No Japão, a reforma de apartamentos usados — os chamados mansion, termo local para edifícios residenciais de concreto de médio e alto padrão — é uma estratégia consolidada de valorização antes da revenda ou da locação, prática tipicamente japonesa sem equivalente direto no Brasil, onde reformar costuma ser decisão pontual do proprietário, não parte de uma estratégia sistemática de valorização patrimonial. Como o custo da obra impacta diretamente a rentabilidade (yield), entender os valores praticados no Japão e maximizar o retorno de cada iene investido é essencial para quem avalia comprar um apartamento usado japonês.
Qual é o preço médio da reforma completa até a estrutura de um apartamento no Japão?
O valor de referência para a reforma completa até a estrutura — a sukeruton renobēshon (スケルトンリノベーション, termo japonês para demolir todo o interior até restar apenas a estrutura de concreto, o equivalente mais próximo de uma “reforma total” no Brasil) — fica entre ¥100.000 e ¥150.000 por metro quadrado (aprox. R$ 3.850 a R$ 5.775 por m², câmbio de referência 26 JPY/BRL). Para uma unidade de 60 m², isso representa entre ¥6.000.000 e ¥9.000.000 (aprox. R$ 231.000 a R$ 346.500), mas quanto menor a unidade, maior o valor por metro quadrado, já que o custo das instalações hidráulicas e sanitárias (cozinha, banheiro) pesa proporcionalmente mais em espaços compactos — um detalhe relevante para investidores acostumados a apartamentos maiores, como em São Paulo, onde esses custos fixos se diluem com mais facilidade.
Como se divide o custo de uma reforma no Japão?
- Mão de obra especializada (shokunin kōchin, 職人工賃): item de maior peso no orçamento. Cada etapa — demolição, marcenaria, elétrica, tubulação hidráulica — exige um profissional especializado próprio, diferente do “mestre de obras” generalista do modelo brasileiro
- Materiais e equipamentos: piso, cozinha, banheiro, portas e esquadrias
- Supervisão de obra e projeto de design
- Outras despesas gerais
Quais fatores fazem o custo da reforma variar no Japão?
Diferenças regionais
Mesmo para uma unidade de 60 a 70 m², o valor de referência em Tóquio gira em torno de ¥9.000.000 a ¥15.000.000 (aprox. R$ 346.500 a R$ 577.500), enquanto em Osaka fica próximo de ¥8.000.000 a ¥12.000.000 (aprox. R$ 308.000 a R$ 462.000). Essa diferença reflete o custo de mão de obra e materiais em cada região — comparável à diferença de preço entre reformar em São Paulo e em uma capital do interior, só que amplificada pela maior concentração de mão de obra qualificada na região metropolitana de Tóquio.
Alteração ou não da planta (madori)
Quanto maior a mudança na planta original — o madori (間取り), o layout dos cômodos, conceito central no mercado imobiliário japonês, em que cada unidade é anunciada e avaliada pelo tipo de planta, como 2LDK ou 3LDK —, maior o custo da obra. Erguer novas paredes e realocar a área hidráulica (cozinha, banheiro) são os itens que mais encarecem o projeto.
Andar alto ou não
Em prédios altos (tower mansion), o custo de transporte de materiais até o andar sobe e encarece a reforma — fator pouco relevante no Brasil, onde a maioria dos edifícios é mais baixa, mas que pesa de forma concreta nas torres japonesas de 20, 30 andares ou mais, comuns em bairros centrais de Tóquio e Osaka.
Tipo de empresa contratada
- Construtora local (jimoto kōmuten, 地元工務店): projeta e executa a obra internamente, com menos intermediários e custo mais baixo, mas a qualidade do design pode variar bastante de uma empresa para outra
- Grande empresa de reforma (rifōmu gaisha): oferece qualidade de design mais consistente, porém tende a sair mais cara, já que embute custos de publicidade e de subcontratação em cada etapa
Exemplos reais de custo de reforma no Japão
| Escopo da obra | Área | Custo |
|---|---|---|
| Renovação completa do interior (sem alteração da planta) | Aprox. 99 m² | Aprox. ¥7.400.000 (aprox. R$ 284.900) |
| Reforma completa até a estrutura (2 quartos convertidos em sala/cozinha integrada de 20 jō, com piso de madeira maciça) | Aprox. 67 m² | Aprox. ¥12.500.000 (aprox. R$ 481.250) |
| Remoção de divisórias e reforma para planta 1LDK | Aprox. 49 m² | Aprox. ¥6.500.000 (aprox. R$ 250.250) |
Nota: jō (帖/畳) é a unidade tradicional japonesa de medida de ambientes, baseada no tamanho de um tatame — cerca de 1,65 m² por jō —, ainda usada no mercado imobiliário japonês para descrever o tamanho de salas e quartos.
Sobre a estratégia de saída desse tipo de investimento em reforma, veja também nosso artigo sobre estratégia de saída imobiliária em tempos de inflação e alta no custo da construção.
Perguntas frequentes (FAQ)
P1. A reforma aumenta o valor de revenda do apartamento?
Quando feita com escopo e orçamento adequados, a reforma pode sim aumentar o valor de mercado do imóvel. Mas gastar além do necessário reduz o retorno sobre o investimento — por isso é fundamental alinhar o orçamento ao objetivo da obra (moradia própria, locação ou revenda), assim como um investidor brasileiro avaliaria o retorno de uma reforma antes de recolocar um imóvel à venda.
P2. É possível incluir o custo da reforma no financiamento imobiliário?
Quando a reforma é feita junto com a compra do imóvel usado, algumas instituições japonesas oferecem um financiamento único que cobre compra e reforma no mesmo contrato de jūtaku rōn (住宅ローン, o financiamento habitacional japonês, com taxas historicamente muito mais baixas que as brasileiras). Vale confirmar com o banco se essa modalidade combinada está disponível para não residentes.
P3. Qual a diferença entre a reforma completa até a estrutura e uma reforma comum (rifōmu)?
A sukeruton renobēshon remove todo o interior e os equipamentos, refazendo a planta do zero. Já o rifōmu (リフォーム) é uma reforma menor, focada em consertar pontos desgastados e trocar equipamentos específicos — equivalente à diferença entre “reforma estrutural completa” e “reforma de manutenção”, mas tratada no Japão como duas categorias comerciais distintas, com contratos e orçamentos separados.
P4. Existem restrições para reformar um apartamento no Japão?
Sim. Podem existir restrições ligadas ao regulamento do condomínio — o kanri kumiai (管理組合), a associação de moradores responsável pela gestão do condomínio no Japão, com poder normativo sobre reformas —, ao impacto sobre áreas comuns e à posição das tubulações de esgoto. É necessário confirmar previamente com a administradora antes de iniciar qualquer obra: a aprovação do kanri kumiai costuma ser mais rígida do que a de uma administradora de condomínio no Brasil.

