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Quarto compartilhado de 9 tatames para 3 filhos no Japão: layout e aproveitamento de espaço

Exemplos de layout e soluções para três filhos dividirem um quarto japonês de 9 tatames. Beliche de três andares, loft e divisórias resolvem a falta de espaço e criam conforto para os irmãos.

Última atualização: Leitura de cerca de 3 min

Em famílias com três filhos, oferecer um quarto individual para cada criança raramente é viável, sobretudo no Japão, onde as moradias urbanas são compactas por padrão (moradia japonesa: casas e apartamentos das grandes cidades costumam ter metragem bem menor do que a média brasileira). Quando o espaço é limitado, uma solução tipicamente japonesa é o quarto infantil compartilhado de 9 tatames (畳, tatame, a unidade tradicional japonesa de medida de área: 1 tatame equivale a cerca de 1,62 m², de modo que 9 tatames somam aproximadamente 14,6 m²). Diferente do Brasil, onde a área é sempre informada em metros quadrados, o mercado imobiliário japonês descreve os cômodos pelo número de tatames, um vestígio do sistema construtivo tradicional que até hoje orienta plantas e anúncios de aluguel. Neste artigo, explicamos exemplos de layout e soluções práticas para que três crianças convivam com conforto em um quarto de 9 tatames.

Quais são as vantagens de três filhos compartilharem o quarto?

Reduz custos

Dar um cômodo a cada filho exige um imóvel de 4LDK ou mais. Na notação japonesa, 4LDK significa quatro quartos (dormitórios) somados a uma sala de estar (L, living), sala de jantar (D, dining) e cozinha (K, kitchen), algo próximo do que no Brasil chamaríamos de um imóvel de quatro dormitórios com sala e cozinha. Quanto mais dormitórios, maiores o preço de compra e o custo de construção. Ao fazer com que três filhos compartilhem um único quarto, é possível reduzir de forma expressiva o custo do imóvel. Para o investidor estrangeiro que avalia moradias japonesas para locação, essa mesma lógica vale ao dimensionar a planta: um layout que acomoda uma família com filhos em metragem menor melhora o retorno por metro quadrado, um ponto sensível em um mercado de área escassa como o japonês.

Fortalece o vínculo entre os irmãos

Conviver no mesmo cômodo tende a aproximar os irmãos: o filho mais velho passa a cuidar do mais novo e o mais novo amadurece mais cedo, tornando a relação entre irmãos mais próxima. No Japão, onde a valorização da vida em espaços compartilhados e do respeito mútuo faz parte da cultura doméstica, esse arranjo é visto menos como privação e mais como parte natural da criação, uma diferença cultural relevante para o leitor brasileiro, habituado a associar o quarto próprio a um marco de autonomia. Para o proprietário, um imóvel que favorece esse tipo de convivência familiar tende a atrair inquilinos com filhos em busca de permanência longa, um perfil de locatário estável e desejável no mercado de aluguel japonês.

Quais cuidados são necessários em um quarto compartilhado por três crianças?

Cerca de 3 tatames por criança é pouco espaço

Dividir 9 tatames entre três crianças deixa cerca de 3 tatames (aproximadamente 4,9 m²) por criança, um espaço pessoal reduzido para os padrões brasileiros, em que quartos infantis raramente ficam abaixo de 6 a 8 m² por criança. Quando os filhos são de sexos diferentes, é preciso prever cedo alguma forma de divisória para preservar a privacidade. Do ponto de vista do investimento, compreender esse limite ajuda a posicionar o imóvel: uma planta que permite subdividir o cômodo no futuro amplia o público de locatários e prolonga a vida útil comercial da propriedade.

No futuro, será preciso transformar em cômodos individuais

Na adolescência, garantir privacidade torna-se essencial. Mesmo quando uma reforma ampla é inviável, é possível criar meios-quartos com divisórias leves ou paredes, e vale planejar a planta desde já para viabilizar essa mudança. No Japão é comum que os pais antecipem essa transição ainda na fase de compra ou construção, deixando pontos de tomada, iluminação e portas preparados para uma futura divisão. Ao contrário do mercado brasileiro, onde reformas costumam ser decididas de forma reativa, esse planejamento antecipado é quase padrão. Para quem investe em locação, imóveis que acompanham o crescimento dos filhos sofrem menos vacância, porque a família não precisa se mudar a cada nova etapa de vida.

Quais exemplos de layout garantem conforto para três crianças em 9 tatames?

Uso de beliche de três andares ou cama-loft

Colocar três camas em um quarto de 9 tatames ocupa quase toda a área do piso. A beliche de três andares (三段ベッド, sandan beddo) exige pé-direito alto, mas economiza muito espaço; já a cama-loft (ロフトベッド, cama elevada) libera a área embaixo para uma escrivaninha, permitindo conciliar cama e mesa de estudo. Essas soluções verticais, muito difundidas no Japão justamente pela escassez de área, são pouco familiares ao comprador brasileiro, acostumado a plantas mais horizontais, e ajudam a valorizar imóveis compactos voltados a famílias.

Aproveite o loft como área de estudo ou armazenamento

Se o quarto conta com um loft (ロフト, rofuto, um mezanino sob o telhado, recurso comum nas moradias japonesas para aproveitar o volume vertical), ele pode servir como área de brincar enquanto as crianças são pequenas e, mais tarde, como dormitório ou espaço de armazenamento. Usar o espaço vertical aproveita melhor a área de piso. Ao contrário das casas brasileiras, em que o mezanino costuma ser um item de acabamento sofisticado, no Japão o loft é uma resposta funcional e corriqueira à limitação de metragem, e um argumento concreto de venda ou locação para famílias.

Divida o ambiente com estantes e armários

Quando se deseja separar o ambiente sem levantar paredes ou instalar divisórias fixas, usar estantes abertas ou prateleiras de livros como separador cria uma sensação de espaço próprio para cada criança e ainda funciona como elemento de decoração. É uma alternativa reversível e de baixo custo, especialmente vantajosa em imóveis de aluguel japoneses, em que obras estruturais muitas vezes dependem de autorização e reduzem a flexibilidade do próprio proprietário.

Separe o quarto de estudo do dormitório

Quando conciliar estudo e sono nos 9 tatames se mostra difícil, uma opção é destinar os 9 tatames exclusivamente ao estudo e usar o quarto dos pais também para o sono das crianças. Essa flexibilidade de uso dos cômodos, em que um mesmo ambiente muda de função ao longo do dia, remonta ao modo tradicional japonês de habitar o washitsu (和室, o quarto de estilo japonês com piso de tatame), onde os futons eram estendidos à noite e recolhidos de dia. Para o investidor, plantas versáteis como essa ampliam o leque de famílias que conseguem morar confortavelmente no imóvel.

Perguntas frequentes (FAQ)

P1. Um quarto infantil de 9 tatames é pequeno demais para três crianças?

Com as soluções certas, ele pode ser perfeitamente confortável. Ainda assim, como a necessidade de um quarto próprio cresce com a idade, é prudente verificar se há margem para futuras divisórias ou mudanças de planta. Vale lembrar que, no Japão, um quarto de 9 tatames equivale a cerca de 14,6 m², de modo que o conforto depende mais do layout do que apenas da metragem.

P2. Até que idade é aceitável colocar filhos de sexos diferentes no mesmo quarto?

Costuma-se apontar o início do ensino fundamental (por volta dos 6 aos 9 anos) como limite mais comum, mas isso varia conforme o desenvolvimento e a personalidade de cada criança. O recomendável é instalar uma divisória cedo ou considerar um cômodo separado.

P3. A beliche de três andares é segura?

A capacidade de carga e a instalação de grades antiqueda são fundamentais. Prefira produtos em conformidade com a norma JIS (日本産業規格, Japanese Industrial Standards, o sistema oficial de normas técnicas do Japão, com papel equivalente ao das normas da ABNT no Brasil) e verifique periodicamente se os parafusos não estão frouxos.

P4. Quanto custa a reforma para dividir o quarto em cômodos individuais no futuro?

A instalação de uma parede divisória custa, em média, de ¥200.000 a ¥500.000 (aprox. R$ 7.700 a R$ 19.200, ao câmbio aproximado de ¥26 por real). Optar por divisórias leves ou esquadrias e portas de correr como separador sai ainda mais barato.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
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  • Especialista certificado em imóveis arrematados
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  • Supervisor licenciado de operações de crédito