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Gestão sem pressa: o imóvel como um negócio medido no tempo (uma filosofia tipicamente japonesa)

O que é a "gestão sem pressa" (急がない経営, isoganai keiei)? Através do imóvel como um negócio medido no tempo, refletimos sobre o valor da administração, da confiança, das pessoas e da visão de longo prazo no Japão.

Última atualização: Leitura de cerca de 6 min

Para quem investe em imóveis no Brasil, vale começar com um enquadramento honesto: o que você vai ler aqui é uma filosofia de gestão tipicamente japonesa, chamada 急がない経営 (isoganai keiei, literalmente "gestão que não tem pressa"). Ela não tem equivalente direto no vocabulário do mercado imobiliário brasileiro, onde a conversa costuma girar em torno de valorização, liquidez e timing de compra e venda. No Japão, há situações em que decidir rápido é o melhor caminho. Há também situações em que, quanto mais se apressa a decisão, mais se sofre depois.

Gestão sem pressa não significa adiar decisões. É uma forma de administrar que separa aquilo que precisa de velocidade daquilo a que se deve dedicar tempo. Um imóvel não é um produto que se vende hoje e acaba ali. O edifício, o bairro e as relações entre pessoas mudam ao longo do tempo. Diferentemente de muitos investidores brasileiros, que costumam medir o sucesso pelo ganho de capital na revenda, a tradição japonesa de gestão patrimonial olha primeiro para a duração do ativo.

Os pontos deste artigo

  • Gestão sem pressa não é gestão lenta: é a gestão que faz do tempo um aliado.
  • Mais do que o fechamento de curto prazo, o imóvel é um negócio cujo valor muda conforme a administração, a manutenção, a confiança e a sucessão.
  • Perseguir apenas resultados de curto prazo pode ferir o valor do ativo, as pessoas e a confiança dos clientes.
  • A INA observa as decisões de vender, manter, reformar e delegar dentro de um eixo de tempo, apoiando escolhas que protegem o patrimônio.

O que é a gestão sem pressa?

A gestão sem pressa não significa ignorar os resultados que estão diante de nós. É escolher, mesmo de olho no desempenho de curto prazo, decisões que não deixem feridas no futuro.

Há momentos, na gestão, em que é preciso decidir depressa. O mercado se move; o fluxo de caixa e o atendimento aos clientes têm prazos. Por isso, não estou dizendo que basta "ir devagar".

No entanto, quando a velocidade vira o único critério, algo passa despercebido: o crescimento das pessoas, a confiança com os clientes, o estado do edifício, a relação com a região. Essas coisas são difíceis de enxergar em poucas semanas ou poucos meses.

Gestão sem pressa é a gestão que separa o que deve ser apressado do que não pode ser apressado. Não errar esse ponto é fundamental num trabalho longo como o do setor imobiliário. Diferentemente do investidor que, no Brasil, mede tudo pela TIR de uma operação rápida, aqui o critério é outro: o que conseguimos sustentar e explicar daqui a dez anos.

O imóvel como um negócio medido no tempo

O imóvel é um negócio em que a diferença aparece com o tempo. O valor não muda apenas no instante da compra ou da venda, mas no tempo em que se mantém, no tempo em que se administra e no tempo em que se transmite ao próximo.

O documento "Visão da Indústria Imobiliária 2030" (不動産業ビジョン2030, Fudōsan-gyō Vision 2030) do Ministério do Território, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão (国土交通省, MLIT) aponta o desenvolvimento sustentável do setor imobiliário, o aprofundamento de uma "indústria da confiança" e a oferta de serviços totais por meio da cooperação com outros setores e com a administração pública. Isso mostra que o papel de uma empresa imobiliária não se limita a intermediar transações.

O valor de um imóvel não se encerra na data do contrato. O inquilino vive com tranquilidade? A decisão de manutenção não está atrasada? A administradora visita o local? Quando chegar a hora de vender no futuro, restará um histórico que possa ser explicado? Esse acúmulo é o que sustenta o valor do ativo ao longo do tempo.

Por exemplo, mesmo entre dois prédios com a mesma idade, a impressão dez anos depois muda muito. Um deles deixou pequenos defeitos sem solução; o outro foi acumulando reparos e mantendo registros. A diferença visível é pequena no início, mas, quanto mais o tempo passa, mais surge diferença na taxa de ocupação e na confiança na hora da venda.

A ideia de que o sucesso no investimento imobiliário tem o "tempo" como chave não vale só para o investimento, mas também para a administração e para a gestão. O tempo pode ser aliado ou inimigo. Para um investidor brasileiro acostumado a ciclos curtos e a um câmbio volátil, talvez a maior novidade aqui seja exatamente essa: no Japão, o tempo é tratado como parte do ativo, não como custo de espera.

Por que apenas o resultado de curto prazo não protege o valor do imóvel?

Apenas o resultado de curto prazo, às vezes, não protege o valor do imóvel. É que o desgaste do edifício, a insatisfação do inquilino e a queda da confiança parecem pequenos no começo.

No curto prazo, adiar a manutenção deixa mais caixa em mãos. Reforçar a publicidade pode preencher a vacância mais rápido. Apressar o fechamento com uma venda agressiva pode gerar faturamento.

No entanto, essas decisões podem corroer o valor de longo prazo. Deixar defeitos de instalação sem solução aumenta a insatisfação dos inquilinos. Contratos com explicação insuficiente fazem perder a confiança depois. Definir aluguéis forçados pode levar a saídas e a vacância prolongada.

O Plano Básico para a Vida Habitacional (住生活基本計画, Jūseikatsu Kihon Keikaku) do MLIT é um plano básico que promove a estabilidade e a melhoria da vida habitacional dos cidadãos. A perspectiva de enxergar a moradia não como mero bem de consumo, mas como uma base que sustenta a vida ao longo do tempo, também é necessária à gestão imobiliária.

Existem ainda regimes como o da Habitação de Qualidade e Longa Duração (長期優良住宅制度, chōki yūryō jūtaku seido) — um sistema de certificação japonês, sem equivalente direto no Ocidente, criado para que a moradia seja usada por muito tempo em bom estado. É claro que nem todo imóvel se enquadra no mesmo regime. Ainda assim, a ideia de olhar a moradia partindo do pressuposto de um uso prolongado é, a meu ver, o básico da gestão imobiliária. Diferentemente do mercado brasileiro, em que o foco costuma ser a metragem e o preço por metro quadrado na entrega, o olhar japonês mira a durabilidade do ativo por décadas.

Quem são as pessoas que sustentam a gestão sem pressa?

O que sustenta a gestão sem pressa não são apenas os processos. São as pessoas que percebem, no campo, pequenos incômodos e conseguem dizer o que é preciso dizer.

Pessoas rápidas são valorizadas. Respondem rápido, encaminham processos rápido, decidem rápido. Isso é uma capacidade importante. Mas, no trabalho com imóveis, só a velocidade não basta. Quanto mais rápido se avança, mais se pergunta se não ficou de fora algo que deveria ter sido verificado.

Suponha que, num 退去立会い (taikyo-tachiai — a vistoria conjunta de saída, um costume japonês em que proprietário ou administradora e inquilino inspecionam juntos o imóvel na desocupação), alguém encontre uma pequena mancha de umidade. É possível encerrar a cena rapidamente. Mas a empresa que tem pessoas capazes de verificar a causa, deixar registro e propor ao proprietário a decisão de reparo consegue reduzir problemas alguns anos depois.

Esse não é um trabalho vistoso. Mas é um trabalho que protege o patrimônio.

A razão de a INA valorizar a gestão centrada nas pessoas está justamente aqui. As pessoas não são mera força de trabalho. São quem acumula confiança ao longo do tempo. A gestão sem pressa precisa de uma cultura que trate o cuidado não como fraqueza, mas como valor.

Como escrevi também em "A empresa é uma plataforma para realizar propósitos", a empresa é o lugar que transforma o propósito das pessoas em trabalho e em negócio. Só com os números de curto prazo não se mede o verdadeiro valor das pessoas.

As decisões de longo prazo que a INA preza

O que a INA preza é não decidir apenas pelo "o que dá lucro agora". Vender, manter, reformar, delegar. Olhamos cada uma dessas escolhas com a pergunta: conseguiremos explicá-la também no futuro?

Há imóveis que devem ser vendidos. Há imóveis que devem ser mantidos. Há imóveis em que é melhor reformar antes de alugar, e há imóveis em que, por ora, é melhor não fazer grandes reformas e mirar a saída.

O importante é não apressar a conclusão. O objetivo, a composição da família, a perspectiva de sucessão, os financiamentos, a carga de administração, as mudanças da região, o perfil dos inquilinos. Quando se dá uma resposta apenas pela rentabilidade aparente ou pelo valor de avaliação, sem olhar para isso, sofre-se depois.

Certa vez, um proprietário me consultou sobre "vender, reformar ou continuar alugando". Pelos números, era um cenário em que a venda parecia a opção mais clara. No entanto, ao organizar a vontade da família e a carga de administração, ficou visível que, em vez de vender com pressa, limitar o escopo da reforma e manter o imóvel por alguns anos era a opção mais próxima do convencimento.

Esse tipo de decisão não é uma competição de velocidade. É o trabalho de organizar a ordem do que se deve pensar.

Como mencionei em "O projeto da confiança", o imóvel é também uma infraestrutura da sociedade. Por isso, queremos enxergar cada transação não como um faturamento avulso, mas como uma decisão ligada ao futuro da região e do patrimônio.

Por que a gestão sem pressa é, ao fim, mais forte

A gestão sem pressa pode parecer um caminho mais longo. Mas, no setor imobiliário, há situações em que esse caminho mais longo se torna força depois.

A explicação cuidadosa pode não virar número de imediato. Manter o histórico de reparos também dá trabalho no curto prazo. Formar pessoas leva tempo se olharmos só para o lucro de hoje.

No entanto, com o tempo, a diferença aparece. O proprietário volta a consultar você. A satisfação dos inquilinos sobe. Na hora da venda, é possível explicar o histórico de administração. Os colaboradores passam a ter um eixo de decisão. Esse acúmulo não se constrói com pressa.

O imóvel é um negócio em que não dá para enganar o tempo. No edifício, nas pessoas e na confiança ficam as marcas daquilo que foi acumulado. Justamente por isso, a gestão sem pressa não é fraqueza: é a força para resistir ao tempo. Para o investidor brasileiro, isso se traduz numa vantagem concreta de portfólio: um ativo japonês bem documentado e bem mantido tende a defender preço e ocupação mesmo em ciclos adversos.

Conclusão | Justamente por não ter pressa é que sobra valor para alcançar o futuro

Gestão sem pressa não é gestão que não faz nada. É a gestão que, para não deixar feridas no futuro, distingue o que deve ser apressado daquilo a que se deve dedicar tempo.

No imóvel como negócio medido no tempo, apenas o resultado de curto prazo não protege o patrimônio. Administração, manutenção, confiança, pessoas, sucessão: tudo isso vira valor com o passar do tempo.

Claro que também é preciso a decisão de não perder oportunidades. Justamente por isso, não confundimos não ter pressa com não se mover. Quando é necessário, agimos rápido. Mas não tomamos decisões que não possamos explicar no futuro. Essa é a postura da INA.

A gestão sem pressa é a determinação para encarar o imóvel como um negócio medido no tempo. Escolher a confiança que resiste ao tempo, mais do que a velocidade imediata. Esse acúmulo, acredito, protege o patrimônio dos proprietários e o crescimento das pessoas.

Perguntas frequentes (FAQ)

Q1. Gestão sem pressa significa que a tomada de decisão é lenta?

R. Não significa que a tomada de decisão seja lenta. É uma postura de gestão que separa o que deve ser apressado daquilo a que se deve dedicar tempo.

Q2. Por que o eixo do tempo é importante no setor imobiliário?

R. Porque o imóvel é um ativo cujo valor muda não só no instante da compra ou da venda, mas na administração, na manutenção, no atendimento aos inquilinos e na sucessão.

Q3. Perseguir resultados de curto prazo é algo ruim?

R. Resultados de curto prazo também são necessários. Mas, ao perseguir apenas os números de curto prazo, pode-se chegar a decisões que ferem a confiança e o valor do ativo.

Q4. Por onde o proprietário deve começar a adotar uma visão de longo prazo?

R. Primeiro, organizando, para cada imóvel, o histórico de reparos, a voz dos inquilinos, a carga de administração e a saída futura. Assim, o eixo do tempo fica mais fácil de enxergar.

Citações e referências

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
  • Responsável certificado pela proteção de dados pessoais
  • Gerente de prevenção de incêndio classe A
  • Especialista certificado em imóveis arrematados
  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito