Os fogões a gás instalados em imóveis alugados no Japão apresentam falhas e problemas de funcionamento à medida que os anos de uso se acumulam. Mesmo quando o inquilino cuida bem do equipamento, chega um momento em que a substituição se torna inevitável simplesmente pelo desgaste natural. Este artigo explica em detalhes a vida útil dos fogões a gás, como agir em caso de defeito e de quem é a responsabilidade pelos custos em imóveis alugados — sempre com um olhar comparativo para a realidade brasileira, onde a maior parte dos domicílios ainda depende do botijão de gás (GLP) em vez do gás encanado.
Qual é a vida útil de um fogão a gás?
No Japão, a vida útil legal (um conceito fiscal, usado para fins de depreciação contábil) de um fogão a gás é de aproximadamente 6 anos. Esse número, porém, se refere apenas ao período de depreciação para efeitos tributários e não corresponde à vida útil real do equipamento. É uma lógica parecida com a de um bem do ativo imobilizado no Brasil, cuja "vida útil contábil" definida pela Receita Federal também não representa o momento exato em que o equipamento efetivamente para de funcionar.
Vida útil real por tipo de equipamento
| Tipo | Vida útil legal (depreciação) | Vida útil real estimada |
|---|---|---|
| Modelo de bancada (gas table) | 6 anos | Aproximadamente 5 a 7 anos |
| Modelo embutido (cooktop) | 6 anos | Aproximadamente 7 a 10 anos |
Mesmo depois de ultrapassada a vida útil legal, não há problema em continuar usando o fogão normalmente, desde que não apresente nenhum defeito. No entanto, o risco de falhas aumenta proporcionalmente ao tempo de uso, por isso inspeções periódicas são importantes — assim como se recomenda para um botijão de GLP e sua respectiva mangueira e regulador de pressão em qualquer residência brasileira.
Verifique também a vida útil das pilhas e da mangueira de gás
Não é só o corpo do fogão que tem vida útil limitada — os componentes relacionados também se desgastam.
- Pilhas: precisam ser trocadas a cada seis meses a um ano
- Mangueira de gás: no caso de gás encanado urbano, dura de 6 a 7 anos; no caso de gás propano (equivalente ao botijão de GLP usado no Brasil), a durabilidade é de cerca de 3 anos
Há casos em que o que parece ser um defeito do fogão é, na verdade, simplesmente pilha descarregada ou deterioração da mangueira.
Que sintomas aparecem quando a vida útil do fogão está no fim?
Quando um fogão a gás está próximo do fim de sua vida útil, costumam aparecer os sintomas a seguir. Identificá-los cedo contribui diretamente para um uso mais seguro.
Dificuldade para acender ou a chama apaga sozinha
Este é o sintoma mais comum. Se a troca das pilhas não resolver, é provável que o problema esteja no fim da vida útil do próprio equipamento. Insistir em acender o fogão nessa condição pode causar combustão incompleta, o que é perigoso.
A cor da chama fica laranja ou esverdeada
Uma chama normal é de cor azul. Quando a chama fica laranja ou esverdeada, é sinal de combustão incompleta. Se, além disso, houver cheiro de gás, existe risco de intoxicação por monóxido de carbono — nesse caso, ventile o ambiente imediatamente e entre em contato com a companhia de gás. É o mesmo alerta que vale para qualquer botijão de GLP mal regulado ou mangueira furada no Brasil: chama alaranjada e cheiro de gás nunca devem ser ignorados.
Ruídos estranhos
Se o ruído estranho persistir mesmo após a limpeza e a troca das pilhas, é provável que o equipamento esteja mesmo no fim da vida útil. O ideal é solicitar uma inspeção o quanto antes.
Cheiro de gás
O acúmulo de gás causado por combustão incompleta pode provocar intoxicação por monóxido de carbono. Ao sentir um cheiro estranho, interrompa imediatamente o uso do fogão e procure um técnico especializado.
