1 mês a partir da mudança. Também é importante já incluir no contrato, desde a assinatura, condições que pressuponham o retorno ao uso residencial.

Q5. Quais medidas tomar se a vacância se prolongar?

São eficazes revisar o aluguel, oferecer o imóvel no formato inuki (居抜き — com as instalações e o mobiliário do ocupante anterior), trocar equipamentos e reforçar a segurança. Também é importante criar ocasiões periódicas para ouvir a opinião dos inquilinos.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
  • Responsável certificado pela proteção de dados pessoais
  • Gerente de prevenção de incêndio classe A
  • Especialista certificado em imóveis arrematados
  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito