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Quero abandonar a palavra "gestão" — repensar o ofício da administração imobiliária no Japão

No Japão, "administração imobiliária" (不動産管理, fudōsan kanri) carrega um tom de vigilância e processamento que subestima esse ofício. Veja como a INA&Associates o redefine: como a arte de cultivar, ao longo de décadas, o patrimônio, a vida e a confiança.

Última atualização: Leitura de cerca de 5 min

Este é um ensaio sobre um modo genuinamente japonês de olhar para o setor imobiliário. No Japão, o ofício da administração imobiliária (不動産管理業, fudōsan kanri-gyō) se organiza em torno de uma única palavra, 管理 (kanri), que significa "gestão", "controle" ou "custódia". Para o investidor estrangeiro acostumado ao termo anglo-saxão "property management", a diferença passa fácil despercebida. No entanto, a palavra japonesa carrega um tom ainda mais forte de vigilância e processamento, e essa nuance molda como toda a profissão enxerga o próprio valor.

No dia a dia, a administração imobiliária raramente termina com a entrega das chaves ou a contratação de reparos. Como acolher a inquietação de um inquilino? Até onde informar o proprietário com antecedência? O acúmulo dessas pequenas decisões transforma o valor de um imóvel.

Redefinir o ofício da administração imobiliária é deslocar o olhar: de "um ofício que administra" para "um ofício que cultiva o patrimônio e as vidas que ele abriga". Como termo regulatório, a gestão continua necessária. Mas nada obriga a aprisionar o trabalho real nessa única palavra.

Pontos-chave deste artigo

  • A administração imobiliária não é mera manutenção ou processamento; é o trabalho que cultiva o valor do patrimônio e as relações de confiança.
  • A palavra "gestão" pode ser necessária na regulação, mas não deve estreitar a nossa visão do próprio ofício.
  • A Lei de Administração de Moradias para Locação do Japão e o sistema de certificação de planos de administração de condomínios anunciam uma época em que a qualidade da gestão presta contas à sociedade.
  • A INA&Associates entende a administração imobiliária como um negócio em que proprietários, inquilinos e colaboradores constroem confiança no longo prazo.

O que significa redefinir a administração imobiliária? De "administrar" para "cultivar valor"

Redefinir o ofício da administração imobiliária é reinterpretar as inspeções diárias e o atendimento aos inquilinos como criação de valor de longo prazo. Receber o aluguel, contratar reparos, responder consultas: são tarefas essenciais. Mas não bastam para dizer o sentido do ofício.

O que nos é confiado não é apenas um edifício. Há o patrimônio que um proprietário construiu ao longo de anos. Há a vida dos inquilinos. Há o estado que se deseja deixar para a próxima geração.

Por exemplo, um mesmo reparo difere na qualidade do julgamento entre "quebrou, então consertamos" e "intervimos pensando no valor do ativo daqui a dez anos". Uma única palavra no momento da saída não é mero aviso administrativo: alimenta as condições do próximo anúncio e a reputação do imóvel. Diferentemente de muitos mercados ocidentais, em que o mandato de gestão é lido de forma estreita como operação e conformidade, a redefinição japonesa trata cada ponto de contato como uma alavanca de valor de longo prazo.

Se você quer repensar como o seu imóvel é administrado, comece fazendo mais do que folhear o relatório mensal. Pergunte-se: "esta administração está aumentando o valor futuro?" Ali aparecerá uma diferença que os números sozinhos não mostram.

Por que a palavra "gestão" soa estranha

A palavra 管理 (kanri) evoca vigiar, pôr em ordem, processar problemas. O campo imobiliário precisa dessa precisão. Mas só a precisão não basta.

É claro que não quero rejeitar por inteiro a palavra gestão. Contratos, leis, contabilidade, inspeções e reparos exigem uma gestão precisa. Embrulhar um trabalho vago em palavras bonitas é, antes, perigoso.

Ainda assim, não quero colocar só a palavra "gestão" no centro do ofício. Os melhores profissionais fazem um trabalho que vai além da gestão. Antecipam-se. Escutam a situação do outro. Aprendem as manias de cada imóvel. Dizem com honestidade as verdades difíceis.

Nos imóveis de madeira de Quioto (de estilo machiya), é preciso observar não só os equipamentos, mas também como a umidade e o som se propagam. Nos pequenos apartamentos para pessoas que moram sozinhas em Tóquio, um arranhão ou um cheiro após a saída pode pesar na resposta a um novo anúncio. Nos imóveis de renda de Osaka, a forma de lançar os custos de reparo influencia o preço de saída. Para o investidor estrangeiro, esse é o sinal concreto de onde a expertise de gestão local realmente compensa: o ofício é hiperlocal de um jeito que o rótulo genérico de "gestão" esconde.

Isso não é domínio. É observação, diálogo e preparação para o futuro.

A diferença entre a gestão regulatória e o papel que o campo exige

A gestão regulatória é a base para merecer a confiança da sociedade. O papel exigido no campo, por sua vez, está em como melhorar o patrimônio e as vidas sobre essa base.

O portal da Lei de Administração de Moradias para Locação do 国土交通省 (Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo, MLIT) organiza o regime de registro e a regularização das práticas da administração de moradias para locação. Isso mostra que a gestão se tornou um ofício que não pode se sustentar apenas no instinto e no costume individuais. Para o leitor de língua portuguesa, equivale, em linhas gerais, a um regime de licenciamento e transparência para corretores de locação — só que aplicado à própria empresa administradora, não apenas à intermediação.

Da mesma forma, o sistema de certificação de planos de administração de condomínios mostra que os planos de administração e o raciocínio de grandes reparos de longo prazo dizem respeito ao ambiente de moradia e ao valor do edifício. A qualidade da gestão já não é assunto só de bastidores.

É justamente por isso que penso que não devemos nos contentar em apenas cumprir a regulação. Está registrado? Os documentos estão em ordem? Você explicou o que deve ser explicado? Isso é o mínimo. Além disso: existe uma proposta sobre a qual o proprietário possa decidir com tranquilidade? Você consegue criar um estado em que os inquilinos queiram ficar por anos? Os colaboradores conseguem se orgulhar do próprio trabalho?

É essa diferença que vai separar, daqui em diante, o ofício da administração imobiliária.

Três perspectivas necessárias para redefinir a administração imobiliária

Ao repensar o ofício da administração imobiliária, valorizo três perspectivas: patrimônio, vida e relação. Uma empresa capaz de ver as três ao mesmo tempo torna-se a administradora escolhida no longo prazo.

Perspectiva Visão antiga Visão redefinida
Patrimônio Consertar o que quebrou Cultivar a rentabilidade e o valor de saída
Vida Atender reclamações Cultivar a tranquilidade e a satisfação do inquilino
Relação Processar conforme o contrato Construir confiança entre proprietário, inquilino e campo

Ver o patrimônio é não julgar apenas pelo gasto de curto prazo. Um reparo barato pode sair mais caro no longo prazo. Por outro lado, gastar um pouco agora pode conter a rotatividade e os períodos de vacância.

Ver a vida é não tratar os inquilinos como meros signatários de contrato. Quando chega o aviso de uma falha de equipamento, não basta consertar rápido: explica-se de modo a não deixar nenhuma inquietação. Só isso muda a confiança no imóvel.

Ver a relação é não decidir só pela conveniência de uma das partes. A rentabilidade do proprietário, a tranquilidade do inquilino e a convicção dos colaboradores de campo: nenhuma se sustenta sozinha. Detalhei isso em Qual é o valor social da administração imobiliária?

Quero ser um parceiro que organiza relações, não apenas uma empresa de administração

O que buscamos não é uma empresa de administração que apenas age conforme instruções. É um parceiro que, quando o proprietário hesita, pensa junto com ele, com fundamentos em mãos.

Por exemplo: deve-se aumentar o aluguel, trocar equipamentos ou cogitar a venda? Tais decisões não encontram resposta dentro do mero quadro das tarefas de gestão. É preciso conectar o mercado, o estado do edifício, o perfil dos inquilinos, a tributação, o financiamento e a saída futura. Diferentemente da relação de corretagem puramente transacional, comum em muitos mercados, isso se aproxima de um papel de consultoria de longo horizonte.

A Visão 2030 do setor imobiliário do 国土交通省 (Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo, MLIT) também pede ao setor imobiliário que atue como uma indústria de serviços abrangente, não restrita à mera transação. Com a administração é o mesmo. Precisamos passar de uma empresa que guarda um imóvel para uma empresa que guarda um horizonte de tempo.

Na INA, acreditamos que o critério para escolher uma administradora não pode ser só "é barato?". A granularidade do relatório, o fundamento das propostas, a honestidade no atendimento de campo e a postura de ampliar as opções futuras — esses elementos pouco visíveis retornam, no fim, ao valor do patrimônio.

Se você está pensando em trocar de administradora, não pare na tabela comparativa de honorários: examine as propostas passadas e os registros de como os incidentes foram explicados. A postura de uma empresa se revela não em tempos de calmaria, mas nos momentos em que o julgamento é difícil.

Redefinir a administração imobiliária devolve o orgulho aos nossos colaboradores

Redefinir o ofício da administração imobiliária diz respeito também ao orgulho de quem o exerce. Se o trabalho é chamado de "processamento", premia-se apenas a velocidade do processamento. Se é chamado de "cultivar valor", podem-se premiar a observação, a honestidade e a capacidade de propor. (Na INA, escrevemos "as pessoas" como 人財, jinzai — literalmente "tesouro humano", em vez do mais comum 人材, "material humano" —, para expressar que nossos colaboradores são um ativo, não um recurso a ser consumido.)

No campo da administração há muito esforço invisível. Quem checa as áreas comuns num dia de chuva. Quem escuta a voz dos inquilinos e percebe uma pequena dissonância nas condições do anúncio. Quem diz ao proprietário a verdade incômoda sem fugir dela.

Um trabalho assim não se mede só em números. No entanto, ele certamente permanece na reputação do imóvel, nos períodos de vacância e na confiança de longo prazo. Como escrevi em O que torna atraente o ofício da administração imobiliária?, o valor desse ofício mora entre as pessoas e a confiança.

Outra coisa importa: a força humana. Na administração de locações há momentos em que dizer o certo, corretamente, não basta. É preciso a força de fazer avançar uma decisão necessária ao mesmo tempo em que se acolhem as circunstâncias do outro. Isso se conecta a Quais qualidades humanas levam ao sucesso na administração de locações?

Não acho que o objetivo seja apagar a palavra gestão. O objetivo é impedir que o sentido do ofício encolha. Redefinir a administração imobiliária é também dar a quem trabalha no campo uma palavra que lhe permita dizer, de cabeça erguida: "cultivamos o patrimônio e as vidas".

Perguntas frequentes (FAQ)

Q1. O que é a redefinição do ofício da administração imobiliária?

R. É reconceber a gestão não como "manutenção e processamento", mas como "o trabalho que cultiva o patrimônio, as vidas e as relações". Inclui uma postura de julgar com a vista no valor futuro, e não só cumprir leis e contratos.

Q2. É mesmo melhor evitar a palavra "gestão"?

R. Como termo regulatório, é preciso usar gestão. Mas na visão interna do ofício e na explicação ao cliente, é importante dispor de expressões que não se prendam à mera gestão.

Q3. Como um proprietário deve reavaliar uma administradora?

R. Para além dos honorários, examine a qualidade do relatório, o fundamento das propostas, as decisões de reparo, o atendimento ao inquilino e a perspectiva sobre a saída futura. Deve pesar mais a capacidade de sustentar um julgamento de longo prazo do que o simples preço baixo.

Q4. O que a INA coloca no centro da administração imobiliária?

R. O centro, segundo a INA, é cultivar no longo prazo o valor do patrimônio e as relações de confiança. Buscamos uma administração que organize as relações entre proprietários, inquilinos e colaboradores, e faça do tempo um aliado.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
  • Responsável certificado pela proteção de dados pessoais
  • Gerente de prevenção de incêndio classe A
  • Especialista certificado em imóveis arrematados
  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito