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O que Faz um Investidor Imobiliário Ter Sucesso no Japão | 7 Princípios de Ação que Podem Ser Desenvolvidos

No Japão, o sucesso no investimento imobiliário depende menos de personalidade e mais de princípios de ação aprendidos: visão de longo prazo, decisões baseadas em números, aprendizado contínuo e domínio das regras locais.

Última atualização: Leitura de cerca de 10 min

No investimento imobiliário japonês, este é um tema claramente específico do Japão: as pessoas que têm bons resultados tendem a vencer não por “temperamento nato”, mas porque transformam visão de longo prazo, disciplina numérica e aprendizado contínuo em rotina operacional. Na INA&Associates, trabalhamos com proprietários que vão de investidores iniciantes a famílias de patrimônio ultraelevado, e o padrão se repete: quem constrói resultado duradouro institucionaliza comportamentos. Neste artigo, saímos da ideia vaga de “ter perfil” e organizamos sete princípios de ação que podem ser adquiridos ao longo do tempo, além de três vieses cognitivos que costumam levar ao fracasso, sempre combinando dados primários com observação prática de campo.

Supervisão: Daisuke Inazawa (CEO da INA&Associates Co., Ltd., Takuchi Tatemono Torihikishi (宅地建物取引士, corretor licenciado de transações imobiliárias no Japão), Kōnin Fudōsan Consulting Master (公認不動産コンサルティングマスター, qualificação japonesa de consultoria imobiliária), Chintai Fudōsan Keiei Kanrishi (賃貸不動産経営管理士, especialista certificado em gestão de locação), entre outras 11 qualificações)

Pontos principais deste artigo

  • O sucesso pode ser explicado não por traços de personalidade, mas por “princípios de ação adquiridos ao longo do tempo”
  • Os sete princípios são: planejar para manter no longo prazo, decidir com base em números, institucionalizar o aprendizado contínuo, construir parceiros locais, gerir riscos, formar redes com integridade e colocar a própria filosofia de investimento em palavras
  • Grande parte dos fracassos pode ser explicada por três vieses: viés de confirmação, efeito do custo afundado e viés do status quo
  • No mercado japonês, a dependência de parceiros locais é alta por causa de sistemas e práticas específicos como a **Shakuchi Shakka Hō (借地借家法, Lei de Arrendamento de Terras e Edificações)**, o **REINS (不動産流通機構, rede de distribuição de informações imobiliárias entre profissionais)** e a prática de **bukkaku / bukken kakunin (物確, confirmação de disponibilidade do imóvel por telefone entre agentes)**
  • A postura de tratar o próprio investidor como “capital humano valioso” é o que, no longo prazo, amplia a diferença de resultados

1. Por que falar em “princípios de ação” é mais útil do que falar em “ter ou não ter perfil”

Muitos artigos separam as pessoas entre “as que têm sucesso” e “as que fracassam” com base em personalidade. No entanto, o que vemos na prática são diferenças de comportamento. A personalidade é difícil de mudar; o comportamento pode ser projetado e treinado.

Princípios de ação que podem ser adquiridos

Entre os proprietários que atendemos, há vários casos de pessoas que começaram sem nenhuma experiência e tomavam decisões de forma improvisada, mas que, em cinco anos, passaram a operar com critérios claros e consistentes. O elemento comum foi sempre o mesmo: traduziram suas regras em linguagem concreta e as trouxeram para a operação. Documentar o processo de decisão, fixar um dia do mês para revisar números, registrar critérios de compra e venda. Tudo isso pode ser iniciado por qualquer pessoa. Em contraste com investidores que dependem apenas de “instinto” ou “talento”, quem transforma regras em sistema tende a oscilar menos quando o mercado muda. O ponto de virada, no longo prazo, é conseguir colocar seus princípios “fora de si”, em processos reproduzíveis.

