Para não se arrepender na hora de comprar ou alugar um apartamento, é preciso ter um conhecimento estruturado que vai desde a leitura da planta até a escolha do layout mais adequado ao seu estilo de vida.
Você sabe realmente ler as abreviações usadas nas plantas de apartamentos?
As plantas de imóveis no Japão utilizam diversas abreviações. Vamos revisar as principais.
- R (Room, quarto): abreviação usada exclusivamente em plantas do tipo 1R, que designam um cômodo único.
- L (Living, sala de estar): espaço destinado ao descanso e à convivência.
- D (Dining, sala de jantar): espaço destinado às refeições.
- K (Kitchen, cozinha): espaço destinado ao preparo dos alimentos.
- S (Service Room, cômodo de serviço): espaço que não atende aos critérios legais de iluminação e ventilação exigidos para ser considerado um cômodo habitável.
- WIC (Walk-In Closet): closet grande o suficiente para uma pessoa entrar.
- N (Nando, despensa) ou ST: espaço destinado exclusivamente a armazenamento.
- UB (Unit Bath, banheiro modular): banheiro pré-fabricado, disponível em versões de 1, 2 ou 3 peças integradas.
- DEN: cômodo pequeno para escritório ou hobby, que não atende aos critérios de cômodo habitável.
Outras abreviações úteis: W (espaço para máquina de lavar), R (espaço para geladeira, quando usada nesse sentido), PS (espaço para tubulações) e SIC (closet para calçados, com acesso direto pela entrada).
Quais são os principais tipos de planta de apartamento?
Planta em formato "tanojigata" (formato do caractere 田)
É o tipo de planta mais tradicional. Os cômodos ficam distribuídos ao redor de um corredor central e da área molhada (cozinha e banheiro), repetindo-se de forma simétrica entre os andares acima, abaixo e ao lado. É uma estrutura que reduz problemas de ruído entre vizinhos, mas tem como desvantagem a menor privacidade dos cômodos voltados para o corredor externo.
Planta "wide span" (fachada larga)
Tem a fachada voltada para a varanda mais larga (geralmente acima de 7 metros), e vários cômodos ficam voltados para o lado sul, o que garante excelente incidência de luz e ventilação. É um formato popular entre famílias que valorizam a convivência, mas exige atenção ao calor no verão e à privacidade quando há visitas.
Planta "center-in" (entrada central)
A entrada fica próxima ao centro do apartamento, o que permite separar claramente as áreas comuns das áreas privativas. O corredor é curto e o fluxo de circulação é eficiente, mas esse formato costuma aparecer em empreendimentos de alto padrão, com aluguel ou preço de compra mais elevado.
Unidade de canto (kado-beya)
Como três lados ficam voltados para o exterior, a iluminação e a ventilação são melhores, e há apenas uma unidade vizinha, o que facilita a privacidade — esse é o grande atrativo desse tipo de unidade. Por outro lado, o isolamento térmico costuma ser inferior ao das unidades centrais, o que pode elevar a conta de energia.
Como escolher a planta ideal para cada fase da vida?
A planta mais adequada muda conforme a fase da vida.
- Morando sozinho(a): de 1R a 1DK (1R para priorizar custo, 1K a 1DK para quem cozinha em casa ou valoriza mais privacidade).
- Casais e recém-casados: de 1LDK a 2DK.
- Famílias com filhos pequenos (até o ensino fundamental 1): 2LDK (ou 3LDK, se houver mais de um filho).
- Famílias com filhos adolescentes: de 2LDK a 3LDK (é importante garantir quartos individuais).
- Casais cujos filhos já saíram de casa: de 1LDK a 2LDK (vale considerar reduzir o tamanho do imóvel para facilitar a manutenção).
- Quem planeja morar com os pais: 2LDK ou mais.
Também é uma boa estratégia escolher uma planta um nível acima da necessidade atual, prevendo mudanças futuras na composição familiar.
Quais pontos verificar para escolher uma planta confortável no dia a dia?
- Espaço de armazenamento: o ideal é que represente cerca de 8% da área total; famílias com muitos hobbies devem buscar um percentual maior.
- Fluxo de circulação no dia a dia: verifique, na visita ao imóvel, o trajeto entre compras e despensa, e entre a lavanderia e o varal.
- Independência dos cômodos: espessura das paredes, isolamento acústico e a presença de portas ou armários que funcionem como divisórias.
- Vigas e pilares salientes: é possível identificá-los comparando as medidas de pé-direito (CH, ceiling height) indicadas na planta.
- Localização dentro do prédio: evite unidades próximas ao hall do elevador ou outros pontos que costumam gerar ruído.
Sob a ótica da estratégia de diferenciação na gestão de locação, propor uma planta alinhada ao estilo de vida do público-alvo também é uma ferramenta eficaz contra a vacância.
Perguntas frequentes (FAQ)
P1. Um 1LDK é maior do que um 2DK?
Por definição, o 1LDK precisa ter uma sala de estar, jantar e cozinha com pelo menos 8 tatames (cerca de 13 m²), o que costuma ser maior do que a sala de jantar e cozinha de um 2DK (entre 4,5 e 8 tatames). Como a área total varia de imóvel para imóvel, é importante sempre conferir a metragem real.
P2. O cômodo "S" da planta pode ser usado como quarto?
O "S" é chamado de cômodo de serviço e não atende aos requisitos legais de cômodo habitável (iluminação e ventilação) previstos na lei de edificações do Japão. Na prática, costuma ser usado como despensa, escritório ou quarto de criança, mas não pode ser tratado formalmente como um cômodo habitável.
P3. Apartamentos com planta "tanojigata" têm muito problema de ruído entre vizinhos?
Como, na planta tanojigata, as unidades acima, abaixo e ao lado seguem a mesma disposição, salas e quartos costumam não ficar diretamente vizinhos entre si, o que já ajuda a reduzir o ruído. Ainda assim, é importante verificar o desempenho de isolamento acústico das paredes e do piso (índices L e D, usados no Japão).
P4. É possível reformar a planta de um apartamento?
Em apartamentos próprios (não alugados), a reforma da planta costuma ser possível dentro dos limites do regulamento do condomínio. No entanto, há restrições relacionadas à posição de paredes estruturais e tubulações. Em imóveis alugados, a reforma da planta, via de regra, não é permitida.
P5. Quais pontos considerar ao escolher um apartamento pensando na terceira idade?
É importante priorizar um fluxo de circulação sem desníveis, verificar a existência e a localização do elevador, e garantir espaço para instalação futura de barras de apoio. Vale a pena buscar imóveis já adaptados para acessibilidade ou com uma planta que facilite reformas futuras nesse sentido.