O que fazer primeiro quando o fogão a gás apresenta algum problema?
Antes de partir para a substituição do equipamento, vale a pena tentar as seguintes soluções. Em muitos casos, um ajuste simples já resolve o problema.
- Trocar as pilhas: a solução mais básica. Modelos mais antigos não possuem indicador luminoso de pilha fraca, por isso é preciso ficar atento
- Limpar a tampa do queimador: sujeira ou umidade na peça impedem que o gás saia de forma uniforme, causando falha na ignição
- Verificar o encaixe da tampa do queimador: se estiver mal encaixada, o gás não sai corretamente. Gire levemente para checar se não há folga
- Limpar o forno/grelha: resíduos de comida e gordura acumulada são causa comum de mau cheiro e fumaça
- Verificar o dispositivo de segurança (sensor Si): presente em fogões fabricados a partir de 2008. Sujeira no sensor é uma causa frequente de mau funcionamento
- Verificar o registro geral de gás: às vezes ele é fechado após uma inspeção periódica feita pela companhia de gás
- Verificar o estado da mangueira: cheque se não há deterioração ou dobras. Para a substituição, o mais seguro é chamar um profissional
- Verificar a trava de segurança para crianças: às vezes ela é ativada sem que o usuário perceba
- Verificar acessórios auxiliares: usar itens que não sejam da marca original pode fazer com que o sensor não responda corretamente
Em um imóvel alugado, de quem é a responsabilidade pelo custo quando o fogão a gás quebra?
O critério para definir quem paga a conta depende de quem instalou o fogão e da causa do defeito.
| Situação | Responsável pelo custo |
|---|---|
| Modelo embutido fornecido pelo imóvel (desgaste natural) | Proprietário (locador) |
| Modelo embutido fornecido pelo imóvel (dolo ou negligência do inquilino) | Inquilino |
| Modelo de bancada instalado pelo proprietário | Proprietário (locador) |
| Item deixado pelo inquilino anterior | Inquilino |
O fogão embutido fornecido junto com o imóvel é considerado parte do "equipamento" (setsubi) do imóvel, e a regra geral é que o custo de substituição por desgaste natural fique a cargo do proprietário. Já um fogão de bancada deixado por um inquilino anterior é tratado como "item abandonado" (zanchibutsu), e nesse caso é o inquilino atual quem arca com o conserto ou a troca. No Brasil, a lógica equivalente está na Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991): o artigo 22 atribui ao locador o dever de entregar e manter o imóvel em condições de uso, incluindo reparos decorrentes de deterioração natural, enquanto danos causados por mau uso do inquilino recaem sobre este último — o mesmo princípio de fundo, ainda que a forma jurídica seja diferente.
Quando há um item deixado por um inquilino anterior, é fundamental que isso conste expressamente no contrato de locação e no documento de explicação das condições importantes — algo equivalente, no Brasil, a deixar claro no contrato de locação e no laudo de vistoria de entrada quais bens móveis ficam no imóvel e sob responsabilidade de quem.
Quais fogões a gás embutidos são recomendados para imóveis alugados?
Na hora da substituição, vale escolher produtos que aumentem a satisfação do inquilino.
Modelos de duas bocas (indicados para moradias de uma pessoa)
- Noritz "Compact" N2C20KSK: design simples, sem forno/grelha. Tampo com 30 cm de largura, fácil de limpar. Conta com modo de fritura em alta temperatura e desligamento automático em caso de superaquecimento
- Rinnai "Compact" RD421H3S: fogão com sensor Si em todos os queimadores, monitorando a temperatura. Acabamento em esmalte vitrificado, com design plano
Modelos de três bocas (indicados para famílias)
- Noritz "Metal Top" N3GT2RVQ1: acompanha forno/grelha de um lado. Combina queimadores de dupla alta potência e dupla chama baixa, atendendo a um preparo variado
- Rinnai "Metal Top" RS31M5H2SBW: tampo de uma peça única (one-piece top), que evita a infiltração de líquidos transbordados na estrutura interna. Equipado com queimadores de dupla chama larga
- Paloma "Ripla" PD-509WS-60CV: tampo revestido em vidro de alta resistência (hyper glass coat). Também conta com função de aquecimento de água e função de cozinhar arroz
Como escolher uma empresa para a troca do fogão a gás?
Apresentamos três pontos essenciais para não errar na escolha do prestador de serviço.
- Rapidez no atendimento: avalie a velocidade de resposta às solicitações e a clareza das explicações
- Orçamento gratuito: peça orçamento a pelo menos duas ou três empresas para verificar se o preço cobrado é justo
- Comparação de serviços oferecidos: verifique também atendimento 24 horas, atendimento no mesmo dia, suporte pós-venda e se a empresa cuida do descarte do fogão antigo
Como gerenciar de forma eficiente os custos de substituição de equipamentos em imóveis alugados?
Para não ser pego de surpresa por uma falha repentina de equipamento, a gestão preventiva no dia a dia é fundamental. Veja a seguir alguns pontos para viabilizar uma gestão de locação sem estresse.
- Conhecer a vida útil e planejar a substituição preventiva: como referência, faça a troca a cada 10 anos, evitando lidar com uma manutenção emergencial com o inquilino já morando no imóvel
- Registrar os equipamentos existentes: manter um registro fotográfico do modelo e do estado do equipamento permite solicitar orçamentos diretamente pela internet quando for necessário
Como agir se o inquilino pedir desconto no aluguel por causa do fogão quebrado?
Se o conserto ou a troca forem realizados com agilidade, não há necessidade de conceder o desconto solicitado. Ainda assim, de acordo com o artigo 611 do Código Civil japonês, existe a possibilidade de o inquilino pedir uma redução proporcional ao período em que ficou sem poder usar o equipamento.
No caso da indisponibilidade do gás, o percentual de desconto de referência é de 10% do valor mensal do aluguel, com uma carência (período sem direito a desconto) de 3 dias. Na prática, o valor efetivo do desconto costuma variar de algumas centenas a poucos milhares de ienes. No Brasil, a Lei do Inquilinato não prevê uma tabela fixa de desconto proporcional como essa; a questão costuma ser resolvida caso a caso, com base no artigo 22 (dever do locador de garantir o uso pacífico do imóvel) e, em situações mais graves, pela via judicial.
Como a reforma do Código Civil japonês de 2020 tende a aumentar o número de pedidos de desconto, é recomendável deixar claramente registrado no contrato prazos como "o inquilino deve comunicar o defeito em até X dias" e limites como "o desconto máximo será de Y ienes".
Perguntas frequentes (FAQ)
P. Qual é a vida útil de um fogão a gás?
A vida útil legal (para fins de depreciação) é de 6 anos, mas a vida útil real gira em torno de 5 a 7 anos para o modelo de bancada e de 7 a 10 anos para o modelo embutido.
P. Se o fogão a gás de um imóvel alugado quebrar, quem paga a conta?
Se for um fogão embutido fornecido pelo imóvel e o defeito for por desgaste natural, o custo é do proprietário; se for causado por negligência do inquilino, o custo é do inquilino. Um item deixado por um inquilino anterior é de responsabilidade do inquilino atual.
P. O que fazer se a chama do fogão a gás ficar laranja?
É um sinal de combustão incompleta. Interrompa o uso imediatamente, abra as janelas para ventilar o ambiente e, como há risco de intoxicação por monóxido de carbono, entre em contato com a companhia de gás ou com um técnico especializado.
P. Qual é o valor médio da troca de um fogão a gás?
Somando o preço do produto e o custo da instalação, a referência é de 30 mil a 80 mil ienes para o modelo de duas bocas e de 50 mil a 150 mil ienes para o modelo de três bocas. Vale confirmar o preço justo comparando orçamentos de mais de uma empresa.