O que mostram as pesquisas sobre comportamento de investidores da Harvard Business School

As análises de longo prazo divulgadas pela Harvard Business School e pela Cambridge Associates vêm mostrando de forma recorrente, desde os anos 2010, que investidores com horizontes de posse mais longos tendem a apresentar retornos ajustados ao risco mais estáveis. Ganhar de forma consistente com operações de curtíssimo prazo já é estruturalmente difícil; no imobiliário, isso se torna ainda mais duro porque os custos de transação são pesados. Honorários de intermediação, registro, imposto de aquisição imobiliária e despesas de reparo durante a posse enfraquecem a lógica do giro rápido. Já em horizontes de dez anos ou mais, esses custos se diluem como custo anualizado, enquanto a renda de aluguel e a tendência de longo prazo do valor da terra passam a pesar mais.

O que significa “ter sucesso” no mercado japonês

Em parte dos mercados imobiliários ocidentais, não é incomum buscar ganho de capital por compra e revenda rápida. No Japão, porém, “sucesso” costuma significar fluxo de caixa estável com locação e preservação patrimonial com visão sucessória. Se o ponto de partida é diferente, os comportamentos necessários também serão diferentes. Este artigo trata do conceito de sucesso dentro do contexto japonês. No Japão, coexistem três condições: juros estruturalmente baixos, forte proteção ao inquilino e polarização da demanda sob uma tendência de queda populacional. Se um investidor importar para esse ambiente uma estratégia de flip típica de outros países sem ajustar o raciocínio, o lucro tende a ser corroído por carga tributária e vacância. Vale ler também por que investidores ricos escolhem o investimento imobiliário.

2. Os 7 princípios de ação dos investidores que têm sucesso

A partir daqui, apresentamos sete comportamentos que observamos repetidamente na prática. Nenhum deles parece chamativo isoladamente. Mas, quando se acumulam, produzem diferença clara em cinco ou dez anos.

Estruturar o investimento com base em manutenção de longo prazo

Quando a seleção do imóvel parte do pressuposto de manter por muitos anos, os indicadores relevantes mudam. Em vez de olhar apenas para a rentabilidade bruta, o investidor passa a observar retorno real considerando o plano de reparos, dinâmica demográfica da região e projetos de reurbanização. O relatório PwC / ULI Emerging Trends in Real Estate 2025 também descreve o mercado japonês como ainda orientado a “long hold” e “core assets”. Na prática, antes da compra convém verificar três pontos: projeção do número de domicílios para os próximos 20 anos, evolução do volume de passageiros da estação mais próxima e o plano diretor urbano do município. No Japão, a mudança de fluxo humano de longo prazo costuma determinar mais o valor do ativo do que a oscilação curta do preço da terra. Diferentemente de mercados onde a revenda rápida é parte central da estratégia, o Japão recompensa mais o investidor que compra pensando na capacidade de continuar alugando bem ao longo do tempo.

Decidir com base em números (IRR, DCR e cenários de vacância)

Quem tem bons resultados decide com números, não com emoção. Antes da compra, o mínimo recomendável é simular IRR (taxa interna de retorno), DCR (índice de cobertura do serviço da dívida, com 1,3 como referência prática) e cenários de vacância. A vacância deve ser testada ao menos em três hipóteses: otimista, intermediária e pessimista. Por exemplo, colocar vacância projetada de 5%, 10% e 20% e verificar se, mesmo no cenário pessimista, o fluxo de caixa mensal continua viável. Quem tem esse hábito não fica preso à rentabilidade superficial mostrada em material comercial. Um próximo passo bastante concreto é pegar sua planilha atual e refazê-la com esses três cenários. Ao contrário de mercados onde o investidor pode se apoiar mais em narrativa de valorização futura, no Japão a disciplina de fluxo de caixa faz diferença porque o investimento costuma ser julgado pela resiliência operacional, não apenas pela tese de saída.

Institucionalizar o aprendizado contínuo

O aprendizado não pode depender apenas de boa vontade momentânea; ele precisa virar sistema. Um livro técnico por mês, uma visita presencial por trimestre e uma revisão estratégica anual com contador e arquiteto podem ser fixados como agenda, não como intenção vaga. Pela nossa percepção prática, investidores que mantêm 40 a 60 horas de estudo por ano costumam tomar decisões mais consistentes. Os temas de estudo podem ser distribuídos em cinco frentes: alterações regulatórias, sistema tributário, tendências regionais, tecnologia e construção, e ambiente financeiro. Quando o investidor se concentra demais em um único campo, tende a deixar lacunas em outro. No Japão, onde normas, costumes contratuais e dinâmica local se entrelaçam fortemente, o aprendizado equilibrado acaba sendo uma forma de gestão de risco. Em comparação com alguns mercados mais padronizados, o imobiliário japonês exige atualização transversal mais constante.

Ter parceiros locais confiáveis

No Japão, a coordenação entre quatro profissionais pesa de forma decisiva: takkengyōsha (宅建業者, empresa licenciada para intermediação imobiliária), administradora de imóveis, contador e shihō shoshi (司法書士, escrivão/registrador jurídico especializado em registros e procedimentos legais). O REINS é um sistema voltado a profissionais, e grande parte das informações de mercado circula dentro dessa rede, inclusive com a cultura de telefonemas para confirmar a situação do imóvel. Isso é estruturalmente diferente do modelo de base pública ampla que muitos leitores conhecem em mercados como o dos Estados Unidos. Para entender melhor, veja como escolher um parceiro imobiliário confiável. Para investidores no exterior, esse ponto pesa ainda mais: antes de escolher o imóvel, costuma ser mais racional escolher primeiro quem será seus olhos, seus ouvidos e sua estrutura operacional no Japão.

Assumir risco, mas com gestão

Não existe forma de zerar risco. O importante é separar o risco que você está disposto a assumir daquele que não aceitará, e estabelecer limites objetivos para o risco aceito. Isso significa definir com antecedência, por exemplo, a proporção mínima de capital próprio por imóvel, o número máximo de meses de vacância suportável e o piso da reserva para reparos. Quando esses limites estão decididos antes, a emoção perde espaço. Há diferença entre evitar risco e assumir risco com controle. Quem apenas evita risco perde oportunidade; quem assume risco dentro de limites acumula aprendizado e efeito composto. O ponto central é ter em números até onde você pode ir. Em contraste com abordagens puramente oportunistas, o modelo japonês tende a premiar quem entra sabendo exatamente qual deterioração operacional ainda é suportável.

Construir rede de relacionamentos com integridade

O setor imobiliário é um mercado de forte assimetria de informação. Por isso, integridade funciona no longo prazo. Cumprir prazos prometidos, não criar conflito desnecessário na saída do investimento, preservar a confiança de quem apresenta oportunidades. Pessoas que fazem o básico de forma consistente acabam recebendo naturalmente informações melhores sobre imóveis. Em tudo que observamos, quase não há exceção relevante a isso. O oposto também é verdadeiro: quem tenta extrair vantagem de curto prazo atrai, ao longo do tempo, contrapartes com a mesma postura. Escolher com quem atuar influencia o resultado quase tanto quanto escolher o ativo. Diferentemente de mercados muito digitalizados, o Japão ainda preserva uma camada relacional forte na circulação de oportunidades, o que torna reputação prática um ativo econômico real.

Colocar a própria filosofia de investimento em palavras

A característica final é ter a própria filosofia de investimento condensada em um documento de uma página. Por que investir em imóveis? O que comprar? O que não comprar? Como desenhar a saída? Quando a filosofia está verbalizada, a dúvida diminui e a transmissão para família ou sucessores fica mais fácil. Uma folha A4 basta. Se o investidor a revisa a cada seis meses à luz das mudanças do mercado, consegue perceber desgaste ou desvio no próprio critério de decisão. Um portfólio sem filosofia clara acaba comprando por impulso e vendendo por circunstância. Para leitores de fora do Japão, isso também é importante porque a filosofia ajuda a evitar importação automática de lógicas do mercado doméstico para um ambiente japonês que funciona por regras diferentes.

3. Os 3 vieses cognitivos mais comuns entre investidores que fracassam

Muitos fracassos não decorrem de falta de conhecimento, mas de vieses cognitivos. Quando organizamos o problema com a lente da economia comportamental, as contramedidas ficam mais claras.

Viés de confirmação: aceitar o discurso comercial sem conferir

As pessoas tendem a buscar apenas informações que reforcem a conclusão em que já querem acreditar. Desde a teoria do prospecto de Tversky e Kahneman, em 1979, esse padrão vem sendo reproduzido em muitos estudos. No investimento imobiliário, isso aparece quando o investidor aceita a explicação sedutora do vendedor sem refazer as contas por conta própria. No Japão, isso às vezes se combina com a cultura de sontaku (忖度, autocontenção ou leitura implícita do contexto para evitar confronto direto), o que pode tornar mais difícil questionar uma narrativa comercial. As contramedidas são simples e práticas: esperar uma noite antes de decidir, ouvir um terceiro independente e recalcular os números com suas próprias mãos. Eu pessoalmente mantenho o hábito de comparar o aluguel projetado apresentado com o aluguel efetivamente praticado em outras fontes. Não é raro que os números não coincidam.

Efeito do custo afundado: não conseguir realizar perda ou recuar

Esse viés aparece quando a pessoa demora a sair de uma posição porque “já gastou demais” nela. Continuar aportando em um imóvel com vacância prolongada ou insistir em mantê-lo mesmo com queda de mercado são exemplos disso. O erro está em trazer “gastos passados” para a decisão atual. A decisão deve ser tomada sempre com base no fluxo de caixa futuro, a partir de agora. O preço de aquisição no passado ou o valor já investido em reforma não deveria decidir o próximo passo. Pode soar frio, mas quem consegue fazer essa separação costuma preservar patrimônio por mais tempo. Em contraste com a tendência emocional de “recuperar o que já foi gasto”, o investidor disciplinado no Japão olha para a viabilidade futura do ativo dentro do contexto local de locação, manutenção e tributação.

Viés do status quo: adiar a decisão indefinidamente

Há pessoas que repetem “vou pesquisar mais um pouco” ou “vou esperar o mercado” por três anos seguidos. Não decidir não é uma posição sem risco. Você também perde tempo e oportunidade de aprendizado. Definir um prazo para a decisão e fixar critérios prévios para agir já muda muito a capacidade de execução. Na prática, o primeiro imóvel pode até ser de escala menor; o importante é executá-lo com prazo. Isso acelera a velocidade de aprendizado para todo o resto. Só quem entra em campo adquire percepção real do mercado. Ao contrário da ideia de que esperar sempre é prudente, no Japão a demora excessiva também tem custo: perde-se janela de financiamento, leitura de demanda local e contato vivo com operadores de mercado.

4. Características em comum dos clientes bem-sucedidos que a INA&Associates observou

A partir daqui, compartilhamos padrões vistos em nossa prática. Leia esta parte não como estatística formal, mas como observação estrutural baseada em experiência real.

Tendência de prazo de posse e frequência de consulta entre nossos clientes

Proprietários que apresentam bons resultados no longo prazo tendem a fazer pelo menos uma revisão estratégica de ativos por ano conosco. Quanto maior a frequência de consulta, menor costuma ser a incidência de grandes erros em timing de reparo ou decisão de saída. Em sentido oposto, quem se entusiasma apenas na compra e depois passa cinco anos sem contato tende a detectar tarde a vacância prolongada ou a deterioração de equipamentos. Nessas revisões anuais, observamos em conjunto se há espaço para ajuste de aluguel, prioridade de renovação de equipamentos, momento fiscalmente adequado para a saída e avanço no planejamento sucessório. Mesmo uma revisão por ano cria, ao longo de cinco ou dez anos, uma diferença acumulada que não pode ser ignorada. Diferentemente de ambientes em que o investidor atua de forma mais autônoma por acesso amplo a dados, o Japão favorece revisões periódicas com leitura local integrada.

A filosofia de “empresa que investe em pessoas de valor” e o aperfeiçoamento do investidor

Na INA&Associates, definimos nossa empresa como uma “Jinzai Tōshi Company” (人財投資カンパニー, empresa que investe em pessoas vistas como patrimônio de valor). Essa lógica vale para equipe, clientes e parceiros. O mesmo raciocínio se aplica ao investidor: o imóvel é um ativo, mas a pessoa que o opera é o maior ativo de todos. Planejamento anual de aprendizado, gestão da própria saúde e cuidado contínuo com a rede de relacionamentos têm peso comparável ao da escolha do imóvel. Para aprofundar, leia também a filosofia de investimento imobiliário dos investidores ricos. Em comparação com uma visão meramente financeira, esse é um ponto muito japonês: o desempenho no longo prazo é tratado como resultado de disciplina humana acumulada, não apenas de seleção de ativos.

O lugar do imóvel na alocação patrimonial dos ultra ricos

Segundo o Knight Frank Wealth Report 2025, indivíduos de patrimônio ultraelevado no mundo mantêm uma parcela relevante de seus portfólios em imóveis residenciais e comerciais. O Capgemini World Wealth Report também observa de forma contínua que famílias ricas tratam o setor imobiliário como núcleo de preservação de valor e fluxo de caixa de longo prazo. No caso japonês, a isso se somam a persistência da chamada tochi shinwa (土地神話, “mito da terra” como reserva sólida de valor) e a lógica de planejamento sucessório, o que tende a alongar ainda mais o prazo de posse. As estatísticas de fluxo de fundos do Banco do Japão também confirmam o peso elevado do imóvel dentro dos ativos reais das famílias.

5. A imagem do investidor de sucesso “à moda japonesa” vista por um investidor internacional

Esta seção organiza, sob a ótica do investimento transfronteiriço, estruturas muito específicas do Japão. Ela foi escrita para que leitores de fora do país consigam entender como esse mercado realmente funciona.

Por que parceiros locais são decisivos no Japão

No Japão, grande parte das informações sobre imóveis circula por meio do REINS e de telefonemas entre agentes para confirmar a situação real do ativo. O acesso direto do comprador comum é limitado, e a rede formada por corretor licenciado, administradora, contador e escrivão jurídico funciona, na prática, como infraestrutura do mercado. Isso difere do ambiente de base pública ampla que muitos investidores conhecem em mercados como o norte-americano. Por isso, a qualidade do parceiro local altera diretamente o resultado. Para quem mora fora do Japão, esse fator pesa ainda mais: uma administradora confiável passa a ser seus olhos e seus ouvidos no terreno. Antes de escolher o imóvel, escolher o parceiro costuma ser a ordem mais racional no contexto japonês.

Como a Lei de Arrendamento de Terras e Edificações viabiliza uma estratégia de longo prazo

A Shakuchi Shakka Hō (借地借家法) é a lei japonesa que limita fortemente a possibilidade de o locador rescindir o contrato ou recusar renovação sem fundamento legítimo. Como a proteção ao inquilino é forte, a permanência tende a ser mais longa e isso favorece fluxo de caixa mais estável. A lógica institucional é quase o oposto da de mercados que foram desenhados para maior flexibilidade do proprietário e maior rotação. Quando o investidor entende isso, passa a calibrar melhor a meta de rentabilidade e o período de posse. Por outro lado, a liberdade para reajustar aluguel ou desocupar o imóvel é menor. Justamente por isso, a seleção inicial do inquilino e a definição do aluguel de entrada acabam influenciando fortemente a rentabilidade dos dez anos seguintes. Em contraste com contratos mais flexíveis em outros países, no Japão um erro no início da operação pode acompanhar o ativo por muito mais tempo.

Saber ler a demanda real: demografia, valor de referência de vias e procura por locação

Ao combinar o sistema de busca de preços de transações imobiliárias do MLIT, a rosenka (路線価, avaliação fiscal oficial por trecho de via usada como referência tributária e de valor locacional) e as projeções populacionais dos governos locais, o investidor consegue formar uma visão de médio e longo prazo da demanda de locação. Em vez de comprar “pela sensação”, ele passa a enxergar demanda real com números. Essa é a base da capacidade de manter imóveis por muitos anos no Japão. Quando se acrescentam dados de vida cotidiana, como tempo a pé até a estação, presença de lojas de conveniência, hospitais e reputação do distrito escolar, fica mais fácil entender a rigidez para baixo dos aluguéis. Localizações sustentadas por demanda real tendem a sofrer quedas menores de aluguel mesmo quando o mercado enfraquece. Diferentemente de teses puramente narrativas de valorização, o sucesso no Japão costuma estar ligado à leitura minuciosa da utilidade diária do entorno.

6. Autoavaliação e próximos passos

Por fim, organizamos uma forma simples de autoavaliação e a próxima ação prática. Não é necessário reunir tudo de uma vez. O caminho mais realista é definir prioridades e adquirir um ou dois itens por semestre.

Checklist dos 7 princípios

1. Escolho imóveis partindo do pressuposto de manutenção de longo prazo 2. Antes da compra, simulo IRR, DCR e três cenários de vacância 3. Tenho pelo menos 40 horas anuais de aprendizado estruturado 4. Mantenho relação contínua com corretor licenciado, administradora, contador e escrivão jurídico 5. Defino em números o limite máximo de risco que aceito 6. Cumpro compromissos e recebo informações de imóveis também por indicação 7. Tenho minha filosofia de investimento resumida em um documento de uma página

Prioridade entre os comportamentos a desenvolver

Se há vários itens ainda não iniciados, recomendamos começar por “decidir com números” e “construir parceiros locais”. Esses dois pontos funcionam como base para os demais. A verbalização da filosofia pode vir por último. O acúmulo de ações acaba moldando essa filosofia naturalmente. Quando o investidor olha para trás em horizontes de três ou cinco anos, percebe que o método numérico e a rede de parceiros montados no início elevaram a qualidade de todas as decisões posteriores. Para quem está começando, vale consultar também como começar no investimento imobiliário.

FAQ

Q1. Mesmo sem ter o “perfil ideal”, ainda é possível começar a investir em imóveis? A. Sim. Comportamentos podem ser adquiridos ao longo do tempo. Pessoas naturalmente mais cautelosas, inclusive, costumam ter vantagem em decisões baseadas em números e em desenho de limites de risco.

Q2. Quantos livros investidores bem-sucedidos costumam ler? A. Na tendência observada entre proprietários com quem trabalhamos, algo entre 10 e 20 livros por ano pode ser uma boa referência. Mais importante do que o número absoluto é a regularidade de manter, por exemplo, um livro por mês.

Q3. Japoneses no exterior e investidores estrangeiros também podem ter sucesso no mercado japonês? A. Podem, sim. Mas a escolha de parceiros locais tem peso ainda maior do que para quem reside no Japão. O ponto de partida deve ser estruturar bem a administração do imóvel e a base tributária.

Q4. Existe um método concreto para se recuperar de um erro de investimento? A. Sim. É preciso separar os custos afundados e reavaliar o ativo com base no fluxo de caixa daqui para frente. Pedir que um especialista externo participe da análise também ajuda a reduzir distorções de julgamento.

Q5. Como decidir o momento de constituir uma empresa para investir? A. Isso depende da situação individual, mas um marco prático costuma surgir quando a renda tributável alcança certo nível e há plano de expandir para múltiplos imóveis. O ideal é discutir tributação e estratégia de posse ao mesmo tempo com um contador.

Q6. Como encontrar parceiros locais confiáveis? A. Use dois eixos: indicação e histórico comprovado. Verifique apresentações feitas por proprietários existentes, continuidade de transações passadas e qualidade de resposta depois da assinatura do contrato. Isso costuma ser mais confiável do que julgar apenas pela marca ou pelo tamanho da empresa.

Leia também

  • [Por que investidores ricos escolhem o investimento imobiliário](/pt/archives/column/why-wealthy-investors-choose-real-estate-investment)
  • [A filosofia de investimento imobiliário dos investidores ricos](/pt/archives/column/real-estate-philosophy-of-wealthy-investors)
  • [Como escolher um parceiro imobiliário confiável](/pt/archives/column/trusted-real-estate-partner-for-wealthy-investors)

Citações e fontes de referência

  • [Knight Frank Wealth Report 2025](https://www.knightfrank.com/wealthreport)
  • [Capgemini World Wealth Report](https://worldwealthreport.com/)
  • [Harvard Business School Working Papers](https://www.hbs.edu/faculty/Pages/research.aspx)
  • [Cambridge Associates Insights](https://www.cambridgeassociates.com/insight/)
  • [e-Gov 借地借家法](https://elaws.e-gov.go.jp/document?lawid=403AC0000000090)
  • [国土交通省 不動産取引価格情報検索](https://www.land.mlit.go.jp/webland/)
  • [REINS(不動産流通機構)](https://www.reins.or.jp/)
  • [PwC / ULI Emerging Trends in Real Estate 2025](https://www.pwc.com/jp/ja/knowledge/thoughtleadership/emerging-trends-real-estate.html)
  • [日本銀行 統計(資金循環)](https://www.boj.or.jp/statistics/index.htm)
Daisuke Inazawa, President & CEO of INA&Associates Inc.

Autor

Presidente e CEOINA&Associates Inc.

Presidente e CEO da INA&Associates Inc. Lidera a corretagem imobiliária, a locação e a gestão de imóveis na Grande Tóquio e na região de Kansai. Especializado em estratégia de investimento em imóveis de renda e consultoria para investidores de alto patrimônio.

Daisuke Inazawa é presidente e CEO da INA&Associates Inc., uma empresa imobiliária japonesa com sede em Osaka e filial em Tóquio. Ele lidera os três negócios centrais da companhia — corretagem imobiliária, locação e gestão de propriedades — na Grande Tóquio e na região de Kansai.

Suas áreas de especialização incluem estratégia de investimento em imóveis geradores de renda, otimização de rentabilidade em operações de locação, consultoria imobiliária para investidores de altíssimo patrimônio (UHNWI) e investidores institucionais, além de investimento imobiliário transfronteiriço. Presta consultoria de longo prazo, baseada em dados, a investidores no Japão e no exterior.

Sob a filosofia de gestão «o ativo mais importante de uma empresa são as suas pessoas», ele posiciona a INA&Associates como uma «empresa de investimento em capital humano» e está comprometido com a criação sustentável de valor corporativo por meio do desenvolvimento de talentos. Como executivo, também se manifesta publicamente sobre liderança e cultura organizacional em tempos de mudança.

Obteve onze qualificações profissionais japonesas: corretor imobiliário licenciado (Takken), Master certificado em consultoria imobiliária, gestor licenciado de condomínios, supervisor licenciado de gestão predial, profissional certificado em gestão de locação, gyōseishoshi (advogado administrativo), responsável certificado pela proteção de dados pessoais, gerente de prevenção de incêndio classe A, especialista certificado em imóveis arrematados em leilão, engenheiro certificado em manutenção de condomínios e supervisor licenciado de operações de crédito.

  • Corretor imobiliário licenciado (Takken)
  • Master certificado em consultoria imobiliária
  • Gestor licenciado de condomínios
  • Supervisor licenciado de gestão predial
  • Profissional certificado em gestão de locação
  • Gyōseishoshi (advogado administrativo)
  • Responsável certificado pela proteção de dados pessoais
  • Gerente de prevenção de incêndio classe A
  • Especialista certificado em imóveis arrematados
  • Engenheiro certificado em manutenção de condomínios
  • Supervisor licenciado de operações de crédito