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Instalar tomadas no aluguel: permissão, custo e DIY

Dá para instalar tomadas em imóvel alugado? Permissão do proprietário e restauração, custo da instalação e risco de incêndio das extensões, com alternativas seguras.

Última atualização: Leitura de cerca de 4 min

Você já sentiu, morando de aluguel, que "faltam tomadas" no apartamento? Com o aumento do número de aparelhos eletrônicos pessoais — celular, tablet, videogame e por aí vai — a falta de tomadas é uma dor de cabeça enfrentada por muitos inquilinos, tanto no Japão quanto no Brasil, onde apartamentos mais antigos costumam sofrer exatamente do mesmo problema. Neste artigo, explicamos em detalhe os tipos de tomada elétrica, como calcular a capacidade de carga, as formas de aumentar o número de pontos e os riscos de incêndio ligados ao uso de réguas e benjamins (os chamados "pés-de-polvo" no Japão), além das medidas de segurança recomendadas.

Por que falta tomada nos imóveis alugados?

A principal razão para a falta de tomadas é o crescimento constante do número de aparelhos eletrônicos que cada pessoa possui. Além do carregamento de celular, tablet e videogame, também aumentou o número de eletrodomésticos que tornam o dia a dia mais confortável, como umidificador, difusor de aromas e luminárias de iluminação indireta. Isso é especialmente comum em imóveis mais antigos, que muitas vezes foram construídos com um número de tomadas insuficiente para o padrão de consumo elétrico atual. No Brasil o cenário é parecido: prédios mais antigos raramente previram pontos suficientes para o consumo eletrônico atual.

Quais são os tipos de tomada usados em imóveis de aluguel no Japão?

Os imóveis de aluguel no Japão utilizam, principalmente, os seguintes tipos de tomada. Vale a pena conhecer as características de cada um.

Monofásica 100V (o tipo mais comum)

A tomada monofásica de 100V é a mais difundida no Japão. Tem dois furos: o da direita conduz a fase (o polo com tensão), e o da esquerda é o neutro, que escoa o excesso de corrente com segurança. No Brasil, o equivalente é a tomada de 127V ou 220V, conforme o padrão de tensão de cada estado — uma variação regional que não existe no Japão, onde 100V é único em todo o país.

Monofásica 200V (para eletrodomésticos de alta potência)

A tomada monofásica de 200V é usada em eletrodomésticos que exigem mais potência, como ar-condicionado e forno elétrico embutido. A tensão é cerca do dobro da tomada de 100V, e costuma ser instalada principalmente na cozinha. No Brasil, o paralelo é a tomada de 220V usada em chuveiros elétricos e ar-condicionado, ainda que o chuveiro elétrico praticamente não exista no Japão, onde a água é aquecida por um sistema central.

Tomada com aterramento

É o tipo com três furos, que tem a função de prevenir choque elétrico, fuga de corrente e acúmulo de eletricidade estática. A instalação é obrigatória em aparelhos como máquina de lavar, lava-louças e micro-ondas. Essa mesma exigência de aterramento está prevista na norma brasileira NBR 5410, referência técnica equivalente ao regulamento japonês nesse ponto.

Tomada multimídia, tomada à prova d'água e tomada de piso

Existem também tomadas com funções específicas, conforme o uso: a tomada multimídia, que combina o ponto de TV com o ponto de rede (LAN), a tomada à prova d'água para uso externo, e a tomada de piso, embutida no chão. No Brasil, esses pontos combinados também existem em prédios mais novos, mas a tomada de piso ainda é rara fora de escritórios comerciais.

Qual é o número de tomadas recomendado pelas normas internas japonesas?

As "normas internas de fiação" (naisen kitei) são um padrão de autorregulação do setor privado no Japão, referente ao projeto, à execução e à gestão de instalações elétricas. Elas estabelecem o número recomendado de tomadas conforme o tamanho e o uso de cada cômodo, medido em tatames — a unidade tradicional japonesa de área, na qual um tatame equivale a cerca de 1,65 metro quadrado.

  • Até 4,5 tatames (cerca de 7,4 m²): 2 tomadas de 100V
  • Até 6 tatames (cerca de 9,9 m²): 3 tomadas de 100V + 1 tomada de 200V
  • Até 8 tatames (cerca de 13,2 m²): 4 tomadas de 100V + 1 tomada de 200V
  • Cozinha: 6 tomadas de 100V + 1 tomada de 200V
  • Banheiro social (lavabo): 2 tomadas de 100V

No Brasil, a norma equivalente é a NBR 5410, que fixa o mínimo de tomadas por cômodo com outro critério: uma tomada a cada trecho de perímetro da parede, e não pela área em tatames.

Entenda a capacidade da tomada e o consumo elétrico dos aparelhos

Usar a tomada além da sua capacidade é uma das causas de incêndio. A fórmula de cálculo da capacidade é "A (ampere) × V (volt) = W (watt)". No caso de uma tomada comum de 15A e 100V, o limite é de 1.500W por tomada. Veja a seguir o consumo elétrico aproximado dos principais eletrodomésticos:

  • Ar-condicionado (para ambiente de cerca de 13 m²): 580W no modo frio, 660W no modo quente
  • Máquina de lavar roupa: de 500W a 900W
  • Panela elétrica de arroz (tipo IH): 1.300W
  • Televisor (tela de LCD de 42 polegadas): 210W

No Brasil o cálculo é o mesmo (W = V × A), mas como grande parte das tomadas opera em 127V, uma tomada comum de 10A chega a apenas 1.270W.

Quais são as 3 formas de aumentar o número de tomadas em um imóvel de aluguel?

Existem três tipos de obra para aumentar o número de tomadas em um imóvel já construído.

Aumentar o número de furos de uma tomada existente

É o método mais simples: a fiação interna já existente é reconectada a uma tomada nova, com mais furos. Porém, a quantidade total de eletricidade disponível continua exatamente a mesma de antes.

Derivar (ramificar) a fiação elétrica já existente

É possível conectar de 4 a 5 tomadas a um único circuito, derivando a fiação já existente. Nesse caso também, a quantidade total de eletricidade disponível naquele circuito não muda.

Puxar uma fiação exclusiva a partir do quadro de distribuição

Para eletrodomésticos de consumo elevado, como ar-condicionado e geladeira, o mais recomendado é puxar uma fiação exclusiva diretamente do quadro de distribuição, já que essa é a única das três opções que de fato aumenta a capacidade elétrica disponível, em vez de apenas redistribuir a capacidade já existente. No Brasil, essa intervenção corresponde ao circuito exclusivo a partir do quadro de disjuntores, exigido pela NBR 5410 para equipamentos de maior potência.

Que qualificação é necessária para fazer obra de aumento de tomadas?

A obra de aumento de tomadas não pode ser feita por conta própria (DIY). Conforme a Lei do Trabalho de Instalações Elétricas do Japão, é necessário ter, no mínimo, a licença de "Eletricista de 2ª Categoria" (dai-ni shu denki kōji-shi). Quem realiza esse tipo de obra sem a licença correspondente está sujeito a multa de até 30 mil ienes ou detenção de até 3 meses. A obra deve ser encomendada a uma empresa especializada em instalações elétricas ou a uma loja de eletrodomésticos que ofereça esse serviço. No Brasil, o equivalente é a exigência de eletricista habilitado, sob as normas de segurança da NR-10, com registro no CREA nos casos que exigem responsável técnico.

Quais são os riscos de incêndio do uso de réguas e benjamins, e como se prevenir?

É comum, em imóveis de aluguel, aumentar o número de tomadas disponíveis usando réguas e benjamins encadeados uns nos outros — o que no Japão é chamado de "ligação em pé-de-polvo" —, mas os incêndios elétricos causados por esse tipo de ligação chegam a cerca de 4.000 casos por ano no Japão. As principais causas são as seguintes:

  • Fenômeno de tracking (trilhamento): poeira se acumula na fresta entre o plugue e a tomada, absorve umidade e acaba provocando ignição
  • Curto-circuito no fio: colocar móveis sobre o fio ou amarrá-lo com força pode romper o fio de cobre interno e causar contato indevido
  • Sobrecarga (excesso de corrente): a soma do consumo de todos os aparelhos ligados ultrapassa a capacidade nominal da tomada ou da régua

No Brasil, a NBR 5410 e as normas de segurança contra incêndio apontam as mesmas três causas: trilhamento, superaquecimento do fio e sobrecarga.

Pontos para prevenir incêndios

  • Manter uma margem de segurança em relação à capacidade nominal (por exemplo, numa régua de 1.200W, manter o uso em torno de 900W)
  • Manter o fio esticado, sem torções
  • Limpar regularmente a poeira acumulada ao redor do plugue
  • Escolher réguas de energia com o selo de certificação PSE

No Brasil, o cuidado equivalente é escolher réguas com o selo do Inmetro, que cumpre a mesma função do selo PSE japonês.

Como escolher uma régua de energia adequada para um imóvel de aluguel?

Existem réguas de energia de diversos formatos: modelo fixo, modelo tipo extensão, modelo torre e modelo com fixação magnética, entre outros. Na hora de escolher, verifique o comprimento do fio, o número de entradas, se tem o selo PSE e se conta com função antitracking. Modelos com proteção contra picos de tensão (equivalente ao que no Brasil se chama de protetor contra surtos ou DPS) ou com portas USB embutidas também são bastante convenientes.

Perguntas frequentes (FAQ)

P. Posso fazer, por conta própria, uma obra de aumento de tomadas no imóvel alugado?

R. Não. As instalações do imóvel alugado são de propriedade do proprietário. Se você deseja aumentar o número de tomadas, fale primeiro com o proprietário ou com a administradora do imóvel — a mesma orientação vale no Brasil, onde qualquer alteração na parte elétrica de um imóvel alugado também depende de autorização prévia do locador.

P. O uso de réguas e benjamins encadeados é perigoso por si só?

R. O uso encadeado, em si, não é perigoso. O problema não existe desde que se respeite a capacidade nominal e se evite a sobrecarga.

P. Quanto custa, em média, uma obra de aumento de tomadas?

R. Aumentar os furos de uma tomada existente custa, em média, entre 5.000 e 15.000 ienes; já puxar uma fiação exclusiva a partir do quadro de distribuição costuma custar entre 20.000 e 50.000 ienes.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
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  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
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