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Guia de Substituição de Equipamentos em Imóveis para Locação no Japão: Prazos, Custos e Como Contabilizar Cada Reforma

Um guia completo sobre a substituição de equipamentos fixos em imóveis para locação no Japão — um sistema em que o proprietário, e não o inquilino, fornece fogão embutido, coifa, aquecedor de água e ar-condicionado. Veja prazos de troca, custos aproximados em reais e como contabilizar cada reforma na declaração de imposto de renda japonesa.

Última atualização: Leitura de cerca de 4 min

No Japão, os imóveis para locação seguem um modelo de equipamentos fixos (設備, setsubi, os equipamentos embutidos que pertencem ao imóvel, não ao inquilino) muito diferente do padrão ocidental: é o proprietário — e não o locatário — quem instala e mantém o fogão embutido, a coifa, o aquecedor de água e o ar-condicionado. Para um investidor brasileiro ou português acostumado a imóveis alugados “na laje”, em que o inquilino leva seu próprio fogão e geladeira, essa é uma das diferenças estruturais mais importantes do mercado japonês: o custo de reposição desses equipamentos é, por padrão contratual e por norma de mercado, uma responsabilidade do proprietário. Ignorar isso e reagir somente depois que o equipamento quebra gera transtornos sérios para o inquilino — um chuveiro que para de esquentar ou uma torneira que não fecha pode ser motivo suficiente para o inquilino não renovar o contrato. Este artigo detalha, equipamento por equipamento, o prazo médio de vida útil, os sinais de que a troca é necessária e o custo aproximado de cada substituição, convertido em reais para referência do investidor.

Pontos de atenção na substituição de cada equipamento do imóvel para locação

No Japão, a maioria dos equipamentos fixos de um imóvel para locação tem vida útil recomendada de cerca de 10 anos, embora esse prazo varie conforme o uso e a frequência de utilização pelo inquilino. Diferentemente de um condomínio residencial no Brasil, onde cada equipamento é de responsabilidade individual do morador, no sistema japonês o proprietário mantém um cronograma de manutenção predial que cobre todos esses itens. A seguir, os pontos de atenção específicos de cada equipamento.

Fogão a gás embutido (ビルトインコンロ)

O fogão a gás embutido, ou built-in konro, é o padrão em cozinhas de aluguel no Japão — ao contrário de muitos mercados ocidentais, em que o fogão costuma ser um eletrodoméstico avulso trazido pelo próprio inquilino. Usar um fogão além da sua vida útil representa risco real de incêndio. Fique atento aos seguintes sinais de mau funcionamento:

  • A chama apaga sozinha logo após acender: geralmente causado por bateria descarregada ou sujeira no ponto de ignição. Se a limpeza ou a troca da bateria não resolver, pode indicar avaria do equipamento.
  • A cor da chama está anormal: uma chama avermelhada ou alaranjada é sinal de combustão incompleta, o que traz risco de intoxicação por monóxido de carbono.
  • Cheiro de gás: pode indicar vazamento. Interrompa o uso imediatamente e acione um técnico.

O custo do equipamento em si fica entre ¥70.000 e ¥100.000 (aprox. R$2.700 a R$3.850), somado a mais ¥10.000–¥20.000 (aprox. R$385 a R$770) de instalação. Comparar orçamentos de diferentes prestadores de serviço ajuda a reduzir esse custo total.

Coifa (レンジフード)

A coifa japonesa muda de característica conforme o formato — uma variação técnica pouco comum em cozinhas ocidentais, onde predomina um único modelo de exaustor de parede.

  • Sem carenagem (tipo hélice exposta): a hélice fica instalada diretamente na parede e sofre mais influência da temperatura externa.
  • Tipo raso: mais compacta, porém acumula gordura com facilidade e exige limpeza frequente.
  • Tipo funda (formato “bota”): o modelo mais difundido no Japão hoje, equipado com filtro que reduz a dispersão de gordura no ambiente.

Aquecedor de água (給湯器)

O aquecedor de água a gás — o kyūtōki, equipamento central do banho japonês, que também alimenta a função de reaquecimento automático da banheira, um recurso raro fora do Japão — tem vida útil de 10 a 15 anos. Os sinais a seguir indicam que a troca é necessária:

  • A temperatura da água não fica estável.
  • Surgem ruídos ou odores estranhos.
  • A função de reaquecimento da banheira demora mais que o normal.
  • O controle remoto exibe códigos de erro com frequência.

Ar-condicionado (エアコン)

O ar-condicionado tem vida útil de 10 a 13 anos. Se o desempenho de resfriamento ou aquecimento cair, surgirem ruídos incomuns ou houver vazamento de água, é hora de considerar a substituição.

Instalações hidráulicas (水回り設備)

Vaso sanitário, pia do banheiro e box do chuveiro têm como referência de troca o período de 15 a 20 anos. Assim como no cuidado com qualquer sistema hidráulico, agir cedo diante de vazamentos ou rachaduras evita que o dano se espalhe para a estrutura do prédio como um todo.

Qual é o prazo estimado de substituição de cada equipamento em um imóvel para locação?

A tabela a seguir resume o prazo de substituição e a faixa de custo de cada equipamento principal, com valores aproximados também em reais (câmbio de referência: ¥26 = R$1,00).

EquipamentoPrazo estimado de trocaFaixa de custo da substituição
Fogão a gás embutido10 a 15 anos¥80.000–¥120.000 (aprox. R$3.080–R$4.620)
Coifa8 a 10 anos¥70.000–¥150.000 (aprox. R$2.700–R$5.770)
Aquecedor de água10 a 15 anos¥100.000–¥250.000 (aprox. R$3.850–R$9.620)
Ar-condicionado10 a 13 anos¥50.000–¥150.000 (aprox. R$1.920–R$5.770)
Vaso sanitário15 a 20 anos¥50.000–¥200.000 (aprox. R$1.920–R$7.690)
Torneira/registro do banheiro10 a 15 anos¥20.000–¥50.000 (aprox. R$770–R$1.920)
Interfone10 a 15 anos¥30.000–¥100.000 (aprox. R$1.150–R$3.850)

Vale a pena substituir um equipamento que ainda não quebrou?

A resposta é sim: recomenda-se a substituição planejada mesmo quando o equipamento ainda funciona. No mercado de locação japonês, onde a concorrência entre imóveis é acirrada e o inquilino compara friamente as condições oferecidas antes de assinar, essa antecipação costuma compensar. Os motivos são os seguintes:

  • Redução da vacância: equipamentos novos são um diferencial competitivo direto na hora de atrair inquilinos, especialmente em grandes cidades como Tóquio e Osaka, onde a oferta de imóveis é grande.
  • Eficiência energética: os aquecedores de água e aparelhos de ar-condicionado mais recentes têm ganhos expressivos de eficiência energética em comparação aos modelos antigos.
  • Prevenção de emergências: uma substituição planejada evita o custo elevado de um atendimento emergencial e a insatisfação do inquilino diante de uma quebra repentina.

Quais itens o próprio inquilino deve substituir?

Diferentemente da distribuição de responsabilidades observada em muitos contratos de locação ocidentais — em que praticamente toda manutenção recai sobre o proprietário —, o sistema japonês atribui explicitamente ao inquilino a reposição de itens de consumo de baixo custo. Em regra, os seguintes itens são substituídos por conta do próprio inquilino:

  • Lâmpadas e tubos fluorescentes das luminárias.
  • Limpeza do filtro do ar-condicionado.
  • Vedações de borracha (para evitar vazamento nas torneiras).
  • Pilhas do controle remoto.

Já a avaria do próprio equipamento, ou o desgaste decorrente do tempo de uso, é de responsabilidade do proprietário. É importante deixar essa divisão de responsabilidades explícita no contrato de locação para evitar disputas.

A substituição de equipamentos em imóvel para locação pode ser lançada como despesa?

Pode. O custo da substituição de equipamentos pode ser lançado como despesa de reparo (修繕費, shūzenhi) ou como investimento de capital (資本的支出, shihonteki shishutsu) na declaração anual de imposto de renda japonesa (確定申告, kakutei shinkoku). Essa distinção entre despesa de reparo e investimento de capital é uma peculiaridade da legislação tributária japonesa e não tem equivalente direto e automático nas regras brasileiras de depreciação, que costumam tratar reformas de forma mais uniforme:

  • Lançamento integral como despesa de reparo: uma substituição feita para restaurar o estado original do imóvel ou manter sua funcionalidade pode ser lançada integralmente como despesa no mesmo ano fiscal.
  • Depreciação como investimento de capital: quando a troca envolve upgrade ou ganho de funcionalidade em relação ao equipamento original, o valor é depreciado ao longo de vários anos, conforme a vida útil fiscal do item.

Quando a classificação não é óbvia, a prática mais comum é lançar como despesa de reparo qualquer gasto individual abaixo de ¥200.000 (aprox. R$7.690). Diante de dúvida, o recomendável é consultar um contador especializado em imposto japonês (税理士, zeirishi).

Perguntas frequentes (FAQ)

É possível trocar um equipamento com o inquilino ainda morando no imóvel?

Sim. Mediante combinação prévia de data e horário com o inquilino, a substituição pode ser feita normalmente com o imóvel ocupado. Equipamentos essenciais ao dia a dia, como aquecedor de água e vaso sanitário, no entanto, exigem atendimento rápido assim que o problema é identificado.

O que acontece se o inquilino substituir um equipamento por conta própria?

Em regra, o inquilino não tem autorização para substituir equipamentos do imóvel por iniciativa própria. Isso pode gerar a exigência de restauração ao estado original (原状回復, genjō kaifuku — o conjunto de normas japonesas, definido em diretrizes do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo, que rege quem paga por cada tipo de desgaste ao final do contrato) no momento da desocupação. Por isso, é importante orientar o inquilino a sempre contatar o proprietário ou a administradora antes de qualquer intervenção.

A substituição de equipamentos aumenta a satisfação do inquilino?

Sim. O quão novos estão os equipamentos tem impacto direto na satisfação do inquilino — em especial no Japão, onde a qualidade percebida das instalações hidráulicas e do ar-condicionado costuma pesar mais na decisão de locação do que em outros mercados, funcionando como um diferencial relevante na impressão geral que o imóvel transmite.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
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  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito