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Fundamentos do investimento em apartamentos usados: tipos, rentabilidade, benefícios fiscais e como escolher o imóvel

Um guia prático para investidores internacionais que buscam um apartamento usado (chūko manshon) no Japão, cobrindo localização, orçamento, padrão sísmico, idade do edifício e risco de desastres — por que imóveis com 20 a 30 anos costumam ser o ponto ideal, como calcular o rendimento líquido e um passo a passo antes da compra.

Última atualização: Leitura de cerca de 10 min

Comprar um chūko manshon (中古マンション, apartamento usado em um edifício de condomínio urbano) para fins de investimento é uma prática de mercado tipicamente japonesa, sem equivalente direto no Brasil, onde o investimento imobiliário residencial ainda se apoia fortemente em casas isoladas ou lançamentos novos. No Japão, a maior parte do estoque habitacional urbano é vertical e o mercado de revenda de apartamentos usados é maduro, líquido e amplamente utilizado por investidores — tanto japoneses quanto estrangeiros que buscam diversificar patrimônio em ienes. No investimento imobiliário, a capacidade de identificar qual imóvel continuará gerando receita de forma estável por muitos anos é o que mais determina o sucesso ou o fracasso da operação. Localização, orçamento, resistência sísmica, idade do edifício e risco de desastres naturais — avaliar o imóvel sob esses cinco ângulos é a base para evitar erros. Ao longo dos anos, acompanhamos a seleção de imóveis de muitos investidores, e o que separa um bom resultado de um mau resultado, anos depois, nunca é a impressão de que o imóvel parece bom, e sim a capacidade de decidir com base em números e evidências verificáveis. Para um investidor brasileiro habituado a pensar em imóvel como reserva de valor em reais, o apelo adicional do apartamento usado japonês costuma ser a diversificação em iene, moeda historicamente associada a juros baixos e a um mercado de locação urbano extremamente estável, ainda que sujeito, evidentemente, a risco cambial e a uma curva de aprendizado sobre regras que não existem no direito imobiliário brasileiro. Neste artigo, organizamos os pontos práticos para escolher um apartamento usado para investimento no Japão, com critérios de decisão e um passo a passo que um leitor fora do Japão pode seguir mesmo sem familiaridade prévia com o mercado japonês.

Os pontos básicos ao escolher um apartamento usado para investimento no Japão

Antes de começar a olhar anúncios de imóveis, é fundamental definir a premissa de que tipo de investimento você quer fazer. Quando essa premissa fica vaga, o investidor acaba se deixando levar pelo rendimento aparente ou pelo preço baixo do momento, e passa a ignorar riscos que deveriam ter sido descartados desde o início. Por isso, recomendamos definir antecipadamente três eixos: orçamento, localização e perfil do público-alvo de locatários. Diferentemente de um investidor que compra um imóvel único para morar, quem investe pensa primeiro na demanda de outra pessoa — o futuro inquilino — e só depois no imóvel em si; essa inversão de prioridade é o que costuma faltar a quem está comprando seu primeiro imóvel de investimento no Japão vindo de fora do país.

Defina primeiro o orçamento e o plano de financiamento

Definir previamente o capital próprio, o valor financiável e a proporção da entrada é o ponto de partida da seleção do imóvel. Uma vez definida a faixa de financiamento, a gama de imóveis a considerar se estreita naturalmente, o que torna o processo de seleção muito mais eficiente. É essencial verificar o equilíbrio entre o pagamento do financiamento e a receita de aluguel esperada — o chamado yield gap (a diferença entre a taxa de retorno do imóvel e a taxa de juro do financiamento) — e simular de forma conservadora se o pagamento continuaria viável mesmo em caso de alta de juros. Vale notar que as taxas de financiamento imobiliário no Japão costumam ser bem mais baixas do que as praticadas no Brasil dentro do Sistema Financeiro de Habitação, o que é um dos atrativos do mercado japonês para investidores estrangeiros — ainda que o acesso a esse crédito em ienes normalmente dependa de vínculo de residência ou renda no Japão, algo que vale confirmar caso a caso com a instituição financeira. Vale lembrar também que a receita de aluguel de um proprietário não residente no Japão está, em regra, sujeita a retenção de imposto de renda na fonte de 20,42% sobre o valor bruto recebido, recolhida pelo próprio inquilino ou pela administradora — um mecanismo tributário que não tem equivalente direto no imposto de renda sobre aluguéis no Brasil e que precisa entrar na conta de rendimento líquido desde a primeira simulação, não apenas depois da compra.

Escolha uma localização que reduza o risco de vacância

Uma condição vaga como qualquer lugar dentro de Tóquio já serve eleva o risco de vacância. Áreas com bom acesso a pé até a estação, comércio, locais de trabalho e escolas tendem a manter uma demanda de locação mais estável. Diferentemente do Brasil, onde bairros afastados do metrô e dependentes de automóvel são comuns e aceitos pelo mercado, no Japão a demanda de locação está fortemente ancorada na distância a pé até a estação de trem — os anúncios japoneses informam rotineiramente algo como estação a 5 minutos a pé, e esse número pesa tanto quanto o bairro em si na decisão do locatário. Essa cultura de proximidade da estação vem do desenvolvimento urbano japonês do pós-guerra, fortemente organizado ao redor de linhas de trem privadas e da rede ferroviária estatal, em vez de rodovias — um padrão de urbanização bem diferente da expansão rodoviária que moldou a maior parte das grandes cidades brasileiras. Depois de definir o público-alvo (solteiros ou famílias), pesquise a dinâmica populacional da região e o equilíbrio entre oferta e demanda de locação usando estatísticas públicas — como o censo nacional japonês, o kokusei chōsa (国勢調査) — e o número de anúncios ativos em portais de aluguel.

Escolha a planta e a metragem adequadas ao público-alvo

O perfil de locatário a buscar decorre naturalmente do caráter da localização. Para solteiros, a referência geral é 1K a 1LDK; para famílias, 2LDK a 3LDK (nomenclatura japonesa de plantas: o número indica cômodos e as letras indicam cozinha — K —, sala de jantar — D — e sala de estar — L). Mas não aceite essa referência de forma automática: confirme com dados reais de demanda de locação da região. Em um bairro de escritórios e em uma área próxima a universidades, mesmo dentro do mesmo público de solteiros, os equipamentos exigidos e a faixa de aluguel esperada costumam ser diferentes. Para o investidor de fora do Japão, essa granularidade por bairro é o principal ponto cego: uma mesma cidade, como Tóquio, comporta dezenas de microssubmercados de locação com dinâmicas próprias, o que torna arriscado decidir com base apenas no nome da cidade ou da região metropolitana.

Por que apartamentos usados com 20 a 30 anos são adequados para investimento

Imóveis novos ou muito recentes transmitem segurança, mas o preço já embute um prêmio de novo, e a desvalorização logo após a compra tende a ser acentuada. Um imóvel usado, cuja queda de valor já se estabilizou, pode ser, do ponto de vista da eficiência do investimento, a escolha mais racional. Esse padrão de forte prêmio de novo seguido de queda acentuada de valor é uma característica bastante marcada do mercado japonês de apartamentos — em muitos mercados imobiliários fora do Japão, incluindo partes do mercado brasileiro, o imóvel novo tende a manter valor de forma mais linear, o que faz da curva de depreciação japonesa um ponto de atenção específico para quem nunca investiu no Japão antes. Essa preferência histórica por imóvel novo (shinchiku shikō, 新築志向) remonta ao boom imobiliário do pós-guerra e à era de forte crescimento populacional urbano, quando construir era mais rápido do que reformar; mesmo com a população japonesa hoje em declínio, essa preferência cultural ainda se reflete no preço, criando exatamente o desconto de entrada que interessa a quem investe pensando em rendimento, e não em morar no imóvel.

Imóveis na faixa de preço mínimo, onde a queda de valor se estabiliza

O valor patrimonial de um apartamento cai de forma relativamente acentuada nos primeiros anos após a construção, e é comum que, por volta dos 20 anos de construção, o ritmo de queda se torne mais suave. Um imóvel que já chegou a essa faixa de preço mínimo tem um risco relativamente menor de sofrer nova queda acentuada após a compra, o que também facilita projetar o preço de saída (revenda). Ainda assim, o grau de desvalorização varia muito conforme a localização e o estado de manutenção do condomínio, então trate isso como uma tendência geral, não como uma regra fixa. Na prática, isso significa que o comprador estrangeiro ganha duas vezes ao mirar essa faixa etária: paga um preço de entrada que já não carrega o prêmio de novo, e assume um risco de queda residual menor do que assumiria comprando um lançamento na planta.

Atende ao novo padrão sísmico, o shin-taishin kijun (新耐震基準, vigente desde junho de 1981)

Como o Japão é um país de altíssimo risco sísmico, a premissa básica é escolher um imóvel que tenha recebido a confirmação de construção — o kakunin-zumi-shō (確認済証), o certificado oficial de aprovação do projeto — em ou após 1º de junho de 1981, data em que passou a vigorar o novo padrão sísmico do Japão. O ponto de atenção é que a data que importa não é a de conclusão da obra, e sim a data em que o projeto recebeu essa confirmação de construção. Mesmo um imóvel concluído em 1982 ou 1983 pode ter tido o início das obras anterior a essa data e ter sido aprovado ainda sob o padrão antigo — por isso, verifique sempre o kakunin-zumi-shō ou documento equivalente antes de decidir. Para um investidor brasileiro, essa é uma categoria de due diligence sem paralelo direto no mercado doméstico: como grandes terremotos não fazem parte da experiência cotidiana da construção civil no Brasil, não existe um código sísmico nacional obrigatório e amplamente checado como pré-requisito de compra da forma como existe no Japão — aqui, ignorar esse ponto pode comprometer o financiamento, o seguro e o próprio valor de revenda do imóvel. Vale registrar o contexto histórico: o próprio shin-taishin kijun nasceu de uma revisão da lei de construção japonesa em 1978-1981, motivada por terremotos anteriores, e teve sua eficácia amplamente validada — e reforçada em regulamentações posteriores — depois do grande terremoto de Kobe, em 1995, quando edifícios construídos sob o padrão antigo sofreram danos desproporcionalmente maiores do que os construídos já sob o novo padrão. Isso não é uma curiosidade histórica: é o motivo pelo qual bancos, seguradoras e o próprio mercado de revenda japonês tratam a data de 1º de junho de 1981 como uma linha divisória de risco, e não apenas como um detalhe técnico.

Reforma e estado de manutenção do condomínio determinam a taxa de ocupação

Muitos imóveis com 20 a 30 anos de construção já passaram por reforma (renovação), e quando o interior foi atualizado adequadamente, tende a atrair mais interessados em alugar. Por outro lado, um imóvel cuja unidade privativa está bonita, mas cujas áreas comuns ou plano de grandes reformas estão sendo negligenciados, esconde um custo futuro difícil de prever. É indispensável verificar o nível do shūzen sekitate-kin (修繕積立金, o fundo de reserva para reformas do condomínio, pago mensalmente por cada proprietário) e a existência de um chōki shūzen keikaku (長期修繕計画, plano de reforma de longo prazo), além do estado geral de manutenção de todo o edifício. O conceito lembra o fundo de reserva condominial já conhecido do investidor brasileiro, mas no Japão esse plano de longo prazo costuma ser um documento formal, com horizonte de cerca de 30 anos e etapas de obra detalhadas, divulgado ao comprador de forma bem mais estruturada do que é comum na documentação condominial brasileira. Para o investidor à distância, isso é uma boa notícia prática: em vez de depender apenas de uma vistoria visual, é possível pedir esses documentos antes da compra e projetar, com razoável precisão, se o fundo de reserva atual é suficiente para cobrir a próxima grande reforma ou se o proprietário provavelmente enfrentará uma cota extraordinária nos anos seguintes.

Organizando os 5 critérios de avaliação do imóvel

Reunimos os pontos discutidos até aqui em um formato que pode ser usado diretamente na hora de checar um imóvel. Ao ter em mãos a documentação de um imóvel, conferir mecanicamente esses cinco critérios já evita boa parte dos descuidos mais graves. Para quem está avaliando um imóvel a partir do Brasil, sem poder visitar pessoalmente todas as opções, essa tabela também funciona como um roteiro de perguntas a enviar à administradora ou à imobiliária japonesa antes de qualquer viagem ou decisão remota.

CritérioPrincipais itens a verificarComo confirmar (referência)
LocalizaçãoDistância da estação, comodidade do dia a dia, oferta e demanda de locaçãoVisita ao local, número de anúncios em portais de aluguel
Orçamento e fluxo de caixaRendimento, proporção do pagamento do financiamento, yield gapSimulação financeira de receitas e despesas
Resistência sísmicaConformidade com o novo padrão sísmico, existência de reforço estruturalKakunin-zumi-shō (certificado de confirmação de construção), explicação de itens importantes (jūyō jikō setsumei-sho)
Idade do edifício e manutençãoFundo de reserva para reformas, plano de reforma de longo prazoRelatório de investigação de itens importantes (jūyō jikō chōsa hōkokusho)
Risco de desastresEnchente, deslizamento de terra, tsunami, condição do soloHazard map (mapa de risco de desastres), dados geotécnicos

Observe o rendimento bruto e o rendimento líquido separadamente

Boa parte do rendimento divulgado em anúncios é o rendimento bruto (rendimento de superfície), sem o desconto de custos como a taxa de administração do condomínio, o fundo de reserva para reformas, o imposto sobre a propriedade (o kotei shisan zei, 固定資産税, equivalente funcional ao IPTU brasileiro, ainda que com regras de avaliação e alíquota diferentes) e os custos de restauração da unidade ao final do contrato de locação (genjō-kaifuku, 原状回復, a obrigação japonesa de devolver o imóvel ao estado original). O que deve servir de base para a decisão é o rendimento líquido, já descontados esses custos. Não é incomum que um imóvel com rendimento bruto aparentemente alto, mas com taxa de despesas elevada, deixe pouco dinheiro efetivo no bolso do investidor ao final do mês. Some a esses descontos, no caso de um proprietário residente fora do Japão, a retenção de imposto na fonte já mencionada anteriormente, e o quadro fica claro: um rendimento bruto anunciado de forma isolada, sem esses ajustes, tende a superestimar significativamente o retorno real do investimento — e é justamente essa lacuna entre rendimento bruto e líquido que costuma surpreender negativamente quem investe pela primeira vez a partir do exterior.

Como confirmar o risco de desastres naturais

Por mais atraente que seja a rentabilidade, se o edifício for danificado por um desastre, o investimento fica comprometido em sua base. Por isso, a checagem do risco de desastres deve receber o mesmo peso que o cálculo de rendimento. Diferentemente do Brasil, onde a due diligence de um comprador de imóvel costuma se concentrar em documentação registral e situação fiscal do imóvel, no Japão essa etapa de risco físico é tratada como parte central, e não acessória, da decisão de compra — reflexo direto de o país conviver com terremotos, tufões e chuvas torrenciais como parte da vida cotidiana.

Confira o padrão sísmico

Como mencionado anteriormente, verifique, por meio do kakunin-zumi-shō ou da explicação de itens importantes (jūyō jikō setsumei-sho), se o imóvel atende ao novo padrão sísmico (confirmação de construção a partir de junho de 1981). Mesmo um imóvel sob o padrão antigo pode ser aceitável caso já tenha passado por obra de reforço sísmico (taishin hokyō kōji, 耐震補強工事) — nesse caso, confirme também o conteúdo e a data de execução dessa obra. Não hesite em pedir laudo técnico ou nota fiscal da obra de reforço: a existência do reforço sem comprovação documental tem pouco valor probatório na hora de negociar preço, financiamento ou seguro.

Use o hazard map para verificar risco de enchente, deslizamento e tsunami

Consulte o hazard map (mapa de risco de desastres) do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão — o Kokudo Kōtsū-shō (国土交通省, MLIT) — e das prefeituras municipais para verificar se o imóvel está em área de risco de enchente, deslizamento de terra, maré de tempestade ou tsunami. Imóveis em área de alto risco tendem a ter custo mais alto de seguro contra incêndio e seguro contra terremoto, e isso também pode ser um fator que afasta compradores no momento da revenda futura. Vale também checar as informações sobre a condição do solo. Essa divulgação sistemática de hazard maps integrada à due diligence imobiliária é uma prática institucional bastante consolidada no Japão, e para um investidor brasileiro costuma ser uma etapa nova, sem equivalente tão padronizado no processo de compra de imóvel no Brasil. Desde a revisão de 2020 das regras de explicação de itens importantes na intermediação imobiliária japonesa, a checagem do hazard map passou a ser, na prática, parte obrigatória da explicação que o corretor deve prestar ao comprador antes do fechamento do negócio — o que reduz bastante o risco de o investidor descobrir esse tipo de exposição só depois da compra.

Passos a seguir antes da compra

É justamente no momento em que você sente ter encontrado um bom imóvel que não se deve pular etapas do processo. Recomendamos seguir, um a um, o fluxo abaixo antes de fechar negócio. Para quem está comprando à distância, do Brasil, vale reservar tempo extra em cada etapa: parte da documentação japonesa citada abaixo não tem tradução oficial para o português, e a curva de aprendizado sobre esses documentos costuma ser o maior gargalo de tempo, não a análise financeira em si.

  1. Definir o orçamento e as condições de financiamento, estabelecendo a faixa de imóveis a considerar
  2. Pesquisar a oferta e demanda de locação da região e o perfil do público-alvo
  3. Simular o rendimento líquido real dos imóveis candidatos
  4. Confirmar por escrito a resistência sísmica, o estado de manutenção e o plano de reformas
  5. Verificar o hazard map e, presencialmente, o risco de desastres e o entorno do imóvel
  6. Traçar o cenário de saída (período de posse previsto e cenário de revenda) antes da decisão final

Trace a estratégia de saída antes de comprar

No investimento imobiliário, o resultado financeiro não se fecha no momento da compra, mas no momento em que a venda é concluída. Por quantos anos manter o imóvel, para que tipo de comprador, e por qual preço vender — é essa hipótese de saída que precisa estar montada antes da compra. Um imóvel para o qual não se consegue desenhar uma saída razoável merece cautela redobrada, mesmo que o rendimento de entrada pareça alto — essa é a nossa visão. Para o investidor estrangeiro, a saída também envolve uma variável adicional que não existe para o comprador local: o câmbio entre iene e real no momento da revenda, que pode ampliar ou reduzir o ganho medido em reais independentemente do desempenho do próprio imóvel — outro motivo para não tratar a estratégia de saída como um detalhe a resolver depois.

A perspectiva que nós, da INA&Associates, mais valorizamos

Quando recebemos uma consulta sobre investimento imobiliário, a primeira coisa que dizemos é que compartilhamos honestamente não só as vantagens, mas também as desvantagens. O investimento em apartamentos usados realmente envolve riscos como vacância, alta de juros, custo de reforma e liquidez do ativo. Escondê-los para apressar um contrato só corrói a confiança no longo prazo. Ao contrário, um imóvel que continua fazendo sentido mesmo depois de encarar os riscos de frente é o tipo de ativo que o investidor consegue manter com tranquilidade por muitos anos. Isso vale ainda mais para quem investe de outro país: o cliente estrangeiro tem menos meios próprios de checar de forma independente uma informação que lhe foi omitida, o que torna a honestidade da consultoria uma parte estrutural da segurança do próprio investimento, não apenas um valor comercial.

E, no fim, o que sustenta cada uma dessas decisões são pessoas. Interpretar as informações do imóvel, sentir na prática a oferta e demanda da região e aconselhar de acordo com a situação de cada proprietário — os profissionais que fazem isso são, para nós, o maior ativo da empresa. Por isso, priorizamos menos o fechamento rápido de um negócio e mais uma relação que caminhe junto com o cliente ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

Qual é a idade ideal de construção para um apartamento usado como investimento?

De forma geral, considera-se que a faixa de 20 a 30 anos de construção é a mais interessante. É a fase em que o ritmo de desvalorização do imóvel já se estabilizou, o imóvel atende ao novo padrão sísmico, e há bastante oferta de unidades já reformadas. Ainda assim, não decida apenas pela idade do edifício: avalie de forma integrada o estado de manutenção e o plano de reformas de longo prazo. Um imóvel de 25 anos bem administrado, com fundo de reserva saudável, tende a ser uma escolha melhor do que um imóvel de 20 anos com plano de reformas abandonado.

Como reduzir o risco de vacância no investimento em apartamento usado?

É eficaz escolher uma região com boa comodidade no dia a dia e próxima de estação a pé, e adequar a planta e os equipamentos ao público-alvo pretendido. Além disso, consultar uma administradora que conheça os dados de taxa de ocupação e a tendência de anúncios daquela região permite uma decisão mais próxima da realidade do mercado local, o que é especialmente valioso para quem acompanha o imóvel de longe, sem poder visitar o bairro pessoalmente com frequência.

Como confirmar se um apartamento usado atende ao novo padrão sísmico?

Atendem ao novo padrão sísmico os imóveis que receberam a confirmação de construção em ou após 1º de junho de 1981. Como o critério é a data dessa confirmação, e não a data de conclusão da obra, recomendamos sempre confirmar pelo kakunin-zumi-shō (certificado de confirmação de construção) ou pela explicação de itens importantes (jūyō jikō setsumei-sho). Se esses documentos não estiverem disponíveis de imediato, isso por si só já é um sinal de alerta que vale a pena investigar antes de avançar na negociação.

É possível investir em apartamento usado no Japão com financiamento total (full loan, sem entrada)?

Em alguns casos é possível, mas depende da avaliação de garantia e da análise de perfil feita pela instituição financeira. É importante confirmar o equilíbrio entre o valor de mercado do imóvel e o valor financiado e, considerando também uma eventual alta de juros, avaliar de forma conservadora, em princípio, se o fluxo de caixa mensal se mantém positivo nessas condições. Para o investidor não residente, some ainda o efeito da retenção de imposto na fonte de 20,42% sobre o aluguel bruto: um financiamento total pode parecer atraente à primeira vista, mas só faz sentido se o fluxo de caixa continuar positivo depois de descontados juros, taxas do condomínio, fundo de reserva e essa tributação.

Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
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