Muitos moradores no Japão sonham em ter um gato dentro de casa. Antes de adotar, porém, é preciso entender pontos específicos do mercado imobiliário japonês, como confirmar se o imóvel realmente permite animais e como prevenir conflitos com a vizinhança. Vale um esclarecimento logo de início, porque a palavra japonesa manshon (マンション) engana o leitor brasileiro: ela não significa mansão. Trata-se de um apartamento em edifício de concreto de médio ou alto padrão, bem diferente da residência luxuosa que o termo evoca em português. É nesse tipo de moradia vertical e compacta, típica das grandes cidades japonesas, que a maioria das pessoas cria gatos. Neste guia explicamos as vantagens e desvantagens de criar um gato em um apartamento japonês, as raças mais fáceis de manter e os itens que você deve preparar.
Por que o gato é o animal mais indicado para um apartamento no Japão?
Diferentemente do Brasil, onde muitas famílias têm casa com quintal e espaço para um cão, a vida urbana no Japão acontece majoritariamente em unidades verticais compactas, sem área externa privativa. Nesse contexto, o gato leva vantagem. Para o investidor estrangeiro que compra imóveis residenciais para locação no Japão, entender essa preferência ajuda a posicionar o imóvel: unidades que aceitam gatos costumam atrair inquilinos fiéis e de permanência longa. Os quatro principais motivos são os seguintes.
- Bom para ficar sozinho: não precisa de passeio e raramente erra o local de necessidades, adaptando-se bem a quem passa o dia fora de casa
- Dispensa passeios: com um ambiente interno adequado, como uma torre para gatos (cat tower), é perfeitamente possível criá-lo exclusivamente dentro de casa
- Miado discreto: por não latir como um cão, gera menos atrito com a vizinhança (exceto no período de cio)
- Porte pequeno: em geral pesa de 3 a 5 kg, convivendo com conforto mesmo no espaço reduzido de um apartamento japonês
Quais as vantagens de criar um gato em um apartamento japonês?
As principais vantagens de criar um gato em um apartamento japonês são três. Em um país onde o envelhecimento populacional e os domicílios de uma só pessoa são muito mais acentuados do que no Brasil, esses benefícios têm peso social e explicam por que a demanda por moradias que aceitam animais cresce de forma consistente.
Fácil de criar em qualquer faixa etária
Por exigir pouco adestramento e nenhum passeio, é um animal fácil de manter para pessoas de todas as idades, de crianças a idosos. Vale lembrar, porém, que a expectativa de vida é longa, de 14 a 15 anos em média, e que as idas ao veterinário aumentam à medida que o gato envelhece. Diferentemente do Brasil, onde há redes veterinárias abundantes e populares em quase todo bairro, o dono no Japão deve planejar esse acompanhamento de longo prazo com antecedência.
Efeito reconfortante
Para quem mora sozinho, a presença do gato traz ânimo e sentido ao dia a dia. Poder construir um vínculo profundo, tendo o animal como companheiro e parceiro, é um dos grandes encantos do gato, algo especialmente valorizado nas metrópoles japonesas, onde a vida individual é a norma.
Adequado à educação emocional das crianças
Cuidar de um animal desenvolve senso de responsabilidade e empatia e cria oportunidades de aprender o valor da vida. Essa dimensão educativa é reconhecida em qualquer cultura, mas no Japão costuma ser um argumento frequente das famílias ao escolher justamente o gato, mais discreto e adequado ao espaço vertical.
Quais as desvantagens de criar um gato em um apartamento japonês?
Ao lado das vantagens, existem desvantagens que devem ser conhecidas com antecedência. Aqui aparece um ponto muito particular do Japão: o sistema do shikikin (敷金, depósito de garantia) e a obrigação de genjō kaifuku (原状回復, restauração do imóvel ao estado original na saída). Diferentemente do Brasil, regido pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), no Japão a devolução do imóvel exige entregá-lo próximo às condições iniciais, e danos causados pelo animal tendem a ser cobrados do inquilino.
- Aumento do custo de saída por arranhões e sujeira: danos por unhas ou necessidades fora do lugar costumam ser de responsabilidade do inquilino e, quando ultrapassam o valor do shikikin (depósito), podem gerar cobrança adicional
- Cuidado com alergias: o risco alérgico causado por pelos e escamas de pele afeta não apenas o próprio dono, mas também eventuais visitantes
- Risco de fuga: a fuga para o corredor do prédio ou para a unidade vizinha é fonte de conflito com a vizinhança; controle rigorosamente portas e telas de proteção
- Miado (período de cio): gatas não castradas podem miar alto no cio; considere a cirurgia com antecedência
Quais raças de gato são mais fáceis de criar em apartamento no Japão?
Conforme a raça, variam o temperamento, o nível de atividade e o volume do miado. Reunimos abaixo as características das raças mais adequadas à criação em um apartamento japonês. Para o investidor, esse conhecimento é útil ao apresentar o imóvel: destacar que a unidade acolhe bem gatos de perfil tranquilo é um diferencial de posicionamento no competitivo mercado de locação das grandes cidades japonesas.
- Scottish Fold: dócil e de miado baixo, adapta-se à vida silenciosa dentro de casa
- Ragdoll: tranquilo, gosta de colo e tem nível de atividade moderado
- Persa: calmo e de baixa necessidade de exercício, convive com conforto mesmo em espaços pequenos
- Gato japonês (sem raça definida): robusto e de grande capacidade de adaptação, é indicado também para quem cria um gato pela primeira vez
O que verificar antes de criar um gato em um apartamento japonês?
O mais importante é confirmar no contrato do imóvel se a criação de animais está autorizada. Mesmo com a indicação de petto ka (ペット可, imóvel que aceita animais), pode haver limite de quantidade ou distinção entre cães e gatos. Confirme também o kanri kiyaku (管理規約, regulamento interno do condomínio). Aqui há um contraste importante com o Brasil: enquanto no Brasil a jurisprudência do STJ costuma impedir que o condomínio proíba totalmente animais que não perturbem os demais, no Japão a lógica se inverte, pois a autorização precisa ser expressa e os imóveis que aceitam animais ainda são minoria. Se a criação sem permissão for descoberta, o inquilino pode ser obrigado a desocupar o imóvel.
Itens que você deve providenciar antes de começar a criar
- Banheiro e areia sanitária (tipos com efeito desodorizante ajudam na relação com a vizinhança)
- Torre para gatos e arranhador (favorecem o exercício em ambiente interno e evitam danos às paredes)
- Gaiola e caixa de transporte (necessárias para idas ao veterinário e emergências)
- Comedouros e fonte de água
- Brinquedos (úteis contra o sedentarismo e o estresse)
Perguntas frequentes (FAQ)
Q1. É possível criar um gato sem ser descoberto em um apartamento que não aceita animais?
Dificilmente passa despercebido: na maioria dos casos a situação é descoberta pelo cheiro, pelos pelos ou pelo miado. A criação sem permissão configura quebra de contrato e pode motivar despejo ou cobrança de multa. Escolha sempre um imóvel com autorização para animais (petto ka).
Q2. Os danos do gato em paredes e pisos são pagos integralmente na saída?
Mesmo em imóvel que aceita animais, danos por dolo ou negligência são de responsabilidade do inquilino. Quando não cabem dentro do valor do shikikin (depósito de garantia), há cobrança adicional. Como medida preventiva, prefira unidades com material de parede mais resistente a riscos ou disponibilize arranhadores em quantidade suficiente.
Q3. A castração é sempre necessária?
Para quem mora em apartamento, pode-se dizer que a castração é indispensável. Recomenda-se a cirurgia com antecedência tanto para evitar reclamações da vizinhança pelo miado no cio quanto para prevenir reprodução não planejada.
Q4. Em um apartamento, é melhor ter um gato ou vários?
Em geral, de um a dois gatos são mais fáceis de administrar. A criação de vários animais aumenta o odor, o trabalho de limpeza e os gastos veterinários, portanto decida considerando o tamanho do imóvel e o seu estilo de vida.
